[dropcap style=”style3″]U[/dropcap]ma das características mais nítidas de praticamente todos os países sul-americanos é a intensa valorização da religiosidade. E na Colômbia também não é diferente. Desde que cheguei em Bogotá percebi que uma parcela considerável da população é muito apegada ao catolicismo e as suas práticas. Isso fica ainda mais evidente nas regiões pobres da cidade. Assim como já tinha visto na Bolívia e no Peru, há um número considerável de igrejas históricas misturadas à paisagem urbana. Mesmo para quem não é católico, como eu, visitá-las é sempre uma experiência interessante pela beleza da arquitetura. E se existe uma dessas construções religiosas que merece ser conhecida, principalmente por ser bem exótica, é a Catedral de Sal, em Zipaquirá. Trata-se de uma igreja subterrânea nos arredores de Bogotá, que antes de ser construída era um antigo santuário dos mineiros colombianos da cidade de Zipaquirá.
 
Como este passeio foi realizado no período da tarde, vale contar antes o que fizemos durante a nossa manhã em Bogotá. Começamos por um roteiro cultural/histórico no Museo del Oro. Ele possui o maior acervo de relíquias em ouro do mundo e faz parte da listinha de lugares obrigatórios para conhecer na cidade. Pois bem, para mim foi uma decepção. Claro, ficam aqui as opiniões pessoais. Gosto é gosto, e isso nem se discute. Mas na minha avaliação, foi um dos museus mais chatos que eu conheci. A organização é muito boa, a estrutura do prédio moderna, serviço de guias bem feito e a entrada nem é cara (3.000 pesos, ou aproximadamente R$ 2). O que eu não curti foi a demora da visita guiada e o fato de o tema ser muito cansativo. Nada mais é do que ficar olhando infinitas pecinhas de ouro atrás da vitrine. Tem o seu valor histórico/arqueológico, mas só costumo valorizar museus com assuntos exóticos.
Depois do museu, passeio por uma feirinha de artesanatos e almoço, um delicioso risoto de frango por 7.500 pesos no centro da cidade. Aí, veio a principal aventura do dia. Caçamos dois táxis para chegar em Zipaquirá (detalhes de preços na seção “Anota aí…”) e aceleramos, porque estávamos em cima da hora. Chegamos às 16h na Catedral de Sal e pagamos 20 mil pesos para entrar, precinho bem salgado (trocadilho infame, mas verdadeiro). Com a história recente dos mineiros soterrados no Chile, não deixa de ser uma experiência tensa. Não que o lugar seja apertado e perigoso, mas a iluminação é fraca e a descida relativamente grande. Há várias cruzes esculpidas em sal pelo caminho, assim como citações que relembram os últimos passos de Jesus antes da crucificação. No ponto mais profundo, existe um altar, uma cruz gigante e cadeiras onde acredito serem realizadas missas, principalmente com a participação dos mineiros.
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Não acredito ter sido coincidência, mas todos saíram de dentro da catedral com uma sede absurda. A dica é levar uma garrafa de água, porque o ambiente deve ter alguma influência nesse aspecto. Cansados do passeio, aproveitamos a última noite em Bogotá com um rodízio de pizza caseiro. Compramos 3 pizzas gigantes por 50 mil pesos e umas bebidas colombianas estranhas, uma com gosto de maçã, outra lembrando tutti-frutti.
Todos, então, dormiram cedo e bem alimentados, para conseguir no dia seguinte chegar a tempo no aeroporto e embarcar para Cali…
 
 
– Para quem curte museus neste estilo como o do Ouro, quem sou eu para criticar. Vá em frente e se divirta. Mas sabe o que pode ser bem mais divertido? Uma feirinha despretenciosa que fica logo ao lado do museu. Lá você encontra ótimas opções de artesanato, roupas, chaveiros, canecas e uma lojinha só com produtos feitos com café. Um pote de doce de leite com café custou, por exemplo, 5.000 pesos colombianos (aproximadamente R$ 4). Ótimo lugar para levar alguns presentinhos no retorno ao Brasil.
– De Bogotá para Zipaquirá fechamos dois táxis, cada um cobrando 150.000 pesos por carro. Cada carro tinha 4 pessoas, logo saiu 37.500 para cada um. Ida e volta, com espera de 1h na catedral. Está longe de ser a opção mais econômica, mas foi a mais confortável que conseguimos para um dia corrido. Para gastar menos, segue dica do blog Diário de Mochileiro, do Júnior: “entrar em um bus a partir do Portal del Norte (estação Transmilênio na Rua 170), duração de 45 minutos o percurso desde o centro. A partir daqui, ônibus para Zipaquirá que custa COP$ 2.600 e saem a cada 15 minutos. De trem, Estação de Sabana de Bogotá às 8:30, para na estação de Usaquén às 9:20 am e chega em Zipaquirá às 11:30. Custa 30 mil pesos.
– Para detalhes bem mais neuróticos de Bogotá e arredores: http://www.diariodemochileiro.com.br . Tenha uma segunda visão sobre a região, sob a ótica de um cearense fanfarrão e boêmio…rs

Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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