[dropcap style=”style3″]E[/dropcap]m todo mochilão, pelo menos um dia se destaca pelos perrengues e dores de cabeça. Já faz parte, sempre viajo preparado, sabendo que um deles será o escolhido. No roteiro pelo Uruguai, por exemplo, foi logo depois de cruzar a fronteira do Chuí. Para quem não se lembra, basta clicar aqui. Tudo bem, aquele foi um recorde de cagadas em um mesmo dia, difícil se repetir. No roteiro de 2011 pela Colômbia e Equador, a viagem entre Medellín e Cartagena foi de longe a mais estressante.

Uma das coisas ruins em Medellín é que o aeroporto é distante da área central. Se não me engano, quase uma hora de ônibus e uns 40 minutos de carro. Como nosso voo sairia cedo, fechamos o transporte com uma van particular. Chegando no aeroporto, estranhamos o fato de estar bem cheio. Pelo sistema de som, veio a notícia de que a neblina estava muito forte do lado de fora e que todos os voos teriam pelo menos uma hora de atraso. Deu um certo desânimo, mas tudo bem, não tinha jeito mesmo, o negócio era esperar. Só que o atraso foi aumentando e irritando cada vez mais.
 
Metade do grupo iria pela Aires e a outra metade (eu estava nessa) iria pela Avianca. Nossa primeira experiência com a companhia tinha sido ótima. Cheguei até a elogiar muito pelo twitter. Mas nunca é bom valorizar muito, não é mesmo? O voo da Aires partiu primeiro e nós ficamos esperando a confirmação do nosso. Ao invés disso, a mulher anunciou em um espanhol bem enrolado que o voo tinha sido cancelado. Que maravilha! Por essa eu ainda não tinha passado. E aí, como faz? Vieram as desculpas esfarrapadas. E uma grande enrolação para nos encaixarem em outros voos. Teríamos de voltar até Bogotá, para depois pegar um outro voo até Cartagena. O que era para ser uma viagem de pouco mais de uma hora, seria agora de três ou quatro.
 
O pior é que eles foram atendendo os passageiros sem muito critério. Quem gritava mais alto, conseguia pegar os melhores horários para Bogotá. Eu, pela primeira vez na viagem, saí do sério. Segurei o braço da mulher da Avianca, afastei ela da multidão e engrossei em espanhol (rs): “Bonitona, me explica bem devagar o que está acontecendo, porque meu espanhol ainda não é fluente. Como você vai resolver nossa vida?”. Nessa, a Vanessa também entrou na conversa e arrumamos confusão junto com os outros passageiros. A melhor parte é que enquanto resolvíamos o problema, um dos nossos amigos resolveu passar mal e procurar uma enfermaria. Quando finalmente conseguimos vaga no voo, não encontrávamos o bendito. E os funcionários da Avianca perturbando, pressionando. Resolvi ir atrás do cara, rodei o aeroporto inteiro e quando achei a enfermaria, a atendente disse que ele tinha saído de lá há poucos minutos.
 
Corri de volta até a sala de embarque. Uma funcionária da empresa aérea me encontrou e disse para eu acelerar, que eles tinham conseguido encaixe em um outro voo. Meu nome chegou até a ser chamado pelo sistema de som do aeroporto. Ou seja, ainda ficou parecendo que eu era o culpado da história. E o melhor é que nosso “amigo” que tinha passado mal já estava embarcando sem me esperar. Resultado, chegamos em Cartagena umas 6 horas depois do previsto no roteiro.
 
A cidade é muito quente, o que foi uma mudança brusca, já que nas outras três cidades o clima era mais frio. Pegamos um táxi, com valor previamente combinado, e apreciamos a bela paisagem até o hostel, com praias e construções históricas. O taxista nos deixou em frente ao El Viajero e começamos a tirar nossas bagagens. Como a rua era muito estreita, uma fila de carros começou a se formar atrás da gente. Começaram as buzinas loucas e os xingamentos, e o malandro do taxista se aproveitou da situação. Dei uma nota maior do que o valor da corrida e ele me devolveu o troco com 2 pesos a menos. Reclamei com ele que estava errado e nem deu tempo para mais nada. O cara entrou correndo no táxi e acelerou, roubando essa parte do troco. Respirei fundo… Que ele seja cobrado depois, melhor não me estressar mais.
 
No hostel, nossos amigos já tinham chegado e prepararam nosso almoço, que estava sensacional. Passamos o fim da tarde descansando e aproveitando o hostel, que era muito maneiro. Grande, com vários quartos e um clima bem descontraído. Reservamos a noite para passear pela cidade, que fica muito bonita com a iluminação noturna. A parte histórica é cercada por uma muralha centenária e é lá onde ficam os maiores atrativos da cidade. Depois de andarmos muito, encontramos um bar/restaurante que fica em cima de uma das pontas da muralha. “Cafe del Mar”, um dos lugares mais legais que a gente conheceu na viagem. Música ambiente muito tranquila, cadeiras e sofás confortáveis, brisa do mar deixando o ambiente ainda mais agradável e uma vista noturna incrível da cidade. Lugar de rico (rs). Por isso mesmo, os preços não eram nada simpáticos. Fiquei só em dois refrigerantes, para não abusar das economias, e curtindo o lugar. Muito bom, altamente recomendado. Lugar ideal para esquecer de todo o estresse da manhã.
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Depois dessa, nada melhor que um sono tranquilo, com ar-condicionado bem gelado…
 
 
– Em viagens pela América do Sul, é sempre bom tomar cuidado com os taxistas. Há ótimas pessoas com quem você conversar sobre tudo e que ainda te dá boas dicas sobre a cidade. Mas também existem os safados, que tentam enrolar, fazer um caminho mais longo até o seu destino e até mesmo roubar dinheiro, como aconteceu no meu caso em Cartagena. Procure sempre andar com dinheiro trocado, perguntar antes de embarcar quanto mais ou menos vai dar a corrida e separar o valor com antecedência. Esse tipo de malandro adora roubar turistas. Corridas do aeroporto até o interior da muralha costumam sair por 10.000 pesos.
– Não esqueça de levar protetor solar e roupas leves para Cartagena. Parece meio óbvio, por ser um destino próximo ao Caribe, mas o calor que faz na cidade é algo fora do normal, principalmente no verão. Só vi igual até hoje ao que faz aqui no Rio quando os termômetros passam do 40°.
– Apesar da cidade ser banhada pelo mar do Caribe, não é aquele mar de cartão-postal, com várias cores e areia branquinha. Aqui as praias são bem feinhas, poucas pessoas se banham nelas, nem os morados locais gostam. Praias paradisíacas mesmo você só encontra nas proximidades: Isla del Rosario e Playa Blanca. Venha para a cidade para curtir todo o clima caribenho, a comida sensacional, a beleza das construções históricas e os passeios que te levam para outras ilhas.