[dropcap style=”style3″]F[/dropcap]oi, digamos, um dia mais curto que o anterior. Eu tinha planos de ir para Búzios e dormir por lá, mas a noite anterior havia sido tão cansativa que achei melhor ficar vegetando no albergue e nas praias de Arraial mesmo. Levantei da cama lá pelas 10h, ainda consegui pegar o café da manhã, muito bom por sinal, com uma variedade legal de opções. Logo em seguida fui conhecer a Praia Grande, com uma coloração de águas muito bonita também, um pouco mais badalada que as outras da região e famosa pelo seu pôr-do-sol. Ela fica exatamente no lado oposto da Praia dos Anjos. O ponto alto foi o fato de ela estar bem vazia e ter uma extensão muito grande. Caminhando mais para longe da concentração inicial de pessoas, era possível ficar completamente isolado. No ponto que escolhi para largar minhas coisas, era possível olhar para esquerda e direita e não avistar ninguém a pelo menos a uns 50 metros de distância.

 

Esqueci de mencionar que no caminho para a praia encontrei o italiano saindo de um mercado. O Elizeo iria preparar uma famosa macarronada da sua terra e me convidou mais uma vez para o almoço. Falei até que iria, mas acabei optando por comer fora nesse dia. Estava com vontade de comer camarão, me entupir de massa não estava nos planos. Depois de horas torrando no sol, andei bastante pelo centro à procura de um lugar bom e barato para comer e foi difícil achar. Quando era muito barato, o lugar não inspirava confiança. Quando tinha boa aparência, os preços não ajudavam. Acabei achando um self-service meia-boca que quebrou um galho, apesar do camarão ter decepcionado.

O período da tarde foi separado para um merecido descanso. É bom mesclar os passeios com um tempo para ficar sem fazer nada. Ajudou muito o fato da estrutura do albergue ser legal. Deitei em uma das redes de lá e apaguei. Acordei só de noite. Fiquei assistindo filmes na TV por assinatura e conversando com a recepcionista do hostel, que agora eu esqueci o nome. Acho que era Carol, ou algo parecido. A monotonia foi quebrada pela chegada de mais três hóspedes. Um casal de argentinos e um indiano. Esse último mais tranquilão que o italiano, falava espanhol, mas ao menos se esforçava em falar algumas palavras de português. Além de fazer aquela média de que adorava o café e o mamão do Brasil.

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A parte mais engraçada ficou por conta do fechamento da noite. Lá pelas 21h, uma vizinha do hostel chegou dizendo que a casa dela foi invadida por um ladrão, que conseguiu escapar. Mas, segundo ela, o cara havia passado pelo telhado do hostel e poderia ainda estar lá dentro. As funcionárias do albergue ficaram em pânico e ligaram para a polícia, que demorou mais de uma hora para aparecer. E ninguém queria se arriscar de ir para os fundos, com receio de que tivesse algum bandido por lá. O italiano e o indiano, que estavam no quarto, saíram e ficaram parados na recepção também, esperando. O italiano ainda tentou dar uma de machão e pegou uma coleção de facas na mochila. Mal davam para passar manteiga em um pão. Não cortavam nada. A polícia chegou, revistou o local, viu que não tinha ninguém e se mandou com cara de quem não gostou de estar lá. De filme de suspense, passou para uma comédia. Todo mundo foi dormir depois dessa.

O meu feriadão chegou ao fim no dia seguinte e logo cedo peguei o ônibus para o Rio. Na verdade cheguei em cima da hora no local de saída no escritório da 1001 e tive que pedir para o motorista esperar enquanto eu comprava a passagem.

Era dia das mães e precisava estar em casa por volta do 12h para o almoço do domingão. Uma feijoada sensacional me esperava. Vale aqui a crítica mais uma crítica da região onde fica a rodoviária Novo Rio. O ponto de ônibus regulares é feio e sujo demais. Bela impressão para quem chega na cidade via terrestre. Este ponto fica logo no lado direito de quem sai da rodoviária pela parte principal. Há uma passarela amarela suja que dá acesso ao ponto de ônibus. Não costuma ser perigosa durante o dia, porque tem muita gente lá. Mas para quem chega à noite, aconselho a buscar alternativas como um táxi.

Uma coisa bizarra aconteceu comigo quando entrei no ônibus 322 para a Ilha. Passei pela roleta e percebi que tinha ficado preso, ela não estava girando direito. Forcei mais duas vezes e ajeitei a mochila porque podia ser o motivo do entalamento. Mas descobri que não era isso com os gritos desesperados de uma mulher. A filha dela havia colocado a cabeça no espaço entre a roleta e uma das barras de ferro fixas. A roleta estava esmagando a cabeça da menina. Eu, o motorista e um outro cara que estava entrando no ônibus começamos a puxar a roleta para o lado contrário até conseguir entortá-la e puxar a menina de lá. Sinistro. Não sei o que era pior: achar que eu podia ser responsável pela morte de uma menina, a mãe que ficava correndo de um lado para o outro do corredor que nem uma louca ou o pai que ficava imóvel, sem reação alguma.

Final feliz, criança viva, eu cheguei em casa e almocei bem com minha mãe e irmão.

CONSIDERAÇÕES SOBRE ARRAIAL DO CABO

Para quem vem ao Rio, vale muito a pena dar uma esticada na região. Três horas é tranquilo para encarar o ônibus. Dá para passar um fim de semana e curtir as principais praias. Em Arraial, toda a área urbana é possível fazer caminhando. As águas das praias têm uma coloração absurdamente clara e a areia é branquinha. O hostel “oficial” é muito legal e vale a estadia. O preço do ônibus é bem salgado para a duração do trajeto, mas as paisagens compensam o sacrifício. Arraial é ideal para mergulho, banho de sol, banho de mar, passeios de barco e para ficar horas sem fazer nada, curtindo o ócio. Quem ainda não conhece, tá perdendo!