[dropcap style=”style3″]C[/dropcap]om aquela moleza de sempre, acordei cedo para pegar o café da manhã no albergue e depois correr para fazer a segunda aula de surfe. Só que nessas agências de passeio não dá para confiar muito mesmo. Cheguei lá no horário combinado e a garota responsável pelos passeios e aulas disse que não havia conseguido professor para a segunda aula. Que só teria professor na parte da tarde e que me devolveria parte do dinheiro. Menos mal.

Resolvi me aventurar e explorar um pouco um dos pontos turísticos de Itacaré: o farol da praia das Conchas. O caminho para chegar até ele é um pouco extenso e de difícil caminhada. Uma série de pedras de diferentes tamanhos formam esse percurso. Como a maré estava cheia, também dificultou um pouco para chegar até lá. Tive de fazer parte do percurso pela água, até onde dava pé, e depois subir pelas pedras. De lá se tem a visão da Península de Maraú, uma extensa faixa de terra formada por praias lindas e paradisíacas. Infelizmente, não pude conhecer ela mais profundamente porque só pode ser acessada por Land Rovers e através de passeios comprados nas agências. Muito caro, preferi priorizar as aulas de surfe.

 

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Bom, pela foto dá para se ter uma ideia de como é o farol. Mas o melhor do dia foi, sem dúvida alguma, surfar. Ah, antes almocei com mais duas paulistas de Santo André, que conheci no albergue. Acho que estou melhorando muito minha capacidade comunicativa e diminuindo a timidez. Esse albergue é muito vazio e não falava com ninguém há um tempinho. Vi uma das garotas na piscina e fui lá puxar assunto, a amiga chegou chamando ela para almoçar e eu fiz a tradicional cara de pidão, Tongue Out. Nunca falha, me convidaram também e pude pelo menos continuar mantendo minhas cordas vocais ativas.

Cordas essas que engoliram quantidades absurdas de sal logo depois do almoço. Me despedi da Núbia e da Isabel, ambas auxiliares administrativas em um hospital de Santo André, e segui para minha tão esperada aula de surfe. E valeu a pena cada centavo que gastei para ter as aulas. Engoli muita água, tomei tombos extraordinários, piruetas loucas, pranchada na cabeça, joelho ralado na parafina, barriga assada. Mas depois de tudo isso, quando você consegue ficar em pé na prancha e sente a onda te empurrando para frente, é bom demais. Não dá nem para explicar, só fazendo mesmo. O sinal de positivo do Tarek, o instrutor, acompanhado pelo sorriso de satisfeito foi o ápice da aula. Ficar em pé na prancha e pegar um onda, mesmo pequena, é o grande momento do iniciante no surfe.

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Consegui em outras tentativas e terminei com a vontade de continuar fazendo isso no Rio, de me divertir mais dentro da água. O mais legal foi curtir o pôr-do-sol na praia da Ribeira. Aquela sensação de que o corpo foi moído, mas o cérebro agradece pela experiência vivida. Legal também voltar pelas ruas de Itacaré com a prancha debaixo do braço, como se fosse surfista de verdade.

Voltei ao albergue, arrumei minha mochila, fiz um lanche rápido e entrei no ônibus das 20:45. Destino: Salvador. Tempo previsto: 9 horas de viagem. Até mais, Itacaré!


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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