[dropcap style=”style3″]O[/dropcap] Paraná talvez seja o Estado do Brasil para onde eu mais viajei durante estes 26 anos de vida. Desde que parte da família se mudou para lá há anos atrás, fiz vários trajetos de ônibus para Cascavel, sempre dando um pulinho em Foz do Iguaçu e em Ciudad del Leste, no Paraguai, que são bem próximas. No caminho também passava por Londrina, Maringá, Campo Mourão, entre outras cidades. Mas nesse tempo todo nunca tinha tirado alguns dias para visitar Curitiba. No período em que fiquei na cidade, constatei que já devia ter vindo muito antes, pois a capital paranaense é sensacional. O clima e o número de atrativos turísticos é bem grande. Assim como aconteceu em Floripa, chegamos à conclusão de que três dias seriam pouco para aproveitar tudo o que a cidade oferecia.

Chegamos na Rodoferroviária de Curitiba às 11h aproximadamente. Nosso ônibus saiu pontualmente às 7h de Florianópolis. Logo na saída nos dirigimos até um quiosque de informações turísticas, para pegar folhetos e mapas, que foram muito úteis na hora de organizar os roteiros e passeios. Fomos andando dali até o nosso albergue, seguindo pela Avenida Sete de Setembro, que é continuação da Avenida Presidente Afonso Camargo. Cinco quadras depois dobramos na Rua Barão do Rio Branco e chegamos no Roma Hostel, que é credenciado pela Hostelling Internacional. Em frente está a praça Eufrásio Correia. Atravessando o sinal da Av. Sete de Setembro logo ao lado, fica o Shopping Estação. Demos a sorte de ficar em um quarto coletivo onde não havia mais ninguém além de nós três. A acomodação estava muito bem limpa, com chuveiros fortes e de água quente, camas com cobertores e uma televisão. Café da manhã de boa qualidade e com grande variedade de frutas, bolos e sucos, além de um atendimento bom e localização perfeita (em bairro colado ao centro da cidade). Recomendo muito este hostel. Há um outro credenciado pela rede que fica no bairro de Campo Comprido, o Eco Hostel. Pelas fotos e descrições parece ser ótimo, mas a localização não ajuda muito.

 

SAM_8189Nosso almoço foi na praça de alimentação do Shopping Estação, que como o nome já indica foi uma estação ferroviária no passado. Hoje, além de lojas, restaurantes e lanchonetes, possui um museu dedicado à história dos trens na cidade. Bem alimentados, resolvemos conhecer um dos principais cartões-postais de Curitiba, o Jardim Botânico, que fica há uns 15 minutos de ônibus dali. Também foi uma boa oportunidade para conhecer o tão famoso sistema de transporte público da cidade. Os ônibus expressos já serviram de inspiração para outros lugares no mundo como Bogotá (Colômbia), Los Angeles (EUA) e para o que está sendo implantado no Rio. A lógica é simples: existem terminais de conexão localizados estrategicamente em diferentes bairros da cidade. Uma linha principal integra esses terminais. Uma vez neles, existem linhas alimentadoras que conectam o passageiro para ruas e regiões secundárias. Os ônibus circulam em faixas exclusivas, os demais veículos tem de trafegar em outras vias separadas. O embarque nos ônibus, que são aqueles grandões biarticulados, acontece em Estações Tubo, onde a pessoa paga a passagem, passa pela roleta e espera o seu ônibus. Isso agiliza as viagens, porque quando o ônibus para no ponto, os passageiros entram direto e, em poucos segundos, as portas se fecham e o veículo segue seu destino. Nesse ponto, assemelha-se ao que acontece no metrô.

Para chegar no Jardim Botânico basta descer no ponto de mesmo nome. O lugar é lindo, muito bem conservado, com muito verde, árvores, lagos e jardins coloridos. Existe uma sala de Exposições, estacionamento, espaço cultural e um museu botânico, além da estufa que é o símbolo principal do lugar. Ela é toda feita de uma estrutura metálica e vidro. Tem três abóbodas, é toda climatizada e conta com diferentes espécies de vegetação. Imperdível. A entrada no Jardim Botânico é gratuita, o horário de funcionamento é de 6h às 20h durante todos os dias. No horário de verão, o visitante ganha uma hora a mais e pode ficar lá até 21h. Depois de bater perna, o melhor é ficar largado na grama curtindo a paz do local. Foi o que fizemos durante um bom tempo, até termos a ideia de conhecer o estádio do Atlético-PR antes do anoitecer.

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Nos enrolamos com o ônibus para chegar lá. As pessoas não nos souberam informar muito bem as direções a serem seguidas. Com muito custo, depois de dar umas voltas desnecessárias, chegamos na Arena da Baixada. O estádio também é conhecido no Brasil pela sua estrutura, muitos dizem ser o mais moderno do país. Será uma das sedes da Copa de 2014. Fomos conferir se ainda havia ingressos para o jogo do dia seguinte entre o time da casa e o nosso Vasco. Resposta positiva, mas a um custo muito alto: R$ 60 reais cada um! Pensei bastante antes de comprar, mas refleti que seria uma oportunidade única de ver nosso time em ação na Copa do Brasil, em um estádio tido como referência. Nosso amigo Vanderson, que é Fluminense, obviamente não quis gastar essa quantia para ver a partida. Com o meu ingresso e o do meu irmão garantidos, demos uma volta pela loja do time, também moderna e bem estruturada.

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Optamos por não fazer a visita guiada, até porque conheceríamos o interior da Arena no dia seguinte durante o jogo. Mas para quem deseja fazer a visitação, basta comparecer ao Posto de Informações localizado na entrada pela Rua Buenos Aires. O passe custa R$ 7, obrigatoriamente em dinheiro, e as visitas são feitas praticamente  todos os dias. Os horários são 10h, 11h, 12h, 14h, 15h e 16h. Em dia de jogos as visitas são feitas até 4 horas antes da partida. Já no primeiro dia útil após os jogos, só começam a partir das 14h.

Resolvemos voltar andando do estádio. A caminhada é longa, mas dá para fazer com tranquilidade. Se soubéssemos que não era nenhum absurdo, nem tínhamos ido de ônibus para lá. No dia seguinte, essa seria nossa opção para ir até o jogo, até para fugir dos ônibus lotados de torcedores bagunceiros.