[dropcap style=”style3″]A[/dropcap] virada do ano de 2009 para o de 2010 foi sem dúvida alguma um dos momentos mais interessantes da minha vida. Além dos festejos tradicionais com a família e os amigos, o Réveillon marcava o início do meu primeiro mochilão pela América do Sul, a primeira vez que eu de fato viajava para um outro país. Ok, havia ido antes para Ciudad del Leste, no Paraguai, com o objetivo clássico de fazer compras, mas sinceramente nunca considerei isso uma viagem de verdade. Não tinha avançado muito além da fronteira. Dessa vez, a expectativa era muito alta. Eu já tinha experimentado o gostinho de viajar sozinho durante mais de 20 dias pela Bahia no ano anterior (2009) e lá despertado o espírito mochileiro. Percorrer Chile, Peru e Bolívia ao lado de desconhecidos era mais um dos grandes passos na minha evolução como viajante.

Como em qualquer desses momentos de novidade, muitos amigos e familiares não entendiam muito bem aquela ideia, ainda mais pelo fato de que a aventura começaria na madrugada do dia 1º do novo ano. Mas aquele sentimento aventureiro me motivou mais uma vez a seguir em frente. Às 3:00 da manhã, meu voo saiu em direção a São Paulo, onde esperei por horas até pegar um novo voo para Santiago do Chile. Ainda no aeroporto de Guarulhos conheci os primeiros integrantes do nosso grupo mochileiro: Vanessa e Rafael Ratto. Pessoas com quem até então só mantinha contato através de internet e telefone. Por meio do site Mochileiro.com, conheci outros viajantes interessados em fazer o mesmo roteiro de viagem. Após um ano de frequentes contatos, estariam todos juntos em solo chileno, boliviano e peruano. Algo que parecia meio louco a princípio, mas que depois se mostraria extremamente interessante e divertido.

Chegamos na capital do Chile no meio da tarde, onde nos encontramos com o Eduardo Cannas, companheiro vindo diretamente de Porto Alegre. Do aeroporto de Santiago até a parte central, onde nos hospedaríamos, resolvemos tomar um ônibus, o meio mais econômico. As linhas da Tur-Bus ou da Centropuerto fazem o trajeto, com tarifa entre 1.400 e 1.700 pesos (4 e 6 reais, aproximadamente). Quem quiser mais conforto e estiver disposto a pagar por isso, pode optar pelo táxi, que faz o percurso por aproximadamente 50 reais. Uma opção intermediária é o “transfer” através de vans da Transvip que cobram 5.500 pesos (R$ 18).

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As fotos acima são dos únicos passeios que conseguimos fazer nesse primeiro dia, já que o cansaço da viagem pesou bastante. Principalmente no meu caso, que não havia dormido um minuto sequer. Fizemos uma primeira parada no Palacio La Moneda, sede do governo presidencial chileno, que até então era comandado pela Michelle Bachelet. Mas as ruas estavam lotadas de cartazes do atual período eleitoral, em que os candidatos Sebastián Piñera e Eduardo Frei disputavam quem seria o novo presidente do país. La Moneda, além de ser um prédio bonito e muito bem conservado, tem um valor histórico tremendo. O fato mais marcante aconteceu em 11 de setembro de 1973, quando forças golpistas comandadas por Pinochet bombardearam o local e iniciaram o período de ditadura militar, após o suicídio do então presidente Salvador Allende. A estátua deste último personagem, de posições socialistas, está estrategicamente localizada ao lado do prédio e eu fiz questão de tirar a foto acima ao lado dela, pois é assumida a minha repulsa pelos governos militares na América do Sul.

A poucos metros dali, em uma caminhada tranquila, está a principal praça de Santiago, onde ficamos estrategicamente hospedados: a Plaza de Armas. Trata-se do coração da parte histórica da cidade. Além da interessante escultura com um cara segurando uma cabeça gigante, que você vê na foto acima, há importantes prédios como a Catedral Metropolitana e o Museu Histórico Nacional. O lugar é sempre movimentado e bem oportuno para observar um pouco do estilo de vida chileno. Há sempre manifestações artísticas e musicais na praça, além de ambulantes vendendo diferentes tipos de artesanatos e produtos.

Nossa casa em Santiago desde este primeiro dia foi o “Plaza de Armas Hostel”. Pontos positivos pela excelente localização, pelo clima animado do lugar e pelo bom atendimento na recepção. Pontos negativos para a estrutura do quarto coletivo, bem bagunçado, além dos banheiros externos que também eram bem fraquinhos. Terminado esse primeiro dia mais curto no Chile, nos preparamos para os passeios que nos aguardavam no dia seguinte. A aventura estava apenas começando.


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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