[dropcap style=”style3″]M[/dropcap]ais um dia em que o despertador não surtiu muito efeito. Acordamos lá pelas 10:30 e fomos sair de casa mesmo às 11:30. O roteiro do dia incluiu o Mercado Municipal, a região central de BH, a famosa feira dominical da avenida Afonso Pena, a Praça da Liberdade e o bairro das Mangabeiras. Além de uma frustrada tentativa de chegar na praça do Papa.

Aqui no Rio infelizmente não temos um Mercado Municipal, que é muito comum em outras capitais do Brasil e em outros países da América do Sul. Então a minha referência de comparação é o de São Paulo. O de BH é bem pequeno e apertado comparado ao dos paulistanos. O que me decepcionou foi a estrutura em si, mais a qualidade das lojinhas e produtos é boa. Muitas opções gastronômicas e artesanais. É bom sempre estar atento ao horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 7h às 18h; domingos e feriados, das 7h às 13h.

Todas as atrações centrais de BH podem ser conhecidas a pé mesmo. A região das Mangabeiras que é mais afastada e é mais aconselhável chegar lá de ônibus ou táxi. Do Mercado Municipal fomos até a feira da Afonso Pena, uma das principais avenidas da cidade. As barracas ocupam boa parte da pista e a variedade de produtos é boa. Muitas pessoas prestigiam o local normalmente. Mesmo para os que não irão gastar nada, como foi o nosso caso, a caminhada vale a pena.

A próxima caminhada foi até a Praça da Liberdade, local que abrigava antigamente a sede do poder mineiro. O Palácio do Governo e as primeiras secretarias ficavam ao redor da praça. Agora as instalações estão sendo usadas como espaços culturais. Os jardins e as fontes de água são bem bonitas e foram inspiradas no Palácio de Versalhes, em Paris. É um lugar bem tranquilo, bom para caminhar ou simplesmente ficar parado, sentado em um dos banquinhos curtindo o sossego.

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Depois de tirar as fotos na praça e relaxar por poucos minutos, resolvemos ir até o bairro das Mangabeiras, onde fica o famoso mirante, a rua do Amendoim e a Praça do Papa. O mirante é que oferece uma das melhores visões da cidade. A rua é conhecida pelo folclore local pelos seus “poderes místicos”: na verdade trata-se de um curioso fenômeno ótico em que os carros sobem a uma suave ladeira, ao invés de descerem, quando são desligados. A graça, obviamente, é para quem vai de carro, o que não era o nosso caso. Pedir ao motorista do ônibus para fazer a experiência não seria algo muito apropriado. A Praça do Papa é um outro mirante tradicional de BH, que conta com um monumento de cruzes em homenagem ao líder católico. João Paulo II esteve no local em 1980, quando visitou a capital mineira.

Depois dessa breve explicação teórica, vem a prática. Não tente chegar lá sem carro ou táxi. Andando é muito longe e de ônibus é maior roubada. O ponto mais próximo de desembarque é, na verdade, bem distante da praça. Seguimos os conselhos de uma mineirinha meio enrolada ainda na Praça da Liberdade e pegamos um ônibus que nos deixaria “muito perto” do destino desejado. Pura ilusão. Descemos do ônibus e andamos, andamos, andamos e nada de chegar na praça. Os relógios já marcando mais de 14:00, estômagos roncando e nenhum sinal da bendita Praça do Papa. A fome era tanta que desistimos de continuar a jornada. Nos rendemos e resolvemos procurar algum lugar para comer. Como as opções estavam se mostrando bem caras, arriscamos comer em uma mistura de boteco com restaurante.

Na volta para casa, pegamos engarramentos nas principais avenidas. Segundo o taxista, o motivo era a grande concentração de cruzeirenses nas ruas. Torcedor do Atlético, o que o velhinho metido a engraçadinho estava querendo dizer é que estava acontecendo naquele exato momento a Parada Gay de BH.

Conseguimos fugir da muvuca na região central e enfim chegar na nossa base na Pampulha. Anderson e Vanessa apagaram de sono, enquanto fiquei conversando com o Euno durante umas duas horas. Bons assuntos, conselhos valiosos e experiência de vida que merece ser considerada. Nesse ponto, vale a minha reflexão, sem querer ser piegas. Muito mais do que as belas fotos que tiramos ou os lugares que visitamos, é importante sair das viagens e mochilões com experiências e aprendizados. É sempre uma ótima oportunidade de conhecer novas culturas e pessoas, de estabelecer trocas. Saí satisfeito desse curto passeio por Minas, refletindo, por exemplo, em como não podemos nunca nos acomodar com certas fases e escolhas da nossa vida. Problemas são para serem enfrentados, escolhas podem ser desfeitas. Atitude é a palavra.

A viagem terminou corrida, sendo coerente com o começo. A conversa do final da tarde rendeu tanto que acabei perdendo a hora. Quando vi no relógio já era bem tarde. Corria o sério risco de perder meu voo, já que o aeroporto de Confins ficava a quase uma hora dali. Arrumei minhas coisas correndo, me despedi do Anderson e Vanessa, e corri para pegar o táxi. Me despedi do Euno e expliquei ao motorista para voar até o aeroporto da Pampulha, um dos pontos pelo qual passa o ônibus da UNIR que leva até o aeroporto de Confins. Ou ele não entendeu muito bem ou era lento mesmo, porque foi se arrastando. Por sorte, cheguei a tempo e pude pegar o meu voo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Voltar para casa é sempre bom. Apesar do curto tempo e da correria, sai com uma boa impressão de Ouro Preto e Belo Horizonte. A viagem foi extremamente proveitosa. Tanto pelas companhias quanto pelos lugares visitados. Com mais tempo, vale conhecer outras cidades históricas, a famosa Montes Verdes (na serra mineira) e a Serra do Cipó. Ficam para a próxima.

Pontos altos: as comidas típicas, a simpatia da maioria das pessoas, o ar tranquilo e provinciano até da capital, os preços quase sempre em conta, a beleza das mineirinhas, o humor da rivalidade Raposa x Galo e a riqueza histórica dos lugares.

Pontos fracos: sistema de ônibus confuso em BH, aeroporto pequeno e distante de Confins, falta de educação do gerente do Ouro Preto Hostel e precariedade do Mineirão.


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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