[dropcap style=”style3″]D[/dropcap]urante este mochilão, já havia me surpreendido com uma cidade do roteiro, justamente por esperar pouco dela. Foi Medellín, na Colômbia, que se apresentou como um lugar bem organizado e com ótimos atrativos diurnos e noturnos. A segunda boa surpresa foi a cidade de Guayaquil, a maior do Equador em importância econômica e em número de habitantes. Por alguns textos de guias e sites de viagem, esperava um lugar mais bagunçado, perigoso e sem muitos pontos interessantes para visitar. Mas ao conhecer a cidade de perto, percebi que um dia e meio foi pouco para ficar por lá. Já durante o trajeto de ônibus, vindo de Cuenca, comecei a ver Guayaquil de outra forma, através dos olhos vivos desta linda menina equatoriana que ilustra a foto de abertura do post.

Acordamos bem cedo no domingo e às 8h estávamos tomando o ônibus para o centro econômico do país. A viagem foi muito tranquila, e a paisagem vista pela janela também ajudava muito. O dia estava ensolarado e o céu muito azul. Passamos por regiões serranas, com muita vegetação, montanhas, lagos e animais. No banco a nossa frente, uma jovem mãe tentava acalmar um casal de filhos bastante agitados. Normalmente, fico irritado com crianças bagunceiras dentro de ônibus e avião. Não deixam você dormir, os pais nunca controlam, essas coisas. Mas nesse caso, não me importei muito. Ficamos até brincando com a menina caçula e o tempo foi passando mais rápido. Tanto que chegamos no Terminal Terrestre Jaime Roldós Aguilera sem sentir muito o cansaço da viagem.

Encontramos com o nosso amigo Junior no hostel Nucapacha, depois de o taxista enrolado levar uma eternidade para achar o endereço. Quando chegamos lá, não curtimos a estrutura do lugar, tampouco a localização. Era afastado do centro e sem muitos atrativos ao redor. Resolvemos seguir no táxi até o Manso Boutique Hostel, que ficava em frente ao calçadão Malecón 2000 e tinha estrutura bem melhor. O calçadão em questão é a principal atração da cidade. Trata-se de um moderno conjunto arquitetônico, que conta com monumentos históricos, feiras de artesanatos, obras de arte, museu, restaurantes, lanchonetes, lojas e galerias comerciais. É um dos lugares preferidos do povo local para passear. Há muitos jovens e famílias circulando por toda a sua extensão, de quase 3 km.

 

No Malecón 2000, almoçamos de forma bastante “saudável” no McDonald’s. Depois gastamos a tarde toda e início da noite aproveitando o clima do lugar. Na caminhada sem pressa, foi possível observar, por exemplo, que a população da cidade é mais mestiça que em Cuenca e Quito. Há muito mais negros e brancos, ao contrário das outras duas cidades que tinham uma maioria indígena.

SAM_7584Outra coisa legal para observar é o rio Guayas que banha uma das laterais do calçadão. Ele em si não é muito bonito, as águas são escuras e até sujas, mas não deixa de dar uma atmosfera diferente ao lugar. Há embarcações navegando por toda a sua extensão e até organizando passeios pagos para quem estiver mais disposto a gastar dinheiro.

Dois pontos legais para tirar fotografia: a torre central, que conta com um relógio trazido da Inglaterra em 1842, e La Rotonda, um monumento com as estátuas de Simón Bolívar e San Martín. Neste segundo, há também bandeiras dos países da antiga América Espanhola que se tornaram independentes. Para ser mais preciso, o monumento simboliza um encontro secreto entre os dois líderes em Guayaquil em 1822, para planejar a independência da Grã-Colômbia (que depois se desmembraria em Panamá, Colômbia, Equador e Venezuela).

Resolvemos passear depois por fora do calçadão também, mas aí já nos deparamos com algumas regiões mais feias, que não pareciam ser mais tão seguras assim. Uns ambulantes vendendo camisas piratas dos times locais (o Barcelona de Guayaquil é o que faz mais sucesso) e internacionais. Além de eletrônicos  e outras bugigangas.

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Tomamos suco em uma lanchonete administrada por chineses. Impressionante como os caras estão em qualquer lugar do mundo. E fechamos a noite comendo mais porcarias gordurosas em um KFC. Teríamos metade do outro dia para conhecer outros pontos interessantes da cidade, mas já ficava a sensação de que Guayaquil merecia mesmo mais tempo…

– O Mercado Artesanal que fica em uma das extremidades do Malecón 2000 tem um número razoável de lojas e opções de compra. Mas na minha opinião não é o que concentra peças mais interessantes para levar como lembranças da passagem pela cidade. São muito “comerciais”, no sentido de que não tem muita “identidade” e qualidade. Para presentes mais exclusivos e artísticos, prefira as lojas que ficam na base do bairro histórico Las Peñas.

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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