[dropcap style=”style3″]R[/dropcap]esolvi tirar uma folga das praias hoje. Fui conhecer alguns dos principais pontos turísticos de Salvador. Tive de ir sozinho mesmo, porque nesse albergue os estrangeiros dominam totalmente as acomodações. Até consigo conversar sobre o básico, me virar legal, mas no geral eles estão sempre em grupos mais fechados.

Ontem à noite, por exemplo, conheci um francês, com quem joguei uma partida de sinuca. Tive de derrotar o cara para honrar nosso país, é claro. Na hora do jantar, enquanto preparava a clássica gororoba de mochileiro (miojo, frituras e o que mais couber no prato) conheci um casal curioso. Ela, holandesa, ele, israelense. Eles se conheceram em Buenos Aires. Aliás, ao contrário de Arraial e Itacaré, aqui os argentinos não estão tão presentes. A menina se chama Ingrid, o nome do cara eu esqueci (porque será?). Ele é engenheiro, ela é psicóloga. Fiz a clássica piadinha de ser uma profissão perigosa, que eu deveria ter cuidado com o que falasse. É impressionante como certas piadinhas idiotas são universais e servem em qualquer situação. Ah, outra coisa que tem se tornado constante nas apresentações. Sempre me perguntam sobre o lugar em que moro no Rio. Quando falo Ilha do Governador, ninguém conhece. É só falar o bairro do Aeroporto Internacional que todo mundo lembra na hora. O que seria da Ilha se não fosse o Aeroporto?

Para terminar a salada global, no meu quarto tem um negão de uns dois metros de altura e trocentos metros de músculos. O cara é sinistro, ontem quando entrei no quarto para dormir ele estava com o olhar fixo para a parede. Medonho, lembra muito aquele ator americano do filme “À espera de um milagre”. Este eu achei melhor nem perguntar a nacionalidade nem qualquer outra coisa, Laughing.

Tomei o café e saí cedo para conhecer o centro histórico e turístico de Salvador. Peguei um ônibus que em 15 minutos me deixou na Praça da Sé. Lá já é a porta de entrada do Pelourinho. Antes de bater perna pelo Pelô, entrei no elevador Lacerda (5 centavos) e fui conhecer a Cidade Baixa. Fiz uma compras no Mercado Modelo e depois peguei um barquinho até o Forte São Marcelo. Muito legal, a arquitetura é linda e a riqueza histórica muito grande. Fora que se tem uma vista muito boa da cidade e da Baía de Todos os Santos. Fiquei impressionado com a cor da água: visualmente parece ser muito limpa. Estou acostumado com a Baía de Guanabara e sua coloração verde cocô.

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Dei uma volta pelas ruas históricas do Pelourinho, vi algumas igrejas, outros monumentos mais famosos e voltei para o albergue no meio da tarde. Achei melhor não estender o passeio até mais tarde por achar perigoso ficar rondando por aí sozinho. Aliás, o assunto vale comentário também. Haviam me alertado tanto sobre a violência e ouvi tantas histórias aqui entre as pessoas, que resolvi ir “disfarçado” nesse meu tour. Coloquei o chinelão surrado, bermuda velha e comprei uma camisa do Bahia. O rubro-negro do Vitória não cairia bem em mim. Não levei a câmera, porque vi umas pessoas perdendo as suas nas praias e achei melhor não arriscar. Talvez eu tenha sido um pouco exagerado. Fiquei sem fotos do lugar. Mas valeu pela experiência pessoal. Algumas das fotos utilizadas nesse post são do site www.bahia.com.br

Não é que o disfarce deu certo? Além de eu não ter sido assaltado, nenhum dos vendedores de fitinha me abordou nos pontos turísticos (e olha que abordaram todos ao meu redor e quando me olhavam nem davam ideia) e o guia do Forte São Marcelo achou que eu era baiano. Carioca também tem as suas malandragens.

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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