[dropcap style=”style3″]N[/dropcap]ão tem como pensar no Caribe e não visualizar uma imagem cheia de cores vivas. Seja nas roupas das pessoas, na fachada das casas ou no prato de comida, o que mais chama a atenção é o festival de tons de amarelo, azul, vermelho, verde, e por aí vai. Cartagena reúne tudo isso em suas quentes, movimentadas e pequeninas ruas. É um tipo de bagunça e confusão interessante de se ver e vivenciar. Como no dia anterior chegamos no meio da tarde e só curtimos a cidade mesmo durante a noite, foi nessa terça-feira que pudemos ter uma real noção da atmosfera do lugar.

 

A parte mais interessante da cidade é no interior da muralha. Na parte central, estão as principais opções de comércio, alimentação e outros serviços como, por exemplo, locutórios para ligar para casa. Começamos o nosso dia dessa forma, ligando logo para nossos pais e informando que ainda estávamos vivos. Nessa breve caminhada pelo centro, foi possível observar o movimento das pessoas pelas ruas, a agitação dos vendedores de frutas tropicais em suas barraquinhas, as dezenas de lojas de roupas e artesanatos, além dos guias de turismo que tentam empurrar pacotes de passeios pela cidade. O gostoso por aqui é gastar mesmo a sola do tênis ou chinelo, percorrer as ruas e ver a arquitetura histórica bem conservada.

É bom reservar um dia inteiro só para andar e tirar fotos com tranquilidade, respeitando os horários de pico do sol, para não passar mal depois. Depois de conhecer o interior da muralha, nós resolvemos passear por cima dela, até para ter uma vista dela agora com a luz do dia. É ela que dá o charme de Cartagena. Depois esticamos até o mar. Como já disse no post anterior, esse ainda não era aquela mar paradisíaco das ilhas caribenhas, mas já servia como um aperitivo para San Andrés, próximo destino do nosso roteiro.
 
Com o sol já castigando as nossas costas, procuramos um lugar para almoçar e encontramos um bem especial, com decoração toda no estilo cinematográfico. As cadeiras eram réplicas daquelas que os diretores de Hollywood usam para comandar suas produções. Cada uma personalizada com um nome diferente. Nas paredes, ficam os cartazes de filmes clássicos, entre outros detalhes decorativos bem legais. Lembro de ter pedido um risoto de camarão sensacional acompanhado de uma limonada gigante. Muito bom mesmo. Para quem quiser ir, o nome do restaurante é Bohe-Mia Tapas Pizza Cine, na calle del Santisimo 8-18.
 
Depois do almoço e descanso durante o fim da tarde, fizemos mais uma vez um passeio noturno pelo interior da muralha e acabamos parando novamente no Cafe del Mar. Desta vez resolvemos ir além dos refrigerantes e fingir que tínhamos dinheiro, pedindo também algum prato para acompanhar. Enquanto a Vanessa e o Ratto pediram pratos maiores com salmão, a Cíntia e eu resolvemos dividir um prato, chamado de torre de camarão com guacamole. Ficamos na expectativa para a chegada desta “imensa torre”, enquanto fazíamos cara de ricos esnobes e despreocupados com a vida. Foi aí que demos de cara com um pratinho minúsculo, que mais parecia um pires, com uns seis camarões, uns matinhos bem mixurucas e uma miséria de guacamole. E o pior é que o bichinho era caro. Até hoje não entendo que onda é essa que rico tira de pagar caro para comer pouco. Nos demos mal e tivemos que comer um hambúrguer em um podrão mais tarde, para não passar fome.
No fim das contas, a nossa noite de rico terminou em uma barraquinha de fundo de quintal. Uma vez pobre, sempre pobre (rs)…
 
– Entre às 11:30 e 15:00, o sol na cidade fica muito forte e é bem complicado ficar andando de uma lado para o outro. Nem os morados locais se arriscam. Ficam bem trancados em casa, curtindo o ventilador ou o ar-condicionado, e aquela tradicional soneca da siesta. Evite sair durante esse horário para não torrar ou até mesmo passar mal. Uma boa é tirar um cochilo depois de comer bastante e só esperar o sol dar uma baixada. Afinal, você está de férias e descansar é obrigatório.
– Para conhecer a cidade e os atrativos mais próximos, vá andando ou no máximo pegue uma táxi para um lugar mais distante, como o Castillo de San Filipe. Algumas pessoas pelas ruas vão tentar vender passeios e tours para conhecer Cartagena que são totalmente desnecessários e caros. Até mesmo taxistas costumam parar e oferecer “city tours” quando percebem algum turista por perto. Fuja disso para não jogar dinheiro fora.

Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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