[dropcap style=”style3″]D[/dropcap]esde que cheguei na Bahia, acho que hoje foi o dia de maior vagabundagem. O remédio para resfriado que estou tomando está me dando maior sono e preguiça. Acordei meio tarde, fui tomar o café em uma bar ao lado do albergue. Esse albergue aqui de Itacaré tem algumas coisas diferentes do de Arraial. Primeiro que só possui um quarto coletivo masculino e uns três femininos. O dono me explicou que a procura é sempre muito maior pelas mulheres. Vai entender o porquê. Ele é mais caro que o padrão dos outros albergues, mas empresta toalha, tem ar-condicionado que pode ser ligado o dia inteiro e televisão dentro do quarto. Mas é pequeno e não possui uma área de socialização muito boa. No café, você pega um ticket e vai fazer sua alimentação nesse bar ao lado.

Foi no café que encontrei uma menina com quem havia conversado na noite anterior. Ela estava com mais três amigas. Para variar, todas paulistas. Já estou com a impressão de que voltarei para o Rio com sotaque paulista e não baiano. Só paulistas cruzam meu caminho. Marquei com elas de conhecer a praia de Itacarezinho, a que possui maior extensão de todas por aqui. Fica a uns 15 quilômetros do centro de Itacaré. O ônibus custa R$ 1,90 e leva uns 20 a 30 minutos para chegar na praia.

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Voltei cedo para a aula de surfe, mas acabei vacilando com o horário do ônibus. Resultado: o professor já havia ido embora quando cheguei lá. Terei de fazer um intensivão amanhã, com uma aula pela manhã e outra na parte da tarde. Já sei que vou ficar quebrado, porque o negócio puxa muito do corpo. Fazer o que, amanhã é meu último dia em Itacaré.

Reservei através deste albergue mesmo as vagas no albergue de Salvador. Há três albergues credenciados, optei pelo do Porto. Uma pessoa em Arraial me falou bem dele e pelas fotos também pareceu ser mais maneiro. Devo ficar uns quatro dias lá, a partir da segunda. Minha ideia é aproveitar três na cidade mesmo e um dia inteiro na Praia do Forte.

Hoje dormi muito à tarde depois da praia, acordei meio lerdo à noite, dei umas voltas pelas ruas de Itacaré e uma pesquisada nos artesanatos. Vi pela primeira vez uma roda de capoeira aqui na Bahia. Em Arraial o clima era outro. Aqui começa a ter mais cara de Bahia mesmo. Pelo menos aquela imagem clássica e estereotipada que a gente tem daqui. Tentarei comprar passagem para Salvador amanhã de manhã. O ônibus sai de Itacaré às 20:45 da noite e deve chegar lá pelas 5h ou 6h da manhã em Salvador. Ou enrolo um pouco na rodoviária até o dia clarear mais, ou pego logo um táxi até o albergue. Amanhã é dia de me despedir de Itacaré.

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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