[dropcap style=”style3″]E[/dropcap]scolhi esta sexta-feira como ponto de partida oficial do próximo mochilão. A data: janeiro de 2010. Os lugares: Chile, Peru e Bolívia. Dia ideal em primeiro lugar porque abre a contagem regressiva para as férias – falta apenas um mês. Em segundo, porque agilizei dois detalhes importantes para esta viagem, o passaporte e a vacina contra a febre amarela. O terceiro ponto simbólico vem do trabalho, com a confirmação de mais um plantão dominical forçado, que só reacende e reforça a necessidade de viagem e descanso.

Vamos então filosofar um pouco. Toda viagem tem um motivo maior, que nem sempre é compartilhado com aqueles ao seu redor. Claro, viajar é ótimo pelos lugares que você conhecerá, pelas pessoas com quem se relacionará e pelas experiências que poderá contar quando retornar para casa. Mas por trás de tudo isto, há algo que te impeliu a tomar a decisão de se afastar temporariamente da rotina. Uma frustração amorosa, o estresse no trabalho, a pressão nos estudos, fugir de algum sentimento ou pessoa inconveniente? Ou algo mais positivo, como uma comemoração por alguma data ou ocasião especial. Pode ser algo simples também, como a necessidade de descanso depois de um ano de trabalho ou vontade de viver uma aventura pessoal. Cada um tem o seu motivo.

A viagem, quando planejada e vivenciada da forma intensa, tem esse poder de transmitir liberdade, desapego, sonho, diversão, leveza. Veja o caso dessa imagem principal, de autoria de Jorge Alfar, excelente fotógrafo português. A inércia na vida, a falta de ambições, a entrega diante da rotina, a desistência na luta contra as dificuldades: todas essas coisas arrastam as pessoas para uma existência vegetativa. Um senhor se deixa levar pela escada rolante, adormecido, para um destino misterioso. Apenas um pouco de luz paira sobre sua cabeça, o último talvez, já que o final da escada é escuro. Se você está em situação parecida, é hora de acordar.

Há várias formas de esquecer ou mudar aquilo que vem trazendo tristeza ou conformismo. Família, religião, amigos, hobbies, paixões, são alguns meios. Viajar é a minha sugestão de complemento para tudo isso. No curto período em que há esse afastamento do cotidiano estressante, experiências intensas são vividas. E o melhor: não importa o quão velho você esteja, as memórias de cada aventura podem ser continuamente revisitadas e revividas. E servem de ânimo e incentivo para as próximas. Achou tudo isso melancólico demais? Que nada. O momento é de entrar no clima do mochilão e esquecer os problemas. Afinal, planejar é uma das melhores partes.

Duas opções: ficar deitado ou arrumar as malas e viajar?