[dropcap style=”style3″]A[/dropcap] segunda-feira começou com uma mistura de sentimentos antagônicos. Um pouco de tristeza, porque seria o último dia no Caribe. Deixar aquela vida mansa para trás, o conforto do hotel, as praias espetaculares,  o solzão diário e o clima de “glamour” em San Andrés chegava a dar um aperto no coração. Em compensação, teríamos pela frente a descoberta de um novo país, um outro povo, diferentes hábitos culturais e paisagens ainda mais diversificadas. A tarde e noite seriam praticamente perdidas, já que passaríamos um bom tempo no avião até Bogotá e logo em seguida na conexão para Quito. O jeito então era aproveitar ao máximo a última manhã na ilha.Normalmente, nosso grupo organiza os passeios e interesses em cada lugar de um jeito que todos façam as mesmas atividades juntos. Mas nessa manhã, cada um tinha um objetivo diferente. Então foi cada um para um canto. Na verdade, todos correram para fazer compras, mas escolheram lojas diferentes. Eu já tinha esgotado minha lista de presentes e não queria ter mais problemas com o cartão de crédito. Então corri sozinho para a praia, para aproveitar as últimas horas dentro do mar de “siete colores” e fortalecer o bronzeado. Daqui para frente, calor e sol seriam elementos mais raros no roteiro.

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E foram preciosos momentos. Uma forma de despedida em grande estilo, guardando um tempo para aquelas reflexões sobre a vida que são tão bem-vindas durante as viagens. Foi tão bom, que passou rápido demais. Quando resolvi olhar para o relógio, já estava em cima da hora. Voltei na correria para o hotel, tomei banho, arrumei a mala, reencontrei o grupo de mochileiros e seguimos para o aeroporto. Mais dois de nossos amigos se despediriam direto para o Brasil, sem avançar para o Equador. Ficaríamos só eu, Ratto, Vanessa e Júnior no Equador. Na hora do check in, estranhei que a atendente da Avianca tivesse marcado uma das primeiras fileiras no meu bilhete de embarque. O mais normal quando não temos assento marcado é ir para as fileiras mais ao fundo. Tanto que os demais do grupo foram mandados lá para trás. Quando cheguei no avião, uma bela surpresa. Meu assento era de primeira classe! Não me perguntem o porquê, se a atendente simpatizou comigo, se eles sorteiam esses lugares quando ficam vagos, ou se simplesmente houve algum erro. O fato é que eu voltei do Caribe no melhor estilo pomposo, em assentos largos e confortáveis, refeição muito mais “chique” que a dos demais mortais de classe econômica e pagando o mesmo valor pela passagem que meus amigos.

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Primeira refeição no avião, vinha muito mais comida pela frente.
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Enrolado com o dinheiro na hora de fazer o câmbio

 

Bom, não há muito mais o que contar a partir daí. Um tarde e início de noite longos em aviões e aeroportos até chegar às 20h em Quito. Pelo horário e pelo cansaço, optamos pelo táxi mesmo, que não saiu mais que 5 dólares. Chegamos ao hostel exaustos. O pessoal ainda teve disposição para enfrentar a fria noite de Quito e ir atrás de um lanche. Eu fiquei na cama mesmo, mas por sorte me trouxeram um sanduíche lá de fora. Hora de curtir um sono prolongado para recarregar as energias para o Equador…


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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