[dropcap style=”style3″]T[/dropcap]erminei a minha viagem pelo lugar onde o Brasil começou. Na verdade, deixo a Bahia nesta sexta-feira, dia 30, mas a quinta-feira foi o último dia completo aqui. Nada melhor que mesclar um roteiro natural e histórico. Pela manhã, o tradicional banho de mar e sol na Praia da Pitinga. Pela tarde, um passeio pela Cidade Histórica em Porto Seguro.

Curti a praia com tranquilidade, renovei a negritude torrando no sol e fiz um lanche reforçado antes de partir para Porto Seguro. Lá pelas 15:00, peguei a balsa e fui andando pela orla da cidade, atravessando a Passarela do Álcool, até encontrar o lugar onde estão os principais marcos do descobrimento do Brasil pelos portugueses. Para chegar até a “Cidade Alta” é preciso subir uma escada relativamente extensa. Lá em cima, há umas três igrejas do século XVI, algumas cruzes, museus e o marco oficial do Descobrimento. Todos devidamente registrados pela minha capenga máquina fotográfica.

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Resolvi seguir andando até o museu onde fica uma réplica da caravela utilizada por Cabral. Cheguei poucos minutos antes do fechamento. Dei sorte de poder entrar e bater umas fotos legais também. Fui acompanhado por uma guia “animadíssima”, que me mostrou com muita “emoção” os detalhes históricos. A menina, com feições tipicamente baianas, mas com roupinha de índia, parecia um toca-fitas velho. Quando paguei o ingresso (R$6), ela apertou o play interno e começou a narrar roboticamente fatos históricos do Brasil. Estava óbvio que ela havia decorado tudo e repetia o discurso para todos de forma mecânica. Tive de fazer algumas piadas para ela sair do transe.

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Mas valeu muito o passeio, voltei para o centro de Porto Seguro caminhando pela orla, fiz compras por lá e na Passarela do Álcool, e lá pelas 20:00 da noite, voltei para o albergue. Tomei um susto, pois o meu quarto, antes vazio, estava invadido por ingleses, suíços e alemães. Até que nos entendemos bem em uma mistura de inglês, português e espanhol. Dei dicas sobre os passeios locais e alertei para terem atenção com a violência em Salvador, próximo destino deles. Enfim, uma boa ação para fechar bem o dia.

Percebi depois que havia confundido o horário do meu voo no dia seguinte. Sairia às 17:15 e não às 11:00. Melhor ainda, curto mais uma manhã de sol na praia. Já fui informado que no Rio está chovendo. Melhor me despedir do sol com estilo. Aliás, hoje a ficha de que a moleza está acabando começou a cair. Recebi aquele telefone agradável do trabalho. Do outro lado da linha, meu chefe com uma perguntinha bem simples: “que dia mesmo você volta ao batente?”. Estavam ansiosos por me incluir na escala de trabalho, já fazendo a cobertura de algumas partidas de futebol da semana seguinte. Traduzindo: vai começar a exploração. Ele tinha que estragar o dia. É ou não um indicativo de que o filme de terror vai recomeçar? Adore

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Fechei o dia com esse magnífico anoitecer em Porto Seguro. Nessa viagem experimentei coisas diferentes e novas. Surfei, fiz tirolesa, mergulhei em alto mar, fiz novas amizades, conheci paisagens muito especiais. Enfim, na terra do Descobrimento descobri esse espírito mochileiro. A Bahia foi o ponto de partida. Já estou pensando nas próximas férias. Sozinho ou acompanhado, tenho muito a conhecer.


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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