[dropcap style=”style3″]Q[/dropcap]uando elaboramos o nosso roteiro para o Mochilão 2011, Cali foi o principal ponto de discussão. Pesquisando pela internet, eu e o Ratto não encontramos nada que realmente fizesse o lugar valer a pena. Nenhum grande atrativo turístico, nenhuma paisagem natural que empolgasse. Tanto é que chegamos na cidade sem ter quase nenhuma noção do que faríamos por lá. Mas aí vem aquela parte de fazer concessões quando viajamos em grupo. Vanessa fez questão de incluí-la no roteiro por ser considerada a capital mundial da salsa, famosa dança latina. Cíntia queria conhecer por lá os supostos inúmeros museus. Pois bem, nessa “disputa” de opiniões, antes a avaliação masculina tivesse sido vencedora. Cali realmente não oferece muita coisa de interessante para o turista.
 
O maior atrativo da cidade é a cultura da salsa e as várias opções de casas noturnas para quem deseja “bailar”. Há também cursos que ensinam as técnicas da dança até para os mais robóticos. E para por aí. Claro que cada um tem o seu gosto e não pretendo aqui fazer como muitos “gurus de viagens” que tentam influenciar outras pessoas, mas Cali não ganhou ponto no meu conceito, nem no da maioria das pessoas do grupo. As ruas são bem feias e sujas. Não se vê muita opção de comércio, de feiras interessantes de artesanato, nem de lazer. O trânsito costuma ser um pouco complicado também. Mas isso não significa que foram dois dias perdidos e infelizes. Afinal, brasileiro de verdade consegue sempre dar um jeito de se divertir, até nos lugares mais toscos possíveis.
 
Nosso primeiro dia começou da seguinte forma: acordamos ainda em Bogotá às 6h e pegamos o voo para Cali às 9h20. Era a primeira vez que viajávamos de Avianca e a impressão foi das melhores. Ótimo serviço de bordo, bom atendimento e avião confortável, destaque para a telinha em cada assento com jogos, músicas e filmes. Enquanto eu me distraía com um razoável jogo de perguntas (“Quem quer ser um milionário?”, aquele no estilo Show do Milhão), o Ratto paquerava uma colombiana sentada na fileira paralela a nossa. Seria a primeira das investidas do “El Pegador” na viagem. Todas rendendo histórias engraçadas, que contarei nos próximos posts. Mas essa acabou não caindo na lábia dele. Ela tinha namorado e estava viajando para encontrar com o dito cujo em Cali.
 
Fomos de van até o hostel Jovita’s, que pela internet parecia ser um dos melhores da viagem. Mas a decepção foi total. O espaço interno se resumia a um corredor. Os quartos eram assustadores. Completamente minúsculos e sem ventilação. Cheguei a lembrar daqueles alojamentos onde ficavam os judeus durante a Segunda Guerra Mundial, antes de passarem pelas câmaras de gás nos campos de concentração. Descobrimos que a dona do hostel também possuía uma pousada na rua de cima e acabamos negociando a estadia por lá, que era outro nível. Muito mais acolhedora e confortável.
 
Depois do revigorante almoço em um restaurante próximo à pousada, decidimos conhecer um dos mirantes da cidade. O que era até meio incoerente, já que eu tinha achado a cidade horrível. Quando a gente vai a um mirante, a ideia é mirar algo bonito, não é? Em Cali, existem três pontos mais indicados para ver a cidade de cima: o mirante do Cristo, o das Três Cruzes e o da Virgem. Fechamos dois táxis, cada um por 28.000 pesos, para subir até o morro onde fica a réplica deles do Cristo (nem chega aos pés do nosso carioca). A graça ficou por conta dos papos sobre futebol colombiano com o taxista, que era o maior tagarela. A vista lá de cima era até legalzinha, talvez porque a feiura lá embaixo ficasse menor.
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Entre o fim da tarde e o início da noite, ficamos largados nas redes da pousada, recarregando as energias. A noite foi separada para conhecermos o Tin Tin Deo, uma das mais famosas casas de salsa de Cali. Fomos lá mais pela insistência das meninas e ficamos observando o movimento local, enquanto elas tentavam aprender algum passo com os tiozões colombianos. Aliás, o local também não era lá grandes coisas. Muitos gringos, velhotes e casais. A entrada custou 10 mil pesos. E na cidade, o movimento noturno termina sempre 1h da madrugada. Pelo que nos falaram, trata-se de um lei municipal. Por isso, todos costumam iniciar a noite mais cedo que no Brasil, por volta das 22h. Mas aí existe uma jogada dos fanfarrões locais. Quando acaba a noite em Cali, a maioria segue para fora dos limites da cidade, o que na verdade é muito perto indo de táxi (algo como 15 minutos). Lá o esquema é igual ao brasileiro, com a noite terminando altas horas da madruga.
 
No primeiro teste, Cali deixou a desejar. No dia seguinte, a cidade teria uma segunda chance para tentar mudar essa opinião…

 

 
– Informação que pode parecer básica, mas que geralmente causa uma certa confusão para os desavisados. Bogotá tem dois aeroportos, o El Dorado e o “ponte-aérea”. O primeiro faz voos internacionais, o segundo cobre os nacionais. Um fica em frente ao outro. Olhe bem na sua passagem para saber qual dos dois será o local de embarque. Fomos para o El Dorado, fizemos o check in lá e depois um ônibus da companhia aérea nos levou até o outro aeroporto. Caso esteja atrasado, este pequeno detalhe pode custar muito caro.
– O aeroporto ao qual se destinam os voos para Cali fica localizado, na verdade, fora da cidade. O município vizinho que recebe esses voos chama-se Palmira, segunda maior cidade do Valle del Cauca. As duas opções mais tranquilas para chegar no centro de Cali são táxi e van. Optamos pela segunda forma, por considerar a mais barata. Barganhando, fechamos uma para o grupo de oito pessoas por 70.000 pesos, o que deu aproximadamente 9.000 para cada um. Outra grande vantagem foi o fato dela ter nos deixado em frente ao hostel. O percurso teve duração de 30 minutos.
– Em Cali, há ótimas opções de restaurantes pequenos que oferecem comida caseira. Apesar de simples, são limpos e a comida é de ótima qualidade. Numa pesquisa rápida pelos arredores do hostel, encontramos pratos entre 5 e 6.000 pesos, com direito a um copo pequeno de suco. Indicado para economizar e ainda comer bem.
– Pode ter sido apenas a época do ano, mas a procura por passagens de ônibus para Medellín estava muito grande. Compramos com um dia de antecedência e demos sorte de encontrar exatamente três poltronas disponíveis. Logo, evite deixar para comprar as passagens em cima da hora. O valor da passagem foi de 46.000 cada um, pela empresa Bolivariano. Ônibus ofereciam um bom padrão de conforto.