[dropcap style=”style3″]M[/dropcap]inha ideia era passar menos dias em Arraial. Mas o lugar é bom demais e acabei ficando um pouquinho mais e conhecendo regiões próximas. Hoje foi a vez de Caraíva, um lugar um pouco mais longe que os outros que visitei e que rendeu bem mais perrengues. Após muita insistência da Carol, resolvi aceitar o convite e fomos conhecer o lugar. A Lúcia e a Carmen já haviam ido embora e a Taís preferiu ficar em Arraial nesse dia.

Acordamos ainda cambaleantes pelo dia anterior, que tinha sido muito cansativo. Pegamos o tradicional ônibus da Águia Azul, empresa que faz todos as linhas entre Arraial e o restante da Bahia. Empresa com ônibus horrorosos, que deixam a Paranapuã e a Amigos Unidos (empresas cariocas que são o lixo dos lixos) no chinelo. O ponto de embarque é na praça central, próxima à igreja Nossa Senhora da Ajuda. Mesmo com muito saculejo, acabamos pegando no sono dentro do ônibus. Seriam 3 horas de viagem até Caraíva. A Carol, aliás, disse ter ouvido o motorista do busão dizer que estávamos dormindo porque tínhamos vindo da “balada”, a forma paulista para a “night carioca”. Que zé mané.

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Na metade do caminho, acordamos com um barulho. O ônibus havia passado por cima de um táxi. Passado por cima literalmente. Parte dele subiu em cima de uma das rodas do táxi. Além da confusão, ficamos sabendo que um dos eixos do ônibus tinha saído do lugar. Ia ser impossível seguir viagem, teríamos de esperar um outro. Só que estávamos no meio do nada. Demorou um século para tirar o táxi debaixo do ônibus e liberar metade da pista de barro para outros carros passarem. Já havia uma fila de carros, à essa altura, buzinando. Aí, para não perder o dia, e nos aproveitando da experiência anterior no caminhão, resolvemos pedir carona para um Ford Fusion que estava passando. Dentro, um casal de paulistas e o filho, um garoto de 12 anos. O pai olhou meio desconfiado para nós dois, mas acabou aceitando dar carona. Fomos tirando onda de carrão e ar-condicionado até o lugar da balsa para Caraíva, enquanto os outros passageiros do ônibus ficaram lá no calor, sendo devorados por mosquitos.

Tivemos de pegar um barquinho que atravessa o rio para chegar em Caraíva. Em menos de cinco minutos, o barquinho atravessa o rio por 3 reais e dá no outro lado. O lugar é muito legal também. Tem uma vila de pescadores, bares de forró e uma natureza show. Além da praia, que é muito bonita, tem a parte mais legal que é onde o rio se encontra com o mar. O rio tem água clarinha, calma e morna. A praia segue o mesmo estilo. Mas quando as águas se encontram, formam uma mistura interessante, com uma coloração diferente.

Fechamos a noite jantando juntos com a Taís e curtindo o último dia de Arraial D’Ajuda para os três. Elas voltam para São Paulo, eu sigo para Itacaré. Arraial vai deixar muitas saudades.


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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