[dropcap style=”style3″]M[/dropcap]uita gente no Brasil não conhece praticamente nada sobre o Equador. O país é geograficamente pequenino, não faz fronteira com o nosso e não há voos diretos para lá. Talvez os torcedores do Fluminense sejam os que tenham uma memória mais fresca dos equatorianos, já que perderam duas finais para a LDU, time local. Provocações de vascaíno à parte, o tamanho do Equador não reflete a dimensão de sua riqueza histórica, cultural e natural. No nosso primeiro dia na capital do país, ficamos encantados com o número de atrativos e com o centro muito bem preservado. Não à toa, Quito foi uma das primeiras cidades do mundo a ser considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela ONU. Uma joia pequena e rara do nosso continente.

 

Se deslocar em Quito é tranquilo e mais fácil do que em Bogotá. Assim como a cidade colombiana, a capital do Equador segue o sistema de corredores expressos de ônibus, que seria algo como um metrô de rodas, que conta com pistas e pontos de parada exclusivos. Mas por ser menor em tamanho, não tem uma malha rodoviária tão extensa assim, e com um pequeno mapa você aprende fácil a andar pela cidade. A melhor localização para se hospedar é no bairro Mariscal, que concentra diferentes tipos de hotéis e albergues, além de ser a área boêmia da cidade. O que não faltam lá são os restaurantes, bares e discotecas. Dali para o centro histórico é rapidinho de bus.

Assim sendo, pulamos para a parte central de Quito logo após o café da manhã no Blue Hostel, bem fraquinho por sinal. A cidade está situada a 2.850 metros de altitude e o centro é cheio de ladeiras. Se você ainda não está adaptado, tome cuidado para não se deslumbrar com a arquitetura das casinhas e lojas, e andar em um ritmo muito forte. Vai faltar ar.

 

A primeira parada obrigatória é a Plaza de la Independencia, que concentra banquinhos, árvores, pessoas e, claro, pombos. No centro da praça está o monumento da independência equatoriana do controle espanhol, e mais a frente está a sede do governo federal. Ao redor, aproveite para conhecer a catedral e a prefeitura de Quito. Ficamos um bom tempo tirando fotos por aqui. Agendamos uma visita guiada no palácio presidencial para o início da tarde e aproveitamos para conhecer o Centro Cultural Metropolitano, que fica na praça também. Limpo e bem conservado, o prédio é um complexo cultural com museu, biblioteca e sala de exposições. Custa algo em torno de 1 dólar e 50 cents para visitá-lo. O mais legal na verdade são os jardins internos e terraço. Lá de cima, você tem uma vista muito boa da praça principal, das ruas laterais e até dos morros que emolduram a paisagem quitenha. Também é um lugar estratégico para fotos.

Na volta para o palácio do presidente, um ambulante comercializava “produtos milagrosos” para doenças e diversos problemas de saúde. Os mais exóticos eram uns vermes vivos, chamados de “gusanos”. A fome a essa altura do dia já começava a incomodar, mas nada que encorajasse a experimentar os gosmentos. Pois bem, o tour no prédio onde o presidente Rafael Corrêa trabalha é muito interessante. A estrutura do lugar é bonita, assim como as pinturas, os jardins, os itens de coleção recebidos de outros países, as salas onde acontecem as reuniões políticas, outras onde são feitos os banquetes e os pronunciamentos. Foi nesse mesmo prédio, que o presidente enfrentou uma onda de protestos de policiais em setembro de 2010, três meses antes da nossa viagem. A revolta aconteceu depois de cortes de benefícios e redução de salários da categoria. Houve tentativas de agressão ao presidente, mas o cara conseguiu contornar o caos. Quase cortamos o Equador do nosso roteiro por causa desse episódio, mas felizmente os país estava tranquilo nos dias da nossa visita.

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O almoço foi um fast food caprichado de 3 dólares no Caravana, com salada, arroz, frango, fritas e um copo de bebida. Subimos mais algumas ruas e tiramos fotos externas do Convento e Museu de São Francisco. Nesta mesma praça, tomamos um táxi para conhecer um dos principais mirantes da cidade: uma colina chamada de El Panecillo, onde fica La Virgen de Quito. Não gastamos muito mais que 1 dólar com a entrada no mirante e mais uns 6 de táxi, para o camarada ficar esperando uns 15 minutos e nos levar de volta ao centro. Lá de cima, dá pra ver a cidade praticamente toda, assim como os morros que a rodeiam.

A última parada antes de voltar ao hostel foi a Basílica, inspirada na famosa Notre Dame de Paris. Arquitetura interessantíssima, apesar da fachada cinzenta meio sombria, com suas gárgulas nas partes mais altas. Paga-se um pequeno valor para subir até uma das torres, mas estávamos já enjoados de tantos mirantes e resolvemos apenas tirar fotos da parte externa, tomar uma água sentados em banquinhos e fazer graça com nossos chapéus panamás recém-comprados, como vocês podem ver na foto ridícula abaixo.

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Apesar do dia corrido, não deixamos de aproveitar bem a noite no “restaurante Q”, entre as ruas Reina Victoria e Mariscal Foch. Os telões dos restaurantes e bares exibiam o jogo entre Brasil e Equador pelo Sul-Americano sub-20. Aproveitamos a ocasião para provocar nossos adversários e comemorar o 1×0 do Brasil. Tudo na esportiva, já que o povo em volta nem levou o jogo muito a sério. Quem terminou a noite muito bem também foi o nosso amigo Ratto, que tentou correr de uma equatoriana, mas ela o perseguiu até o hostel e insistiu até conseguir o gol da vitória, =P. O fim da noite foi de muita diversão ao lado de brasileiros, equatorianos e um grupo louco de chilenos que também estavam no hostel.

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– O Equador adotou há um bom tempo o dólar como a sua moeda. Fica mais fácil para nós brasileiros que não precisamos fazer uma segunda conversão de moedas. Mas fique atento, grande parte dos estabelecimentos não aceita notas maiores de 20 dólares. São raros os que aceitam notas de 50 e as de 100 são praticamente impossíveis de se trocar. Lembre-se de separar notas menores e moedas para facilitar a sua vida no país. Vale também destacar que, apesar da dolarização da economia, o custo de vida ainda é bem baixo comparado ao das nossas cidades. Por isso, dá pra comer e dormir bem gastando pouco.

– Um bom lugar para pechinchar nas compras é nas barraquinhas que ficam no Panecillo, no mirante da Virgem de Quito. Há uma grande oferta de artesanatos e souvenirs, além dos melhores preços para comprar um legítimo chapéu panamá.