[dropcap style=”style3″]N[/dropcap]o último dia de passeios por São Paulo, resolvemos priorizar passeios ligados ao universo do futebol. Assim como os cariocas, os paulistas também são loucos pelo esporte e, não à toa, existe essa grande rivalidade entre torcedores de Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Palmeiras, Santos, Corinthians e São Paulo. Depois de visitar a Vila Belmiro, em Santos, reservamos a manhã do nosso domingão para conhecer a casa do Tricolor Paulista. O estádio fica localizado no Morumbi, bairro nobre onde uma população com renda mais privilegiada vive. Vale a pena não só visitar o estádio Cícero Pompeu de Toledo (nome oficial), como também o bairro ao redor, observando o estilo de vida local e as casas mais pomposas.

A fachada do estádio não é assim das mais bonitas, mas o interior é muito bem organizado e novo, com destaque para a loja oficial do São Paulo FC, de onde se tem uma visão boa das arquibancadas e do gramado. Não fizemos nenhum tipo de visitação guiada, apenas andamos pelos corredores principais, pela loja e pela sacada que dá de frente para o gramado. Mas quem quiser conhecer o estádio, pode optar pelo serviço guiado e percorrer outras instalações, como tribuna de honra, sala de imprensa e vestiários. O lado negativo é o valor do passeio, bem salgado: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), com duração de 90 minutos. 
Os horários de início do tour são 10h, 12h, 14h e 15h30min de terça a sábado. Aos domingos, há duas saídas às 11h30min e 13h30min, mas em dias de jogos o tour não é realizado.

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Depois de conhecer a casa são-paulina, almoçamos em um restaurante com rodízio de comida japonesa. Experimentei praticamente todos os pratos e molhos, mas descobri não ser fã da maioria deles. Definitivamente esse negócio de comida crua não é pra mim. Tanto é que eu e outro amigo ficamos apenas comendo um pastel de queijo e salmão grelhado depois de um tempo. Mas foi um início de tarde interessante, revendo amigos e conhecendo novas pessoas.

Logo em seguida, nos dirigimos até o Pacaembu, local onde o Corinthians realiza suas partidas de futebol. O nome oficial do estádio é Paulo Machado de Carvalho e está localizado em uma região central da cidade. Ele na prática pertence à Prefeitura, mas é alugado com maior frequência pela administração corintiana. Ao contrário do Morumbi, se o interior não é assim tão interessante, a fachada é uma das que considero mais bonitas. Muito interessante é o Museu do Futebol, que está dentro do estádio e funciona de terça a domingo, das 9h às 17h, e também nos feriados. O ingresso inteiro custa R$ 6. Há exposições permanentes e outras temporárias, que incluem fotos, vídeos, textos explicativos e outros objetos desse universo futebolístico.

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Próximo ao Parque Ibirapuera, estão dois monumentos importantes na cidade: o Obelisco e um monumento aos bandeirantes, este último mais interessante pelo valor histórico. Fica localizado bem perto da entrada para o parque, na região centro-sul da cidade. Ele homenageia determinados personagens que no passado cruzavam áreas de difícil acesso no interior do país com motivações variadas. Algumas bem polêmicas e nada gloriosas. O objetivo principal na maior parte dos casos era para buscar riquezas minerais, mas muitas das “bandeiras” também visavam destruir núcleos de resistência de escravos e aprisionar indígenas.

O Parque Ibirapuera oferece uma área muito grande para a prática de esportes, para caminhadas mais tranquilas e atrações diferenciadas como Planetário, Museu de Arte Moderna e pavilhões para grandes eventos. O lugar costuma ficar lotado nos fins de semana. O público principal é de adolescentes e jovens. Aliás, em determinados pontos, há uma concentração impressionante de “Emos”, “roqueiros” e outras tribos exóticas. Mais um ingrediente para tornar a visita interessante. Desta forma fechamos nosso roteiro de passeios pela cidade de São Paulo, acompanhados de uma chuva fininha, nada mais característico para a “terra da garoa”.

Como carioca, fui obrigado a admitir, principalmente para a minha amiga anfitriã paulista, que a cidade tem sim muitas qualidades e vale a pena conhecê-la. E não é que com o tempo você até acaba se acostumando com o idioma que é falado pelos nativos locais? Tongue Out 


5/4 – Manhã de moleza em São Paulo, noite de dor de cabeça no Rio

Na segunda-feira, enquanto minha anfitriã trabalhava e os outros dois amigos voltaram para casa, passei o dia inteiro descansando, dormindo e assistindo a uma maratona de filmes. Daqueles dias para não se fazer nada além de relaxar e deixar o tempo passar. À noite segui para o aeroporto de Congonhas, onde peguei o ônibus que faz a ligação com o aeroporto de Guarulhos. De lá voltei de avião para o Rio. Fui surpreendido por uma tempestade na capital carioca, que depois seria confirmada como uma das piores da história. Fiquei preso no aeroporto do Galeão por quase três horas, sem conseguir transporte para casa. Os ônibus estavam parados em engarrafamentos fora da Ilha do Governador e os taxistas que circulavam pelo Galeão não aceitavam corridas para dentro do bairro, só para fora. Não bastasse o comportamento ridículo, ainda cobravam valores exorbitantes para levar outras pessoas para bairros mais distantes, o que é crime. Enfim, revoltas à parte, consegui uma carona em um ônibus de passageiros de uma companhia aérea. Fiquei em um ponto fora do aeroporto e foi lá que consegui enfim um táxi para casa. Fortes emoções…

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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