[dropcap style=”style3″]E[/dropcap]nfim, um dia mais tranquilo no Uruguai, após a loucura que foi o anterior. Vide o tamanho do post, acho que foi um recorde do blog até agora. Nesta quarta-feira contei com a companhia da Lenny, uma cearense que havia conhecido na noite anterior. Seus companheiros de viagem foram embora logo após o café. Nos despedimos deles na rodoviária e aproveitamos para tirar as famosas fotos com La Mano (foto acima). A escultura é o cartão-postal de Punta del Este. Fica estrategicamente localizada em frente à rodoviária, na Praia Brava. Representa a presença do homem na natureza e foi construída pelo chileno Mário Irarrázabal em 1982. Outros a chamam de a “mão do afogado”.

Punta tem uma característica muito peculiar: é um caldeirão de pessoas durante a alta temporada e uma cidade fantasma na baixa. Os dados populacionais que encontrei são meio divergentes, mas a proporção impressiona de qualquer forma. No outono/inverno há 10 mil habitantes, na primavera/verão esse público aumenta para aproximadamente 200 mil. Para o viajante, as impressões da cidade vão ser completamente distintas dependendo da época escolhida. Cada uma tem as suas vantagens. Uma oferece os agitos noturnos, as praias lotadas e ensolaradas, e um comércio mais ativo. A outra te dá a oportunidade de mais descanso, tirar boas fotos sem aquele formigueiro de pessoas e conhecer um pouco melhor a população nativa. Essa foto de La Mano, por exemplo, dificilmente pode ser batida com tranquilidade no verão. Em compensação, esse período proporcionaria um céu mais azulado como plano de fundo.

A maioria dos mochileiros conhece Punta apenas em um dia. Na baixa temporada, realmente não há muitas opções por lá. Na alta temporada, os que tiverem mais tranquilos podem ficar mais um tempinho curtindo as praias e todo o glamour que a cidade e os turistas ricaços oferecem. As “playas” aliás são bem peculiares. Na península, as águas do Rio da Prata e do Mar Atlântico se encontram. Logo, você tem a opção de curtir praias de rio e outras de mar a poucos metros de distância. A melhor forma de conhecer os pontos turísticos da cidade é contratando um tour em agências ou albergues. Eu particularmente odeio city tours, mas alguns são necessários e esse se mostrou bastante satisfatório. Explico o porquê. Você pode até conhecer a orla da península caminhando, tirar fotos em La Mano, visitar os pescadores no porto e curtir o comércio local apenas caminhando. Mas três dos atrativos mais interessantes são isolados uns dos outros. Falo da Casapueblo, do bairro de San Rafael e da ponte ondulada. Ônibus em Punta não tem uma frequência muito boa e táxis são bem carinhos. O nosso city tour durou umas cinco horas e foi um ótimo custo/benefício.

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A ponte ondulada foi construída pelo designer Leonel Viera em 1965, na desembocadura do Arroio de Maldonado. Hoje, há uma réplica dela paralela à original. Ou seja, tanto na ida quanto na volta, você tem a sensação de estar em um tobogã. Além de uma foto, a graça dessa atração é passar de carro em velocidade média, para sentir a cabeça quicando no teto. Logo em seguida, visitamos outros bairros típicos de Punta. O destaque fica por conta de San Rafael, bairro onde ficam os casarões mais esplendorosos da península. Para se ter uma noção da simplicidade dos habitantes, cada habitante é dono de um quarteirão inteiro. Celebridades hollywoodianas, jogadores de futebol, políticos e empresários formam a classe abastada que utiliza as residências na alta temporada. O curioso foi que passamos por uma casa que nos impressionou bastante e comentamos em voz alta o quanto ela era grande. O guia nos explicou que era a casa dos empregados. A casa dos donos, duas vezes maior, apareceu na nossa frente logo após o carro virar a esquina.

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O último passeio do dia para mim foi o mais marcante. Fizemos uma parada rápida em um mirante de Punta Ballena, de onde é possível ver tanto Punta del Este em quase toda a sua extensão e o litoral de Piriápolis. Logo depois entramos na Casapueblo, que se trata de uma construção muito peculiar e interessante. É a casa de verão do artista uruguaio Carlos Páez Vilaró. O estilo arquitetônico lembra muito o das casas gregas da costa mediterrânea de Santorini. Além de ser residência do artista, também conta com um hotel, um museu e uma galeria de arte. O passeio pelo interior é bem legal, mas desanima o preço cobrado por algumas obras de Vilaró, até mesmo as mais simples. Não é o tipo de lugar para investir em uma lembrancinha. O que encanta, no entanto, é o pôr-do-sol. Já tinha ouvido relatos entusiasmados desse momento em Casapueblo, mas confesso que nunca levei tanta fé. Não sei se a foto ilustra com tanta propriedade o que eu vi, mas realmente é lindo demais. Uma visão espetacular para fechar o dia em Punta del Este e seus arredores.
 
Tomei o ônibus para Montevidéu no fim da tarde, enquanto a Lenny foi para Porto Alegre. Chegando na capital, resolvi ir de táxi até o albergue para não fazer a mesma besteira que em Punta. Logo que deixei minhas coisas nos armários, perturbei a recepcionista para me ajudar a encontrar um canal que estivesse passando a final da Libertadores da América. Assisti ao duelo entre Inter x Chivas ao lado de um peruano e dois alemães. A minha torcida era a favor do Colorado, até em retribuição aos momentos divertidíssimos que passei em Poa. Mas o meu apoio ficou ainda maior quando os três gringos começaram a torcer a favor dos mexicanos. Aí, era questão de defender o Brasil (claro, se fosse o Flamengo, estaria era torcendo para o México, mas aí são outros quinhentos). Título colorado, zoei com os meus “rivais” e fui dormir tranquilo, após mais um dia corrido.

Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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