[dropcap style=”style3″]C[/dropcap]omo de costume, o início da viagem foi uma maratona. Na noite anterior, trabalhei em ritmo bem cansativo, com rodada do Brasileirão a todo vapor e os estresses já normais dos jogos de quinta-feira. Só consegui sair da empresa às 2:00, chegando em casa às 3:00. Como teria de aparecer no aeroporto às 5:40, nem arrisquei dormir. Preferi ficar vendo filme na TV por assinatura para passar o tempo. No horário certo, às 6:30, o avião partiu com pouquíssimos passageiros para Belo Horizonte.

O voo do Rio até BH dura uns 40 minutos. Logo que cheguei, corri para pegar o ônibus da UNIR que faz a conexão com a rodoviária da capital. Vale lembrar que o principal aeroporto do Estado segue a lógica de São Paulo: fica bem afastado da região central, na verdade em um município vizinho (Guarulhos, no caso paulista, Confins, no caso mineiro). A viagem de ônibus até a rodoviária leva aproximadamente 1h. Achei o aeroporto pequeno se comparado aos do Rio e São Paulo. Mas o trânsito na região metropolitana não pareceu tão caótico como os das outras duas capitais.

Na rodoviária encontrei com os amigos Vanessa e Anderson, fizemos um lanche e corremos até o guichê da viação Pássaro Verde, que faz a viagem até Ouro Preto. As saídas são de hora em hora, perdemos o ônibus das 9h e tivemos de sair um pouco mais tarde, somente às 10h. Os ônibus da empresa são bons e limpos. Nada a reclamar. O perrengue veio com o banheiro. O caminho é sinuoso, com muitas curvas, o que dificulta qualquer coisa que você vá fazer na cabine. É um tal de bate cabeça no teto, costas na parede, canelada no lixo. Tira qualquer um do sério. Quem precisa de concentração, melhor se prevenir.

Chegamos em Ouro Preto ao meio-dia. Como já escrito anteriormente há dois hostels da HI na cidade. Um é bem perto da rodoviária. O outro fica a uns 30 minutos caminhando, perto da mina do Chico Rei. Acontece que esses 30 minutos se tornam mais puxados por causa das muitas ladeiras e pelo peso da mochila nas costas. Valeria mais ter ido de táxi, que faz o trajeto por aproximadamente 12 reais.

Mas a verdade é que não recomendo o HI Ouro Preto. Se o viajante optar por albergue, fique no Brumas Hostel ou procure uma outra opção. Explico o porquê: o atendimento no HI Ouro Preto foi muito ruim. Fomos recebidos pelo dono ou gerente do local, que demonstrou total desorganização com as reservas. Segundo o próprio, o quarto que reservamos estava trancado por hóspedes que saíram cedo para passear pela cidade, não respeitaram o horário do check-out e levaram as chaves. Acontece que não havia chave reserva do quarto para tirar as coisas deles de lá. Precisávamos do banho e deitar um pouco, estávamos no nosso horário correto de check-in. O senhor em questão nos fez pular de quarto em quarto, até chegarmos em um que obviamente não era da mesma qualidade do que tínhamos reservado. O tratamento foi feito com grosseria, como se o cara estivesse nos fazendo um favor, quando ele era o responsável por toda a cagada. A sorte dele é que a cidade estava cheia e as hospedagem lotadas. Mudar para outro hostel ou hotel não era uma opção. Ou seja, quem estive pensando em ficar no HI Ouro Preto, desista.

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Resolvemos abstrair essa dor de cabeça para não estragar o dia. Batemos perna por toda a cidade, tirando fotos das principais igrejas e ruas, e aproveitamos a gastronomia sensacional que Minas oferece. Os preços estavam muito em conta. Ouro Preto pode ser bem conhecida em um dia cheio, principalmente se a intenção for apenas bater perna e fotos. Há muitas igrejas e museus, mas a verdade é que ninguém vai entrar em todos. Vale priorizar alguns: a igreja de São Francisco e o Museu da Inconfidência, por exemplo. A primeira das opções é considerada uma das obras-primas do barroco brasileiro, além de ser uma das maiores realizações de Aleijadinho. A segunda opção era a Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica, e hoje abriga um museu dedicado à memória da Inconfidência Mineira (1789), um dos principais movimentos pela Independência do Brasil. Um espaço especial abriga os restos mortais dos inconfidentes. Os dois lugares estão em destaque nas fotos acima, assim como a feira de artesanatos que fica em frente à igreja de São Francisco e uma padaria nota 10 que aparecem nas fotos abaixo. Tanto BH quanto Ouro Preto tem atrativos turísticos. Mas o melhor de Minas é curtir o ambiente tranquilo e acolhedor, que possui um estilo e identidade própria.

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A noite em Ouro Preto merece capítulo especial. Andamos muito desde 13:00 por toda a cidade. Lá pelas 20:00, resolvemos comer em um lugar agradável perto da praça Tiradentes. Já achamos estranho o fato das pessoas estarem bem arrumadas e com roupas de frio. Nós estávamos há sete horas subindo e descendo ladeira, com roupas leves e simples. Depois de comer, fomos até o cinema ver se havia alguma boa opção no horário. Uma fila gigante de adolescentes e crianças esperavam para ver Eclipse, o filminho de vampiros purpurinados.

O Festival de Inverno é uma atração à parte nesse período de férias escolares. Ouro Preto e Mariana são invadidas por pessoas da capital e de outros Estados. São várias as atrações culturais. Demos sorte de chegar lá neste período, a cidade estava bem movimentada. Duas atrações nos chamaram a atenção. A primeira foi um show com um cantor exótico: Warley Henrique. Em frente ao palco um espaço imenso e… vazio. Poucos estavam se arriscando a prestigiar o cara. Por isso mesmo, atrasaram o horário de início do show. Cansados de esperar optamos pela outra atração, bem próxima dali: um evento de Blues. Achamos que seria algo informal, em local aberto. Erro gravíssimo. Segundo definiu o Anderson: “a melhor baladada de todos os tempos”. Como não sou especialista nisso, acreditei no ponto de vista dele. Fato é que haviam vários ingredientes especiais lá dentro: entrada e alimentação muito barata; lugar muito agradável; 80% de mulheres e 20% de homens, sendo 10% desses gays; dessas mulheres, coloca 70% aí com grande potencial. A grande questão era: estávamos bem abaixo do padrão, com roupas simples e aquele “brilho no rosto” de quem andou durante toda a tarde. Fizemos nosso lanche e saímos mais cedo por constrangimento (rs). O episódio (aqui resumido e sem outras informações sigilosas) rendeu muitas piadas antes de dormir.