[dropcap style=”style3″]E[/dropcap]nfim, a capital baiana. Depois de 11 dias de viagem, cheguei na cidade mais importante do Estado. Local de vários pontos culturais e históricos famosos. Como havia dito antes, encarei nove horas de estrada para chegar até aqui. Viajei no melhor (ou pior) estilo sonâmbulo. Meio dormindo, meio acordado. Lembro de ter chutado duas vezes um cara do banco da frente e dele ter empurrado minha perna para trás nas duas vezes. Mas pode ter sido sonho também, vai saber.

O ônibus chegou na rodoviária às 6h em ponto. Dei aquela enrolada básica no Terminal para encarar o ônibus urbano mais acordado. Depois da onda de terror que me colocaram sobre os perigo de Salvador, resolvi esperar o dia clarear mais para enfrentar o trânsito e os pontos de ônibus. O estômago falou mais alto e só esperei dar 7h para levantar do banquinho. 

Perguntando aqui e ali cheguei no ponto certo e consegui pegar o ônibus. Até que demorou para chegar na Praia do Porto da Barra, local mais próximo do albergue. Uns 40 minutos. Pude ir contemplando a paisagem urbana e me “decepcionando”. Não muda nada para o Rio. É como se eu estivesse passando pela Tijuca ou São Cristóvão. Tinha na cabeça aquela imagem das ruas no Pelourinho, as casinhas coloridas e esqueci que cidade grande é igual no Brasil todo. Maldito capitalismo. Ok, nada de política nas férias.

mochilão 007

mochilão 015

O albergue tem uma estrutura razoável. O ambiente é mais descontraído, com música rolando por caixinhas espalhadas por todos os cômodos e mais pessoas que o de Itacaré. Muitos gringos, para variar. Tomei café, dei umas voltas pelas redondezas e conheci o shopping da Barra. Pela tarde bati perna pelas duas praias próximas daqui, a do Farol e do Porto, e tirei algumas fotos em marcos históricos. As praias de Salvador, como era de se esperar, são mais lotadas que as mais ao Sul e menos limpas. Mas não deixam de ser bonitas também, principalmente por causa dos faróis e fortes que as envolvem. Mesmo com todo um policiamento mais presente, vi dois caras que estavam tirando foto perto de mim em um dos fortes, reclamar minutos depois que haviam sido roubados. Levaram a câmera de um dos dois. Resolvi voltar mais cedo do passeio, porque vi muito malandrinho andando pela orla.

Infelizmente, a gente vê muito desses por aqui. Não que no Rio seja uma maravilha, muito pelo contrário. Mas quando a gente está em um lugar novo e desconhecido, fica mais vulnerável. Acabo desconfiando de todo mundo e tentando curtir os passeios sem dar bobeira. Amanhã tem mais Salvador.

mochilão 021


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

Posts do autor