[dropcap style=”style3″]M[/dropcap]ontar roteiros de viagem se tornou um hábito apaixonante na minha vida. Como todo doido pelo assunto, costumo “viajar” nas ideias, planejando mochilões que talvez só possam ser realizados daqui a muitos anos. Conhecer o mar do Caribe era um desses sonhos que pareciam bem distantes. Não sei se todos têm essa impressão, mas para mim sempre pareceu uma espécie de viagem de luxo, restrita à pessoas com uma boa grana disponível no cofre. Eis que traçando as rotas e destinos nas nossas famosas e polêmicas planilhas do Excel, percebi que era possível sim fazer uma graça caribenha sem ter que vender meus bens pessoais e alguns órgãos. San Andrés estava ali ao nosso alcance, uma ilha colombiana com areias branquíssimas e águas cristalinas. De Cartagena, bastava encarar um voo de 1h30min de duração e desembolsar um valor bem mais em conta que um trecho Rio-João Pessoa, por exemplo.

 

Aeroporto sempre é aquela coisa deliciosa, né? É fila no check in, mais uma para passar no raio-x, outra para entrar no avião e depois para passar na imigração quando chega no destino. Fora o tempo que se perde quando o avião atrasa (bem comum) e depois para pegar a mala que foi despachada. Há uma certa burocracia no aeroporto de San Andrés, você precisa passar por uma cabine de agentes federais, mostrar documentos, fazer um registro de entrada e avisar em que lugar ficará hospedado. Para conhecer a ilha também é obrigatório o pagamento de uma taxa ainda na cidade de embarque, no nosso caso Cartagena. Esse comprovante será entregue ao mesmo fiscal. Na nossa época, estavam cobrando 44 mil pesos colombianos, um roubo visto que quase não há trabalho público de manutenção e preservação do local.

Bom, fora esses trâmites legais, a visão da ilha é sensacional lá do avião. Vale aqui uma explicação que pode parecer muito óbvia, mas muitos não sabem definir direito. Caribe é o nome do mar que fica entre o norte da América do Sul, banha o lado leste da América Central e a parte sul do México. Engloba várias ilhas, dentre as quais se destacam Cuba e Jamaica, por exemplo. Em San Andrés, as águas que banham a ilha são conhecidas como “mar de siete colores”, devido aos diferentes tons de verde e azul que possuem. A sensação é de fazer parte de um daqueles invejáveis cartões-postais. Apesar do inebriante colírio para os olhos, tratamos logo de resolver o problema do estômago. Nossa última refeição tinha sido o café da manhã em Cartagena às 10h e só fomos chegar ao hotel em San Andrés lá pelas 15h.

Do aeroporto para o hotel fomos de táxi, corrida tranquila de aproximadamente 10 reais por carro (como o grupo era grande, fomos em dois). Nem dá pra roubarem muito, já que a ilha não é tão extensa. Nos outros destinos, optamos sempre por ficar em albergues, mas dessa vez resolvemos escolher uma hospedagem mais confortável em San Andrés. O Caribe merecia um pouquinho mais de luxo. Só um pouco, claro. Ficamos no Noble House, que se mostrou uma ótima opção. Calculamos o salgado preço de 100 reais por dia por pessoa, mas a conta saiu bem menor no fim, Ou nós nos confundimos nos cálculos ou foram os gerentes. Acabou saindo 50 por cabeça, quartos com duas camas de casal, frigobar, banheiro privativo, ar condiconado e tv a cabo: uma pechincha. As meninas ficaram em um dos quartos, eu aturei o Ratto no outro. O casal Edu e Gabi ficaram em um terceiro, enquanto nossos dois amigos cearenses escolheram um canto diferente para se hospedar.

Fachada do restaurante de frutos do mar onde almoçamos no primeiro dia em San Andrés
Fachada do restaurante de frutos do mar onde almoçamos no primeiro dia em San Andrés

Depois do almoço, resolvemos dar um mergulho na praia, apesar de o sol já estar se pondo. A fome de praia era tanta que encaramos um banho noturno mesmo, que rendeu ótimas conversas, só interrompidas pelo vento frio e a pele enrrugada que já começavam a incomodar. A primeira impressão da praia, olhando assim mais de perto, decepcionou um pouco, porque ficamos em uma área com muitas algas. Ainda bem que os passeios dos dias seguintes nos mostrariam praias de altíssimo nível…

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– Encontramos um lugar lugar bom e barato para almoçar. Localizado em frente ao clube náutico. O nome: “San Andrés Tipical Taste Internacional”. Lugar confortável, bom atendimento, comida gostosa e valor amigo para mochileiros, algo como 15 reais com bebida (lembre-se que está no Caribe, esse é um ótimo preço). Para quem não gosta de peixes, camarões e outros parentes, sem problemas. Tinha carne e frango numa boa também.


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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