[dropcap style=”style3″]C[/dropcap]omo seria um sábado clássico em Porto Alegre? O meu começou assim: acordei um pouco mais tarde, curtindo a temperatura debaixo dos vários cobertores, bem melhor que o frio que fazia fora deles. Um banho quente e café que já deram aquele choque térmico. Embrulhado em um ou dois casacos e com um chimarrão na mão, a melhor pedida foi iniciar o dia com uma caminhada pelo rio Guaíba. O passeio tem como ponto de partida a Usina do Gasômetro, local que hoje abriga várias exposições e eventos culturais. Vale a visita. De lá também saem os barcos que fazem o passeio pelo rio. Boa sugestão se o tempo estiver colaborando. Dizem que o pôr-do-sol é muito bonito navegando por essas águas.

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A melhor forma de percorrer as margens do Guaíba é caminhando ou pedalando. Um estande da Pepsi perto da Usina estava emprestando bicicletas e resolvemos aproveitar. Havia de biclicletas comuns até aquelas com dois e três lugares. Deixamos nossos documentos devidamente registrados e fomos escolher nossos veículos. Fui em uma solitária, enquanto o casal optou por uma dupla. O tempo de aluguel das bikes era de uns 20 a 30 minutos. Mas acabamos nos empolgando durante o percurso e entregamos elas 1 hora e 20 minutos depois do prazo. Cogitamos nos justificar pelo atraso, dizendo que eu tinha passado mal no caminho, mas não foi nem necessário, porque o pessoal nem reclamou. Além dos parques ao redor e algumas esculturas, a graça do passeio é seguir de bike até o Beira-Rio, casa do Internacional. Para alegria da colorada Mari e desgosto do tricolor Augusto, entramos no estádio. Conheci a estrutura externa, visitei uma loja de artigos típicos, tirei minhas fotos e deixei a minha torcida pelo título da Libertadores, que seria disputado na quarta-feira seguinte.

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Meu tour por Porto Alegre continuou na Praça da Matriz, uma espécie de centro político do Rio Grande do Sul. Isso porque nela estão localizados alguns prédios de importância histórica e social. O da foto à direita, por exemplo, é o Palácio Farroupilha, sede da Assembleia Legislativa. Uma coisa que eu pude perceber é que o gaúcho valoriza muito a sua história, suas tradições e cultura. A bandeira do Estado, por exemplo, está sempre estampada em camisas, chaveiros, bandeiras e onde mais for possível. Nesta mesma praça fica o Palácio Piratini (sede do poder executivo), o Palácio da Justiça, o Theatro São Pedro (observado pelo cão de bronze na foto abaixo) e a catedral metropolitana. Passeio legal para bater fotos das contruções e conhecer essa atmosfera política.

Não muito longe dali, na praça Montevideo, fica o prédio da Prefeitura, que tem uma arquitetura interessante e cores vivas em sua fachada. Em frente ao prédio, há a Fonte Talavera de La Reina, construída para comemorar o centenário da Revolução Farroupilha e que simboliza o marco zero da cidade. Já colado na praça, apenas atravessando uma rua temos o Mercado Público. Tamanho médio, dois andares, normalmente bem movimentado e com opções de comida típica e artesanato. Mas esperava uma variedade maior de coisas, para falar a verdade. Almoçamos por lá, eu e a Mari, enquanto o Augusto se preparava para a pelada com colegas de trabalho logo mais. Na verdade, um campeonato entre empresas, que nós ficamos cornetando das arquibancadas.

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Logo que chegamos em casa, fizemos uma disputa de futebol pelo Play 3, já que os jogos da Série B não estavam ajudando muito na televisão. Era uma forma de passar o tempo até a maratona de formaturas que viria logo em seguida. Logo que eu cheguei em Poa, na sexta, fui informado de que eu seria incluído de penetra em duas colações de grau e festas. “Não se preocupe”, falou o Augusto em relação às roupas. “Eu te empresto o que eu tenho aqui sem problemas”. Mas enquanto ele roubava no videogame para conseguir me vencer, tive um estalo e olhei para o pé dele. Devia calçar três números menos do que eu. O jeito foi pedir um sapato emprestado com o pai da Mari. Aliás, eu estava o próprio Frankstein: montado com diferentes peças de roupa. Calça de uma cor, paletó de outro, colete, gravata e camisa social. Estava parecendo um vovô e fui logo apelidado pelo casal de professor de Harvard, aparência reforçada pelo meu óculos.

Mas, reclamar do quê? Entrei de penetra em duas festas, comi e bebi à vontade. Primeiro foi a formatura do amigo do Augusto. Depois de fazermos a limpa na comida do local, partimos para formatura da amiga da Mari. Conheci várias pessoas, tirei muitas fotos, curti bastante e voltei cheio de histórias para contar. A noite foi terminar lá pelas 6h, com o sol já querendo aparecer no horizonte. O dia seguinte foi só de risos e provocações entre nós três, pelas besteiras que cada um fez durante à noite. Eu perturbei tanto os gaúchos nas duas festas, que acho que terei que ficar longe de Porto Alegre no mínimo por 2 anos.

 


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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