[dropcap style=”style3″]C[/dropcap]heguei em Montevidéu na noite anterior e fiquei apenas vendo a final da Libertadores pela TV do hostel. Seria então meu primeiro dia para valer na capital uruguaia. Acordei com um pouco de medo de meu dinheiro estar curto demais para aproveitar os dias de viagem que ainda restavam. Nunca fui bom nessa parte de cálculos e câmbio, por mais que seja um dos pontos mais importantes. O grande problema é que praticamente nenhum hostel no país aceita cartão de crédito. E eu estava contando com isso para ficar mais tranquilo. Entre o café da manhã e a hora do check out (12h), fui até o centro da cidade para procurar algum caixa eletrônico onde pudesse sacar dinheiro. Utilizei o recurso de sacar através do cartão de crédito, que oferece uma taxa que não é vantajosa, mas é útil em momentos de sufoco.

A principal avenida da capital, a 18 de Julio, estava lotada por causa de uma manifestação política. Tive que me espremer entre as pessoas para alcançar um caixa eletrônico. O discurso no palanque era por melhorias no sistema educacional, mas tudo de forma muita tranquila. E as pessoas estavam realmente compenetradas, ouvindo e apoiando. Tenho a impressão que aqui no Brasil muitas manifestações acabam virando um programinha para fazer “uma social”, quando não há aqueles grupinhos típicos que só vão para zoar.

Mesmo tendo gostado do atendimento e da estrutura do Planet Hostel, indicação do Augusto, resolvi me mudar para o El Viajero que ficava na Ciudad Vieja. Achei ele melhor tanto pela localização quanto pela quantidade de pessoas, maior que no anterior. Paguei logo as três diárias e resolvi manter Montevidéu como base. Colonia del Sacramento eu faria depois apenas em um dia, no estilo bate-volta, retornando para a capital à noite. Acertadas as contas, fui conhecer o lendário estádio Centenário.

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Para quem ama esportes, esse lugar é um clássico. Além de conhecer a estrutura do estádio, há um museu com relíquias do futebol uruguaio, brasileiro e argentino. Para chegar lá saindo da Ciudad Vieja, basta ir até a calle Buenos Aires. Depois há três opções de ônibus: os números 21 ou 64, que custam 17 pesos (R$ 1,70). Nesses, você tem que saltar na avenida Itália e ir caminhando até a A. Navarro, onde fica a entrada do estádio. A opção mais em conta, no entanto, é o ônibus CA1, custa 10 pesos (1 real) e tem o ponto final no terminal Tres Cruces. De lá, basta andar até a Av. Itália e repetir o trajeto anterior. O museu no Centenário é cuidado por um velhinho muito simpático, que tem prazer em te orientar sobre o que está exposto.

Cheguei lá com a camisa do Vasco e fui surpreendido pela alegria do velhinho ao me ver. Ele apontou para a cruz de malta e disse: “Eu sou Vasco, adoro o time”. Não levei muito a sério, devia ser mais uma prova da simpatia uruguaia, mas ele insistiu. Falou que acompanhava o Brasileirão, sabia com exatidão o número de pontos da equipe na tabela, quais foram os últimos resultados e quais seriam os próximos jogos. Fiquei surpreso, nem eu sabia de todos os detalhes. Muito legal, um torcedor legítimo do Vascão em terras uruguaias. Vi as fotos, bolas, uniformes e taças que retratam toda a história do Centenário, estádio que abrigou a primeira Copa do Mundo em 1930. Ela foi vencida pelos anfitriões, que derrotaram a Argentina pelo placar de 4 a 2. Não é um estádio muito grande, mas é bonito. As arquibancadas são da cor azul-celeste e o gramado estava em boas condições. O bilhete de entrada no museu é uma réplica do ingresso da final da Copa, como você pode ver na foto ao lado.

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O Centenário está localizado ao lado do Parque Batlle, lugar onde o pessoal costuma ir para descansar, praticar esportes e namorar. Depois do almoço, é um espaço ideal para tirar aquele merecido cochilo encostado em uma de suas árvores. Para o restante da tarde, como estava bem disposto, resolvi caminhar dali até o início da 18 de Julio e conhecê-la até o final. Levei 2 horas porque enrolei bastante e parei em diversas lojas e livrarias. A avenida é extensa, mas dá para fazer esse passeio em menos tempo. Com calma, curti o comércio, comprei artesanatos para a coleção, tentei em vão achar uma camisa da seleção uruguaia (o sucesso na Copa de 2010 fez elas esgotarem rapidamente) e observei com agradável surpresa como a principal via do país seguia um ritmo bem calmo mesmo no horário de maior movimentação, sem caos no trânsito como ocorre aqui no Rio.

No final da 18 de Julio fica a Plaza Independencia, que abriga a Puerta de la Ciudadela e o Palacio Salvo. Este último é observado pela estátua do General Artigas, principal líder da independência uruguaia das colônias espanholas no século 19. A Puerta de la Ciudadela marca o início da Ciudad Vieja, o bairro histórico de Montevidéu. Logo ali perto, há também o famoso Teatro Solís, que já foi palco de importantes atrações culturais do país. Já no início da noite, fui experimentar o chivito em uma lanchonete especializada na Plaza de la Constitución, que fica a duas quadras da Independencia. O chivito nada mais é que um hambúrguer gigante, com recheios escolhidos pelo cliente. Os locais costumam comer ele com garfo e faca, acompanhado de fritas. Alguns vêm no prato só com a parte de cima do pão, outros com as duas. Uma boa opção para matar a fome. De barriga cheia e cansado da longa caminhada, dormi cedo. Também precisava recarregar minha energia para a viagem até Colonia del Sacramento no dia seguinte.

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