[dropcap style=”style3″]O[/dropcap]produto chileno que talvez faça mais sucesso no Brasil é o vinho. A boa qualidade e o preço em conta fazem com que ele seja bem vendido em nossos supermercados e lojas especializadas. Uma vez em Santiago, não poderia deixar passar a oportunidade de conhecer a vinícola mais famosa: Concha Y Toro. Além das garrafas que levam o próprio nome do lugar, também há a outra badalada marca Casillero del Diablo, envolta em lendas e estratégias de marketing. A vinícola fica localizada na pequena cidade de Pirque, no Valle del Maipo, região mais afastada do centro de Santiago (1h a 1h30min de distância), que conta com clima e solo favoráveis ao cultivo das uvas.

O dia era 2 de janeiro, segundo do mochilão 2010. Do lugar onde estávamos hospedados (Plaza de Armas), tomamos o metrô (Linha 5 – verde) e seguimos até o fim, na estação Vicente Valdés. Neste mesmo ponto fizemos a conexão com a Linha 4 (azul) e baixamos na penúltima estação, Las Mercedes. O trajeto todo leva pouco mais de uma hora e passagem não sai por mais de 660 pesos chilenos (R$ 2,40). O valor exato depende do horário em que você embarca no metrô (veja na tabela abaixo). Quando descemos do metrô tomamos um ônibus por 450 pesos (R$ 1,60) que nos deixou na porta da Concha Y Toro em uns 10 minutos. Os números de ônibus que passam por lá são 71, 73, 83 e 84. Tem quem opte pelo táxi para fazer esse último trajeto ou ainda quem contrate um passeio completo, com transporte e entrada, saindo do próprio hotel. A maneira mais econômica e mais recomendada é sem dúvida ir por conta própria. Não dói nada, a pessoa aprende a andar de metrô e o bolso agradece. Para quem não vem da Plaza de Armas como o nosso grupo mochileiro, basta seguir a lógica de conexões do metrô até a Linha 4 (azul) e baixar no mesmo ponto, Las Mercedes.

cats

A vinícola fica aberta para visitação todos os dias, das 10h às 17h. Os guias costumam falar em espanhol e inglês, bom para já ir treinando o ouvido em espanhol. Havia duas opções quando chegamos lá: o tour tradicional, que custava 8.000 pesos (R$ 28), e o tour Marqués, que custava 17.000 pesos (R$ 60). A diferença entre eles é que o mais caro inclui degustação de vinhos com um especialista e uma mesa com queijos. Optamos pelo mais barato, sem tanta frescura. Que em si é bem satisfatório, já que andamos por toda a parte externa do terreno, pelos jardins, pela casa de verão da família responsável pelo lugar, pelos lugares de cultivo das uvas e pelas bodegas. Ainda degustamos alguns vinhos e ganhamos uma taça com a logomarca da vinícola. Difícil seria conservar intacta essa taça durante os mais de 20 dias de viagem que ainda viriam pela frente. Pelo menos, ela se tornaria um dos “personagens” cômicos do nosso mochilão, como será narrado nos posts seguintes. Resumindo, vale dizer que o passeio pela Concha Y Toro é bem legal e altamente recomendado. Um dos momentos mais interessantes é a explicação do porquê do nome do vinho Casillero del Diablo. O dono do local, preocupado com os constantes roubos em sua propriedade, espalhou o boato nas redondezas de que o diabo se escondia por ali, em suas terras, perto dos barris de vinho. Há até um canto, separado por grades, onde projetam uma sombra em formato de diabo rodeado por uma luz vermelha, que serve para manter o marketing do local.

 

Logo após o passeio, seguimos para o cerro San Cristóbal, que oferece a melhor vista panorâmica de Santiago. Para chegar lá de metrô, basta descer na estação Baquedano (ponto de combinação entre a Linha Vermelha e a Verde). A maneira mais comum de subir o morro é de funicular, que sai por 1.800 pesos (R$ 6), ida e volta. O serviço funciona de terça a domingo das 10h às 20h, e na segunda das 13h às 20h. Mas por algum problema em seu funcionamento, demos azar de encontrá-lo temporariamente fechado. E como a previsão para ele voltar a funcionar era incerta, arriscamos a subida e descida a pé mesmo. Caminhando tranquilamente, curtindo bem o visual, chegamos ao topo e tiramos ótimas fotos em um fim de tarde ensolarado na capital chilena. Acabou valendo a pena, saiu de graça e ninguém morreu por isso (apesar de um amigo nosso, pinguço e sedentário, quase ter matado os demais pelo passeio forçado e exaustivo pra ele).

SAM_0288  SAM_0293  SAM_0303  SAM_0313  SAM_0322

Ao fim da caminhada, com o sol já se escondendo no horizonte, fechamos nossa noite com um passeio pelo bairro que está logo aos pés do cerro San Cristóbal e às margens do rio Mapocho, o Bella Vista. É tradicionalmente uma região repleta de restaurantes, bares, lojas, galerias comerciais e até algumas danceterias. Bem movimentado, com diversas opções, é um lugar bem atrativo. Mas estranhamos muito o fato de praticamente todos os estabelecimentos fecharem por volta de meia-noite. No lugar onde fizemos um lanche, fomos praticamente constrangidos a fechar a conta perto desse horário. Não sei se isso é algo comum no Chile, as coisas pararem de funcionar tão cedo, ainda mais em uma sexta-feira. Se você teve alguma experiência parecida, use os comentários abaixo e compartilhe.

Como precisávamos acordar cedo no dia seguinte para conhecer Viña del Mar e Valparaíso, aproveitamos para voltar ao hostel e descansarmos.


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

Posts do autor
Posts relacionados