[dropcap style=”style3″]M[/dropcap]ontevidéu definitivamente não é um lugar para os estressadinhos. Quem, assim como eu, vem de um ritmo corrido de trabalho e vai curtir um sábado na cidade, corre o risco de ter um choque de realidade. Se de segunda a sexta, a tranquilidade já é uma característica local, o sabadão é a expressão máxima do estilo uruguaio de aproveitar a vida. Há muito tempo não passava um dia tão longo como este, aproveitando muito bem cada minuto. Não à toa, a capital do país é elogiada por oferecer a melhor qualidade de vida da América Latina.

Acordei tarde, para variar. Dessa vez pelo menos tinha a desculpa de ter passado boa parte da madrugada com os olhos abertos. Tirei o dia para andar de um canto para o outro. Nada de ônibus ou táxi, a proposta era bater perna mesmo. Percorri toda a Ciudad Vieja, explorando as ruelas, lojinhas e construções antigas. Um dos passeios mais gostosos e calmos de se fazer é caminhar pelas ramblas (calçadões à beira do Rio da Prata). Muita gente aproveita o fim de semana para pescar, correr ou andar de bicicleta pela região. O fato de Montevidéu ser reconhecida pela sua segurança estimula ainda mais essas atividades ao ar livre.

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Pode ser apenas uma impressão minha, mas assim como havia percebido em Santiago, por aqui os idosos parecem desfrutar realmente de melhores condições de vida. Ao invés de expressões de cansaço, fraqueza ou desânimo, passam mais uma imagem de paz e energia. Claro, não estou generalizando, a questão é que no Brasil e em países como Bolívia, Peru e Paraguai, que já conheci, acho mais comum ver menos vitalidade. O interessante é que a noite na cidade é totalmente oposta, bastante movimentada e com muitos jovens.

Um passatempo muito comum nos fins de semana é pechinchar nas feiras. Há diferente opções espalhadas pela cidade. É possível encontrar artesanatos, alimentos, antiguidades, roupas e bugigangas para todos os gostos. A mais famosa é a de Tristán Narvaja, que acontece sempre aos domingos na rua de mesmo nome, no bairro Cordón. Mas no sábado, passei por várias que ficavam localizadas nas principais praças da cidade. Costumam atrair pessoas de idades variadas. Mesmo que o objetivo não seja gastar, é legal conhecê-las só para observar os produtos, o ambiente e as pessoas que as frequentam.

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Lá pelas 14h, a fome apertou e resolvi experimentar o famoso asado, que nada mais é que o churrascão uruguaio. Por esses lados do Rio da Prata e também na Argentina a carne faz muito sucesso e é de altíssima qualidade. E o lugar ideal em Montevidéu para quem procura por carne é o Mercado del Puerto. Como o próprio nome já diz, fica quase ao lado do porto da cidade e além de abrigar diferentes restaurantes, também conta com lojinhas de artistas locais. A foto acima mostra como são preparados os diversos tipos de carne. É um festival de boi, frango, linguiça, coxa, peito e tudo mais que tem direito. A parrillada completa vem com todas as partes possíveis do boi, portanto, se você não curte estômago, rins, testículos, fígado, intestinos e afins, peça pela parte nobre.

O preço não é nenhum absurdo, mas está longe de ser uma pechincha. Convertendo para reais, um almoço com o chorizo (linguiça) de entrada, batatas fritas, o asado e dois refrigerantes de garrafa saiu por R$ 40. O atendimento foi sensacional. Um dos “churrasqueiros” até puxou assunto comigo, tinha descoberto que eu era brasileiro sem que eu precisasse abrir a boca. Desejou bom fim de viagem e que eu pudesse voltar outra vezes ao Uruguai. Pode ter certeza, que sim!

No fim da tarde, ainda parei despretensiosamente perto de um campinho de futebol, onde dois times de pernas-de-pau duelavam. Um com o uniforme idêntico ao do Tabajara, como pode ser visto em uma das fotos acima. Foi legal ver a movimentação da torcida, dos familiares, dos amigos e demais curiosos. A noite no hostel teve ainda uma apresentação de uma cantora iniciante e um porção dobrada de chivito, que eu não consegui comer toda, porque os dois hamburgueres eram gigantes. Nada de farra nessa noite, dormir cedo era mais do que recomendável para ter forças no dia seguinte, o último no Uruguai.


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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