[dropcap style=”style3″]Q[/dropcap]uando eu avisei aos amigos e familiares que iria para a Colômbia, os comentários foram os mais previsíveis possíveis: “Vai fazer o que lá?”, “É muito perigoso”, “Pronto, agora ficou doidão mesmo”. Infelizmente, essa imagem de violência relacionada ao país ainda hoje permanece na mente das pessoas. Tudo isso é fruto do período em que as cidades colombianas eram dominadas pelos cartéis de drogas e por influentes traficantes. Você com certeza já ouviu falar do principal deles, Pablo Escobar. Nas décadas de 70 e 80, ele se tornou um dos homens mais ricos do mundo graças ao tráfico de cocaína. Foi responsável pela tortura e morte de muitas pessoas, até ser capturado e morto em Medellín, em dezembro de 1993, por uma ação conjunta de policiais da Colômbia e EUA.
 
Assim como os demais países sul-americanos, por aqui ainda há registros de violência urbana e problemas com drogas. Mas a única coisa que o viajante vai encontrar sobre Pablo Escobar e sua antiga rede de tráfico se resume à imagem acima: um boneco de cera encarcerado. Da década de 90 para cá, o investimento em segurança foi muito grande. Passeando pelas ruas de Bogotá, por exemplo, é possível ver pelo menos uns dois policiais por esquina. Algo bem impressionante, principalmente para quem vem do Brasil. Tudo isso permite um passeio sem estresse pelas ruas, sendo possível tirar fotos e apreciar a paisagem local sem nenhuma neurose. Claro, também não quer dizer que você vai ficar por aí desfilando coisas de valor e dando mole para trombadinhas. 
Começamos a ter essa percepção da relativa tranquilidade de Bogotá durante a caminhada pela Plaza Bolívar, a principal da cidade, que ainda exibia sobras da decoração natalina. No centro de informações turísticas, descobrimos que a maioria dos museus e atrativos estava fechada, pois era feriado nacional naquele dia. A alternativa foi visitar o Museu da Polícia, o único aberto, e que ainda tinha a vantagem de ser gratuito. Cinco andares de diferentes temas ligados à questão da segurança. Nosso guia foi um garoto de 18 anos, que já havia servido em território brasileiro na Amazônia e falava bem o português. Um dos setores do museu que mais chamou a atenção foi o dedicado a Pablo Escobar, contando a história do traficante e dando detalhes da operação que resultou na sua captura.
O interessante é que durante o passeio o guia foi simpatizando muito com o nosso grupo, mesmo com as perguntas incessantes de um amigo nosso inconveniente. E acabou por nos convidar para conhecer o chefe da polícia nacional, que estava no prédio. Fomos recebidos na sala do velhinho com tradicionais cafés colombianos e uma simpatia muito grande. Nos contou várias histórias que fizeram a manhã terminar rapidamente. Segundo o próprio guia, um privilégio para poucos.
Depois de uma volta pelo Palácio Nariño (onde fica o presidente) e do almoço, nosso grupo se dividiu. Alguns foram para um “tour cervejeiro”, enquanto outros ficaram passeando pelo centro da cidade. O grupo dos sóbrios resolveu conhecer o movimento noturno na praça Choro de Quevedo, que fica no bairro da Candelária. Mas por ser uma terça-feira, o lugar só tinha mendigos e hippies. Desanimados com o ambiente, estávamos voltando para nosso hostel, quando encontramos um casal colombiano jovem. Aproveitamos para pedir algumas informações sobre melhores opções de passeios perto dali. Acabamos por aceitar um convite feito pelo rapaz, que deixou a namorada no apartamento dela e nos levou em um restaurante perto do cerro Monserrate.
 
Vale a observação de que foi totalmente irresponsável da nossa parte aceitar carona de um estranho, coisa que os “papais” ensinam desde cedo a não fazer. Mas foi algo meio louco, que só paramos para pensar depois. A ficha começou a cair um pouco antes de chegarmos no restaurante e nos demos conta da falta de bom senso. O mais ridículo na história era que sempre que o colombiano precisava deixar a mesa para atender o telefone, especulávamos se ele não estaria combinando algo com o restante da quadrilha, tipo o lugar onde iria nos prender, torturar e roubar nossos rins. Mas no fim das contas, ocorreu tudo bem e acabamos fazendo amizade com o Omar, apelidado “carinhosamente” de sequestrador. Menos mal que tenha virado apenas mais uma história engraçada desse mochilão…
 
– Almoçamos no restaurante El Toro Manso, que fica próximo ao Palacio Nariño. Os preços não são baratos, principalmente para o perfil mais mochileiro, mas a comida vale muito a pena. Acabou saindo 30.000 pesos colombianos para cada um. Se este for o seu dia de fazer uma extravagância na viagem, é uma boa sugestão.
– A carrera 7 é uma das principais vias da cidade. Se você procura por livrarias, lojas de música colombiana e roupas, basta percorrer essa rua de uma ponta a outra. Opções mais econômicas de alimentação também estão por aqui.
– Quem é baladeiro e curte uma mistura de bar / restaurante / discoteca, o lugar mais famoso de Bogotá é o Andres Carne de Res. Fica na Zona Rosa, bairro mais moderno e boêmio da cidade. Calle 82, Número 12-21. É uma espécie de patrimônio da cidade. Só ouvi elogios dos que foram.