[dropcap style=”style3″]A[/dropcap]foto que abre o post pode surpreender um leitor desavisado, já que não é assim muito comum ver um bichinho como este passeando em praças públicas. Por mais curioso que ele seja, é bom ligar o alerta ao passear por Guayaquil. Em outros lugares, o normal é você se preocupar com os torpedos dos pombos, mas aqui a maior preocupação é com as iguanas. Sim, há iguanas espalhadas em pleno centro econômico do Equador! Elas são uma atração à parte no agitadíssimo ritmo de vida da cidade e não estão nem aí para os demais. Têm o seu território muito bem demarcado e ai de quem passar despreocupado por baixo das árvores onde elas costumam escalar. Não será uma lembrança assim tão agradável para levar para casa. Neste nosso último dia em terras equatorianas, percorremos as praças onde elas habitam, andamos pela avenida principal 9 de Octubro e conhecemos o lindo bairro histórico de Las Peñas. Fugir do cocô das iguanas foi apenas a nossa última “aventura” antes da despedida.

Caminhando pelo Malecón 2000 até uma de suas extremidades chega-se a um dos acessos ao bairro de Las Peñas. O lugar, construído no início do século XVIII, é o único que ainda preserva a arquitetura da época colonial na cidade. Muitos políticos e presidentes do país moraram no bairro. Já resistiu a alguns incêndios, foi restaurado e reconstruído. Hoje, conta com uma boa estrutura para o turista conhecer. Alguns avisam que é preciso ficar esperto com malandros que rondam a área, mas nos sentimos seguros a maior parte do tempo. O policiamento parecia adequado. Há casas antigas bem coloridas e até carros daqueles clássicos parados em algumas portas (acho que propositalmente para reforçar o cenário). Ao longo do bairro, há também alguns artistas que aproveitam o espaço para expor suas obras.

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Existe apenas uma rua em Las Peñas, a Numa Pompillo Llona, toda de paralelepípedos. O restante do bairro é percorrido através de escadas e becos. Achamos todo o bairro bastante charmoso e “vivo”. Os moradores locais aproveitam o movimento dos turistas para esquentar o comércio local. Do alto do bairro, se tem uma ótima vista de Guayaquil. Outros lugares legais para conhecer no alto do bairro são o Museo El Fortín del Cerro Santa Ana, o farol e uma modesta igrejinha. O primeiro é um espaço dedicado à memória das Forças Armadas do Equador e como era feita a defesa do território no passado. É uma exposição ao ar livre, que destaca principalmente como era a proteção contra os piratas. O farol e a igrejinha ficam no lugar mais alto de Las Peñas, e formam um belo cartão-postal da cidade. Tentei até tocar um piano velho que estava dentro da igreja, mas estava muito desafinado e cheio de teias de aranha. A conservação, pelo visto, não era das melhores.

IMG_6726Depois do passeio, para otimizar o nosso tempo curto, pegamos um táxi e percorremos as principais avenidas da cidade. O engarrafamento não ajudou muito e estávamos quase antecipando nossa volta para o hostel. Mas não podíamos ir embora de Guayaquil sem conhecer o Parque Bolívar, também conhecido como Parque de las Iguanas, por ser justamente o local onde elas estão mais concentradas. Pelo que pude perceber, há funcionários da prefeitura que limpam o local e alimentam as iguanas. Não se sabe muito bem como elas foram trazidas para cá, mas dominam principalmente essa praça no centro da cidade. Os bichos são bem inofensivos e tranquilos, chegam até a posar para as fotos. Em um canto, vi até um bebê sentado em um carrinho tentando bater em um deles, que nem se demonstrava um pouquinho de preocupação. Eles ficam espalhados pelo chão e em cima das árvores. Durante a nossa sessão fotográfica, tivemos de escapar de alguns jatos fedidos expelidos pelos nossos modelos. Felizmente, ninguém foi atingido.

Almoçamos, pegamos um táxi até o aeroporto Simón Bolívar, que fica razoavelmente próximo da rodoviária, e tomamos nosso voo de volta para Bogotá. Nos despedimos primeiro do Junior, que desceria de ônibus para o Peru e, já na capital colombiana, da Vanessa, que seguiria naquela mesma noite para São Paulo. Ficamos apenas eu e o Ratto mais uma noite em Bogotá. Dessa vez nos hospedamos no North Hostel, que ficava na Zona Rosa, o bairro boêmio da cidade. Pegamos um quarto quádruplo, onde já havia um francês. Uma coisa que eu costumo odiar são os estereótipos, mas esse cara não facilitou em nada. Como era fedorento, a mistura de chulé e perfume dava ao nosso quarto um odor especialmente desagradável. Bom, nada de estresse, a viagem estava acabando. No dia seguinte, teríamos a parte do dia para aproveitar novamente a capital da Colômbia, antes de voltarmos para o Brasil. Pelo menos esse era o plano, mas não deu tão certo assim…

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