[dropcap style=”style3″]A[/dropcap]minha previsão para o segundo dia em Cali era de que seria bem mais desanimador que o primeiro. Quando chegamos na cidade, a esperança era encontrar atrativos interessantes que tivessem escapado na pesquisa pela internet. Mas constatamos que as opções eram raras. Para que esquentar a cabeça, então? “Fazer nada” também costuma ser uma ótima opção durante as férias. Dentro dessa lógica, nem me preocupei muito. Acordei tarde mesmo, descansei do dia corrido anterior e tomei o café com tranquilidade sem muitas expectativas.

A programação do dia para as meninas incluía participar de uma aula de salsa gratuita no hostel Jovita’s. Apesar de não termos ficado exatamente hospedados lá, tínhamos o direito de frequentar a aula por estarmos na pousada que também pertencia à dona do albergue. O começo da atividade estava previsto para o meio-dia. Dei aquela enrolada básica no café. A ideia era deixar todos os outros amigos irem e escapar desse mico. Afinal, para quem já leu aqui sobre a minha primeira experiência com a salsa no Uruguai, sabe que eu tinha motivos para temer essa nova investida. Ao mesmo tempo, seria a oportunidade de me redimir. Fiquei eu lá pensando sobre a questão e acabei resolvendo me dar uma segunda chance. Já tinha constatado que a cidade era um saco e não teria muito para fazer naquele dia. Como sempre gosto de valorizar a cultura local e conhecer de perto suas manifestações, teria de me envolver de alguma forma nessa que é a principal delas na cidade.

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A sala estava cheia de gringos, homens e mulheres. Meu consolo era estar misturado ali no grupo e poder passar despercebido. Fora que eu estava ao lado do Edu, amigo fã de heavy-metal, que por si só já chamava muito mais a atenção do que eu (rs). A aula durou uma hora e surpreendeu pelo ritmo muito puxado. Haja fôlego para ficar pulando de um lado para o outro. Como eu vi que tinha gente bem pior do que eu lá, acabei relaxando e levando na boa a atividade. E olha que até me saí bem para quem não sabe nada, conseguindo acompanhar a maioria dos passes. A professora, bem charmosa e simpática, acabou sendo também um bom incentivo. E no fim das contas, não é que foi uma experiência legal? O trauma uruguaio tinha sido vencido!

Não lembram do mico que eu paguei no Uruguai dançando salsa? Então cliquem aqui e leiam a história!
 
Todos estavam mortos depois da aula. Resolvemos apenas tomar banho, comer e aproveitar a tarde para descansar. Fizemos nossas compras no mercado, demos uma volta rápida pelo centro da cidade e preparamos um cachorro-quente durante a noite para variar um pouco o cardápio. Aí, o grupo se dividiu em dois na questão do transporte para Medellín: eu, Ratto e Cíntia optamos pelo ônibus (como dito anteriormente) e os outros cinco foram pela companhia aérea Aires na manhã do dia seguinte. Saímos às 23h, depois de encher a barriga de cachorro-quente e chegamos no nosso destino um pouco antes das 7h da manhã: aproximadamente 8h de viagem. O ônibus fez apenas duas paradas durante a noite. Uma para o pessoal lanchar e usar o banheiro. A outra foi em algum ponto estratégico na estrada, onde um policial entrou e ficou revistando quem considerou suspeito. Mais uma prova de que na Colômbia a questão da segurança está sendo levada muito a sério.
 
Observação: alguém conseguiu me identificar na foto da aula de salsa? Espero que não…
 
 
– Lembre-se de levar um casaco para a viagem de ônibus entre Cali e Medellín. O ar-condicionado é bem forte e você pode congelar lá dentro se esquecer. Como a intenção é ter uma boa-noite de sono, esse detalhe é bem importante.
– Para ligar para o Brasil, procure as cabines que ficam localizadas nas principais ruas do centro. Elas geralmente seguem aquele padrão de outros países sul-americanos como Chile e Peru, e são encontradas em papelarias, lan houses, locadoras, etc. Basta ver escrito na frente de um desses lugares a palavra “llamadas internacionais”. E não se esqueça de perguntar previamente o preço da chamada para o Brasil, porque alguns costumam ser espertinhos e tirar vantagem depois.

Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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