[dropcap style=”style3″]E[/dropcap]u quis escolher as tarifas mais baratas e acabei me dando mal. A Webjet demonstrou ser uma empresa bem amadora ainda. Tipo uma Paranapuã dos céus (empresa de ônibus zoada aqui da Ilha do Governador). O embarque estava marcado para às 11:00. A primeira previsão era de que atrasaria em uma hora. Depois disso, foi um desencontro de informações e desorganização. Resultado: 3h30min dentro do aeroporto. Pelo menos bancaram o nosso almoço. Fiz questão de encher o prato para valer a pena.

Para completar, embarcamos pelo portão R2 e dois ônibus levaram os passageiros até a pista, onde o avião estaria esperando. Chegando lá, tivemos de esperar uns 15 minutos, porque a aeronave ainda estava sendo preparada para o embarque. O piloto passou a viagem inteira pedindo desculpas pelas cagadas feitas. O voo em si foi tranquilo e bem rápido. Levou 1h15min. Saímos às 14:40 e chegamos lá pelas 16:00. Gastei uma grana (R$ 20) no táxi do aeroporto para o porto de onde parte a balsa para Arraial D’Ajuda. Pelo que vi, dava muito bem para pegar um ônibus ou caminhar uns 30 minutos, pois a distância entre os dois lugares é relativamente pequena. A balsa custou R$ 2,50 e o trajeto levou menos de dez minutos. Do porto de Arraial até o centro, resolvi me guiar por um mapa que tinha baixado da internet. Arrisquei ir andando mesmo e não gastar com ônibus nem táxi.

Cópia de férias 020

Ainda no começo do caminho, perguntei a um cara na rua onde ficava o lugar onde eu iria me hospedar e ele disse que daria uns 5km de caminhada. Achei que era exagero e resolvi arriscar. Pensei no estereotipo do baiano preguiçoso. Caraca, era muito longe mesmo. Quem mandou ser preconceituoso. Mais de meia hora andando com a mochila de 15kg nas costas. Depois de muito suor e dor nas costas, cheguei no Arraial D’Ajuda Hostel. Garanti dois dias de reserva, fiz minha carteira nacional de alberguista e me acomodei em um quarto coletivo com sete pessoas. O valor da diária foi de R$ 30 e o ambiente muito bom. Despojado, decoração estilosa, perto da praia e do centro de Arraial. Muitas pessoas diferentes: baianos, mineiros, paulistas, argentinos. E a recepcionista muito gente boa, já me deu dicas de roteiros.

Não deu para fazer muita coisa nesse primeiro dia de mochilão. Graças à Webjet cheguei no fim da tarde e o sol já estava indo embora. Mas como eu sou teimoso, troquei de roupa e parti em busca de uma praia. Escolhi a mais próxima e fácil de achar: praia do Mucugê. Apesar de já estar escuro, pude perceber que a água é clarinha. Águas tranquilas e relativamente mornas. O interessante é que a maré estava baixa. Dava para caminhar dentro da água até muito longe. A visão da praia com a lua cheia gigante também estava muito linda.

Depois disso voltei andando por dentro do centro de Arraial. Na verdade, eu errei o caminho de volta para o albergue e acabei saindo na rua do Mucugê, lugar principal do comércio e de bares, lanchonetes e restaurantes. Resolvi continuar andando e conhecendo o restante. O vilarejo de Arraial é bem tranquilo, apesar de ter muita gente nesse período de férias. É possível conhecer praticamente tudo só andando. A igreja de Arraial tem uma arquitetura bonita. Tem uma iluminação noturna muito interessante, uma réplica de um Cristo Redentor na frente e uma vista muito linda na parte de trás, onde é possível contemplar boa parte do litoral.

E amanhã é dia de praia!


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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