[dropcap style=”style3″]D[/dropcap]e todas as praias dessa região, essa é disparada a melhor delas. A mais bonita e paradisíaca de todas. Mas dá um trabalho para chegar nela. Tivemos de acordar cedo para pegar o único ônibus que leva ao local. Fiz novas amizades, dessa vez um grupo com quatro garotas. Todas moram em São Paulo, mas uma delas é baiana e a outra cearense. O engraçado é que cada uma segue um estilo: uma negra, uma morena, uma loira e uma ruiva. Todas muito maneiras e tranquilonas: Lúcia, Carol, Carmen e Taís.

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O caminho até a Praia do Espelho é totalmente esburacado e leva mais de uma hora. Você se sente como se estivesse em um rali de tanto que quica e pula dentro do ônibus. A estrada é toda de terra cercada de mato para todos os lados. Quando se chega ao ponto final, ainda há uma meia hora de trilha para chegar à praia. Mas vale muito a pena. A paisagem é linda, nunca tinha visto uma água com aquela cor. Uma mistura de tonalidades de verde, sendo que a mais clara é a que chama mais atenção. A praia tem esse nome porque reflete a luz na água de um jeito que ela ganha esse tom esverdeado muito claro. Não demos tanta sorte, porque o tempo estava nublado. Mas mesmo assim, a praia vale a pena. Ainda conhecemos um índio meio cachaceiro que nos empurrou umas bugigangas. O nome dele é Cachiló.

A volta foi a melhor parte do passeio. Voltamos pela trilha de barro andando muito e com medo de perder a hora do ônibus. É o único meio de transporte para sair do lugar, se perdêssemos ele ficaríamos presos por lá. Para nossa sorte, no meio do caminho, uma das garotas resolveu fazer sinal para um caminhão que vinha passando. O cara parou e lá fomos nós na carroceria da lata velha, sacudindo de um lado para o outro. Parecia um grupo de boias-frias voltando do trabalho para casa. Valeu pela aventura e conseguimos pegar o ônibus a tempo.

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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