[dropcap style=”style3″]N[/dropcap]os séculos XVI e XVII, os mares caribenhos eram o palco preferido dos piratas. Embarcações lotadas de ouro e metais preciosos deixavam os portos das colônias sul-americanas em direção à Europa, despertando a cobiça dos caras com tapa-olho, perna-de-pau e papagaio nos ombros. Levando em conta a beleza da natureza local, não devia ser um trabalho assim tão estressante. Um corte aqui, uma fratura ali já eram comuns mesmo. Hoje em dia, os salteadores saíram de cena e quem invade a região são os turistas, nessa história em particular, “nós, mochileiros”. Na nossa primeira manhã em San Andrés, resolvemos explorar mais as rotas marítimas e descolamos um passeio fechado de barco para todo o grupo. 

IMG_4024A vantagem de viajar em grupo é sempre a capacidade maior de pechincha. Conseguimos um passeio que durava boa parte do dia por um preço bastante camarada. A tripulação era composta de oito mochileiros, o “capitão” e o assistente dele. Passeio bem proveitoso, onde pudemos avançar mar a dentro e curtir a paisagem no maior estilo. Pela primeira vez nessa viagem, senti muita vontade de ser rico e fiquei com inveja de quem já é (rs). Imagine poder fazer isso sempre? Tem gente que não curte, que enjoa fácil, mas para mim não há coisa mais relaxante que um passeio de barco. Com aquela água surreal em volta, então, não poderia ter sido melhor.O kit-mergulho fazia parte do “pacote”. Estava bem “zoado”, para falar a verdade, mas não atrapalhou a diversão. Pé-de-pato, snorkel e colete de qualidade duvidosa, mas que foram bem úteis durante o passeio. Até por que era apenas flutuação e não um mergulho propriamente dito. Ninguém avançou mais que um metro para o fundo. Havia uma longa corda presa no barco em que cada um de nós se agarrava. Enquanto ele se movimentava, nós íamos com as cabeças mergulhadas observando o fundo do mar e o ritmo de vida lá embaixo. Tudo muito lindo. Em alguns momentos, cardumes de peixes passavam bem próximos à superfície e não encostavam na gente por poucos centímetros. Uma experiência muito legal. 

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Claro que todo grupo sempre tem um “sem noção” e o nosso não era diferente. Ele quase estragou o passeio quando começou a se desesperar na água e passou por cima de todos para voltar ao barco. ase afogou duas pessoas do grupo e causou uma briga séria, mas ainda bem que o problema foi contornado. Nada que estragasse o passeio. Depois de um bom tempo no mar, o nosso barco ancorou em uma pequena ilha e nos deixou lá curtindo o restante da tarde. Saiu para transportar outros turistas e só voltou um bom tempo depois, enquanto curtíamos a vida mansa na ilhota.

 

Algumas coisas são impossíveis de descrever com precisão. Quando o assunto é viagem, fica difícil utilizar as palavras para fazer o leitor entender as características do lugar. Às vezes nem as fotos são suficientes, só estando lá mesmo para saber. Essa é a sensação que eu tenho falando dessa experiência em San Andrés. Somente presenciando para entender. As fotos aqui do post servem apenas de aperitivo e estímulo aos viajantes.

Fato é que, como tudo que é bom nessa vida, o dia acabou e tivemos de voltar para o nosso hotel. Satisfeitos, por ter sido um daqueles dias em que ficamos muito felizes em não termos feito praticamente nada. E um nada com toda essa paisagem em volta ganha mais sentido que muitos dias atarefados e corridos. O corpo e o cérebro agradecem. Até a alma fica feliz…

 

– Uma dica para curtir bem ás águas caribenhas é trazer um snorkel para cá. Sabe aquela máscara com um tubinho embutido? Então, vai fazer a maior diferença quando você quiser observar o fundo do mar, ficar boiando despretensiosamente, curtindo peixes que você provavelmente nunca viu antes. Em San Andrés não era tão baratinho, procure por um valor mais camarada na sua cidade e traga na mala.


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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