[dropcap style=”style3″]P[/dropcap]rimeiro dia de viagem geralmente é tenso. A ansiedade sempre dita o ritmo das coisas. Como esta era a primeira folga após 10 dias seguidos de trabalho, muita coisa estava atrasada e acumulada. Resolvidas as pendências, fui arrumar a minha mala correndo, pois o horário do embarque estava bem perto. Começa sempre assim: vou arrumando meticulosamente as coisas na mochila, preenchendo cada espaço com cuidado, até que no fim começo a socar toda a roupa de qualquer jeito. Antes mesmo de ir para o aeroporto recebi o telefonema de três amigos que foram fundamentais nessa viagem: o André, o Augusto e o Eduardo. Passagens e hospedagem confirmadas sem maior susto.

Nada de atrasos ou dores de cabeça no Galeão. O voo partiu na hora certa, quase lotado até. Muitos se dirigindo para Gramado, para curtir o último dia do Festival de Cinema. Destaque para o número considerável de loiras de olhos verdes. Tudo transcorreu tranquilamente durante o voo, até que o piloto quis dar uma de engraçadinho: “Senhores passageiros, o tempo está ótimo em todo o Brasil… menos em Porto Alegre. Chove muito e esperamos confirmação da torre para saber das condições de aterrissagem. Talvez seja necessário voltar e pousar em Florianópolis”. Prenúncio de uma verdadeira sexta-feira 13? Dez minutos depois, nova mensagem, o tempo havia melhorado e seria possível o desembarque em Poa. Susto desnecessário.

O Augusto foi me buscar no Salgado Filho e já me alertou do frio na cidade. Realmente não dava para bobear sem o casaco. Encaramos um certo engarrafamento até a casa dele em Canoas. Além de ser sexta e horário de rush, muita gente resolveu ir para Gramado naquele horário. Já em casa, recebemos a visita do Eduardo. Além das costumeiras zoações, iniciamos o planejamento das ideias para o mochilão em janeiro de 2011, com provável destino para a Patagônia. Depois do papo furado, fui conhecer a vida noturna dos gaúchos. O principal point é a Cidade Baixa, região onde ficam concentradas muitas lanchonetes, bares, restaurantes e discotecas. Escolhemos a lanchonete Cavanhas para provar um hambúrguer com nome típico: Gre-Nal.

Estou nessa fase de comparar os lugares visitados. Achei a Cidade Baixa bem legal, mantendo o estilo da Vila Madalena em São Paulo e da Lapa no Rio. Onde as principais atrações ficam próximas umas das outras. O que me faz pensar que, em outra ocasião, devo dar uma nova chance para a região da Savassi, em BH, que me decepcionou um pouco em julho. Não acredito que os mineiros não saibam curtir bem a noite. Deve ter sido um azar mesmo. No Cavanhas, encontramos também a Mariana, namorada do Augusto, que se mostrou outra parceirona nessa viagem. Percorremos outros lugares na Cidade Baixa, mas nada que estendesse tanto a noite. Afinal, o roteiro estava cheio para o dia seguinte e levantar da cama no frio é sempre uma tarefa mais complicada.