[dropcap style=”style3″]U[/dropcap]ma coisa que você aprende quando começa a viajar dentro de roteiros apertados e na companhia de outras pessoas é que os horários sempre fogem ao planejamento inicial. Apostei que não conseguiríamos acordar cedo e ir para BH, então deixei a programação do dia mais folgada. A previsão se confirmou. O sono estava tão pesado que só conseguimos sair de Ouro Preto ao meio-dia. Valeu pelo café da manhã caprichado em uma padaria da cidade, com direito a vários tipos de bolos, pães, croissants e biscoitos. Os mineiros sabem mesmo como comer bem.

A viagem foi muito tranquila e chegamos em BH às 14:00. Da rodoviária, corremos atrás de um ônibus que passasse no bairro da Pampulha. Pelo que eu pude perceber, o sistema de transporte urbano é meio complicado na cidade. Existe uma orientação pela cor do ônibus para você saber o itinerário. Vermelhos passam em tal lugar, amarelos em outro. Mas nem todos os vermelhos passam no mesmo lugar, aí é preciso levar em consideração o número também. Não achei muito prático.

Lá pelas 15:00, chegamos na Pampulha e nos encontramos com o Euno, tio do Anderson, que nos hospedou em sua casa no sábado e domingo. “Gente boa”, cheio de histórias como todo mineiro. Na verdade ele é pernambucano de nascença, mas como mora há muitos anos em Minas já se adaptou ao estilo de ser. Tão logo largamos nossas mochilas na casa e descansamos alguns minutos, iniciamos nossa caminhada pelo Complexo da Pampulha, um dos principais cartões postais da cidade. O local foi considerado uma arrojada realização do então prefeito Juscelino Kubitschek em maio de 1943. Muitos consideram uma espécie de “ensaio” para a construção de Brasília, o que para mim pode soar pejorativo, pois diminui o valor do lugar.

Além dos projetos arquitetônicos de Oscar Niemeyer, estão presentes o trabalho paisagístico de Burle Marx e as obras artísticas de Cândido Portinari. O complexo é formado pela Lagoa da Pampulha, a Casa do Baile, o Iate Clube, o Museu de Arte, o Zoológico, o centro Hípico, o parque de diversões Guanabara, os estádios Mineirinho e Mineirão, e a Igreja de São Francisco de Assis.

SAM_4773

SAM_4801

A igreja de São Francisco de Assis tem um estilo bem diferente e bonito. Vale mesmo a visita. A primeira foto do post mostra uma visão mais afastada dela. A caminhada ao redor da Lagoa da Pampulha no final de uma tarde ensolarada vale muito a pena. O calçadão em si é um pouco apertado, mas mesmo assim o número de pessoas andando, correndo ou pedalando é considerável. A vista para o estádio Mineirinho e Mineirão também é muito boa.

SAM_4872

Quando o sol se pôs, corremos atrás do nosso almoço. Pois é, tentar almoçar às 18:00 não é uma tarefa muito fácil. Demos uma volta considerável pela região em busca de boas opções. Encontramos um lugar em frente à Lagoa, na altura da Casa do Baile. O restaurante/bar chama-se Redondo e oferece a típica comida mineira. Caprichamos no pedido: lombo com tutu e lombo com feijão tropeiro. O Anderson deu uma de “valentão” antes do pedido, achou que seria pouco para os quatro. No fim, acabou sobrando comida. E olha que todos estavam famintos, comendo cada um de dois a três pratos cheios. Ponto alto para a qualidade da comida e mais ainda para o atendimento. Como o lugar estava vazio, quatro garçons nos serviam simultaneamente, esbanjando simpatia. Anotem a dica. A comida em excesso foi devidamente embrulhada para viagem, se transformando no famoso mexidão da madrugada do Euno.

A noite foi curtida entre cochilos e momentos de muita preguiça. Mas decidimos por conhecer o bairro da Savassi, lugar onde a noite do mineiro de BH costuma ser mais agitada. Mas a verdade é que encontramos poucas opções no local. Ao contrário do que acontece na Lapa ou na Vila Madalena, por exemplo, os ‘pontos de interesse’ são mais espalhados um do outro. Conta muito, claro, o fato de que, por conta do Festival de Inverno em Ouro Preto e Mariana e das férias escolares, a cidade estava bem esvaziada. Ficamos em um local com música ao vivo, com uma dupla de cantores desafinados tanto no vocal quanto nos instrumentos. Mas valeu para não deixar a noite passar em branco.


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

Posts do autor