[dropcap style=”style3″]T[/dropcap]odo mochileiro que se preze sabe o ritmo de uma viagem longa costuma ser puxado. É quase uma maratona. Não no sentido negativo da palavra, como se estivéssemos passando muito rápido pelas cidades sem realmente aproveitá-las. Na verdade, aproveitamos cada dia do roteiro com uma intensidade muito grande, inserindo diferentes passeios e experiências em um espaço curto de tempo. Isso faz parte da rotina de quem quer conhecer muita coisa sem poder contar com uma folga grande no calendário. E para mim, sempre valeu muito a pena. Mas é inegável que quando a viagem está se aproximando do fim, o corpo e a mente começam a dar sinais de cansaço, pedindo pelo menos uma folguinha. Depois de uma nova viagem de avião, dessa vez de Quito para Cuenca via Aerogal, chegamos exaustos no nosso novo destino. Não teve jeito, tivemos de tirar esse dia 28 como um dia de descanso. Era a hora de reforçar a alimentação e compensar as horas de sono perdidas. E Cuenca se mostrou a cidade perfeita para esse objetivo.

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Chegamos por volta das 10h na Posada del Rio, um lugar simples, mas limpo e bastante aconchegante. Descansamos no sofá do salão central enquanto o nosso quarto era arrumado. Ao receber o “ok” da dona da pousada, deixamos nossas coisas no quarto e demos uma volta rápida pelos arredores, fazendo uma parada estratégica para o almoço. A curiosidade ficou por conta da entrada antes do prato principal: uma vasilha com pipocas. Achei bem diferente comer pipoca antes do salmão ou bife.

Fomos caminhando de leve pelas ruas da cidade, observando o estilo colonial das casas e procurando um mercado para preparar o jantar. Como não é muito extensa, Cuenca é fácil de ser percorrida a pé, pelo menos na parte central. Como o assunto aqui é comida, uma opção legal de passeio é o Mercado Municipal, que tem estabelecimentos vendendo diferentes tipos de frutas, carnes, cereais e vegetais. Lá também é possível encontrar alguns artesanatos e lembrancinhas. Mas não espere nada muito grandioso. As dimensões do Mercado seguem a lógica da cidade, que é pequenina.

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Com nosso estoque de comida reforçado, voltamos para a pousada e aproveitamos a tarde toda para dormir. Lá pelo início da noite é que resolvemos nos mexer, preparar o jantar/lanche, interagir com os outros hóspedes e selecionar alguns filmes da videoteca da pousada para assistir. Esses dois últimos itens, aliás merecem um comentário. Sempre digo que qualquer brasileiro “descolado” se vira bem em uma viagem pela América do Sul, sem precisar se preocupar muito com o idioma. Mas o mais legal é que essas viagens “despretensiosas” nos ajudam a aprender muita coisa no espanhol. É algo que às vezes você nem percebe. Conversando com um casal de americanos, percebi como o idioma já estava entrando no cérebro na marra. Na hora de arranhar no inglês, sempre colocava uma palavra em espanhol na frase. A mente já estava raciocinando em espanhol. Na hora de ver os filmes, a confusão ficou ainda maior. Tanto no “A Rede Social”, quanto no “Se beber, não case”, o áudio estava em inglês e a legenda em espanhol. A cabeça ficou doida sem saber se tentava traduzir um ou outro.

Depois da sessão de cinema, era hora de dormir e guardar forças para o passeio mais elaborado por Cuenca no dia seguinte…