[dropcap style=”style3″]A[/dropcap] frase em espanhol que dá nome a esse post foi tirada de um anúncio de cerveja que vimos espalhado por quase toda a cidade. Traduzindo o slogan completo para o português seria algo como: “com atitude de férias, sempre é fim de semana”. Achei bem interessante essa filosofia de boteco. Estar de férias é uma atitude, um tipo de comportamento. Não apenas deixar de ir ao trabalho, faculdade, colégio ou seja lá mais o que preenche a rotina. Nem necessariamente viajar. Muitos se deslocam para lugares distantes, mas continuam com a cabeça nas obrigações que deixaram para trás. Sequer aproveitam os momentos como deveriam. Por outro lado, para quem consegue manter aquele clima de alegria, tranquilidade e leveza diariamente, até uma segunda-feira de trabalho pode virar um domingão.

 

Por que a reflexão barata? Na quarta-feira conseguimos aproveitar muito bem o nosso último dia em Cartagena, explorando sem nenhuma pressa os pontos turísticos que ainda não tínhamos conhecido. Fomos levados totalmente pelo clima de férias. Começamos nosso dia pelo Castillo de San Felipe de Barajas, uma obra militar que começou a ser construída em 1536 e foi um dos principais pontos de defesa do território espanhol na América do Sul. Passeio legal por dentro de uma estrutura que só pelo valor histórico já vale a pena, mas que também é visualmente muito interessante. É bom separar umas duas horas para aproveitar o lugar com tranquilidade. Além da caminhada externa e da bela vista que se tem de lá do centro de Cartagena, há estreitos caminhos e passagens subterrâneas a serem percorridos. Nos arriscamos por uma dessas passagens e no meio do caminho foi complicado lidar com a sensação de claustrofobia. Ainda mais que enquanto descíamos, um grupo bem grande de turistas franceses faziam o sentido inverso. Lembro que inventei uma desculpa qualquer para disfarçar aquele desconforto e voltar atrás sem chegar até o fim do caminho, mas não adiantou muito e a pernambucana Cíntia ficou me sacaneando por alguns dias.

SAM_6534 SAM_6540 SAM_6541

 

Reservamos a parte da tarde para conhecer o bairro Bocagrande, famoso por concentrar a parcela mais rica de Cartagena, assim como os principais hotéis e restaurantes. Muitos nos diziam que também abrigava a melhor das praias da cidade, mas essa foi a maior decepção de todas. Definitivamente, não espere encontrar nenhuma paisagem paradisíaca por aqui. Mais uma vez vale lembrar que as praias caribenhas fantásticas que vemos em fotos só são avistadas nos passeios por ilhas próximas ou para San Andrés. Em Bocagrande, a areia era muito escura, a água idem e as pessoas que frequentavam o local também deixavam muito a desejar em questões de higiene. Mas nada disso anula o fato de que o bairro tem seus atrativos. Pegamos o anoitecer  caminhando em volta da lagoa e da ciclovia. Além do clima mais agradável e a vista da cidade ao fundo bem iluminada, um público jovem costuma utilizar essa parte do bairro para praticar esportes e passear com seus cachorros. Fechamos essa parte da noite sob a luz de uma lua cheia sensacional e discussões filosóficas sobre família.

IMG_3727

 

O post poderia até terminar por aqui, mas o “momento comédia” do dia aconteceu horas depois no alto da muralha que cerca Cartagena. Em mais um dia inspirado, Cíntia e Ratto resolveram protagonizar novo duelo. Já era perto das 22h, quando a pernambucana e a Vanessa se deram por vencidas no objetivo de nos arrastar para alguma “night” colombiana. Não fazia o nosso tipo de diversão e preferíamos ficar caminhando mesmo pela cidade. Em determinado ponto da muralha, reparamos uma jovem colombiana escorada nos tijolinhos, com olhar perdido para o mar do Caribe. A Cíntia viu ali uma boa oportunidade de zoar o Ratto e, do nada, chamou a desconhecida e disse que ele estava interessado nela. A ideia da Cíntia era deixar ele muito constrangido pela cena em si e pela provável recusa da colombiana. Com cara de bobo ele ficou, mas o pior é que a tal moça aceitou conversar com el Ratón. Enquanto o conquistador tentava se dar bem com a nativa, ficamos os três manés observando de longe tentando decifrar o que estava acontecendo. Até aposta para saber se ele teria sucesso ou não aconteceu. Valeu pelas risadas, mas ainda não foi esse o dia de triunfo do Don Juan de Campinas. Ele precisaria ter um pouco mais de paciência…

– O chapéu Panamá é muito característico nessas bandas da América do Sul, principalmente pela proximidade com o Equador, maior produtor da peça. Os preços em Bogotá, Cali e Medellín são bem salgados, mas em Cartagena costumam ser mais atrativos. Os menores valores encontramos com ambulantes nas saídas do Castillo de San Felipe. Se você deseja comprar o chapéu e ficará apenas na Colômbia, essa é a dica da opção mais em conta. Mas caso siga viagem para o Equador, deixe para comprar o famoso artigo por lá mesmo. Seu bolso agradece.