[dropcap style=”style3″]D[/dropcap]izem que alegria de pobre dura pouco. Na verdade, essa até que durou um bom tempo, mas infelizmente também acabou. Foram 22 dias de Bahia, uma terra linda, com diferentes tipos de paisagens, pessoas, lugares, climas e ambientes. Voltei apaixonado por esse Estado que, se não conheci em sua totalidade, pelo menos explorei suas principais belezas. Recomendo a todos que visitem e conheçam cada cantinho desse lugar muito especial.

Meu voo para o Rio de Janeiro sairia às 17:15 de Porto Seguro. Sobrava um bom tempo então para curtir o último dia de praia e de cidade. Levantei da cama já no limite do horário para tomar o café da manhã no albergue. Acho que era uma forma de tentar enganar o tempo e ficar mais na Bahia. Enrolei bastante, enchi a barriga de comida e conversei durante um bom tempo com uma das hóspedes, a Sílvia, sobre assuntos políticos e sociais. Muito gente boa e com uma ótima “cabeça”.

Curti duas horinhas básicas alternando entre torrar no sol e ficar boiando sem rumo na água. Que delícia, a praia de Pitinga vai deixar muitas saudades. Todo mundo sempre tem uma praia para chamar de sua. Já tenho a minha, com meu cantinho e vendedor de coco particular.

Saí do albergue às 15:00, fazendo o mesmo roteiro de sempre até chegar em Porto Seguro. Lá, fiquei na dúvida entre uma corrida de táxi até o aeroporto (R$ 20!?) e uma corrida de mototaxi (R$ 6). Para fechar a viagem com emoção e sem gastar muito, escolhi a segunda, é claro. E lá fui eu quicando na moto com a mochila nas costas e um saco cheio de bugigangas baianas no colo, com o mototaxista reclamando que estava sendo furado e espetado pela minha caravela miniatura.

Dessa vez a Webjet resolveu cumprir com o horário de voo, mas claro que ela não ia deixar de aprontar uma última coisa. Quando entrei no avião, havia um gordão sentado na minha poltrona. Achei melhor falar com a comissária antes de reclamar com o redondo, do tipo: “tia, ele sentou no meu lugar”. Mas o mais legal é que ele também estava certo. Venderam a mesma poltrona para mim e para ele. Que beleza! A solução encontrada foi me deixar na primeira fileira. A comissária, sempre sorrindo, perguntou se eu me incomodava. “Claro que sim”, respondi, “mas vou aceitar só porque tenho que viajar e voltar para casa”. Na verdade, o lugar era bem melhor que o outro, mas eu quis criar um clima tenso pela cagada da companhia aérea.

Pois é, desembarquei no Rio, a nossa Cidade Maravilhosa. Chovendo muito, ô tristeza. De volta ao lar, se bem que esse negócio de lar ficou cada vez mais relativo após essa viagem.

mochilão 384


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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