[dropcap style=”style3″]A[/dropcap] última lembrança que tínhamos de Santa Catarina era da interiorana cidade de Caçador. Há mais de 20 anos, meus pais tiveram a ideia de fazer uma visita surpresa aos nossos tios e primas que moravam lá. Na época, fazia um frio absurdo e os dias amanheciam sempre com os jardins e plantações castigados pela geada noturna. Foi uma viagem muito agradável, que nos deixou  ótimas recordações do Estado. Mas nosso retorno às terras catarinenses agora seria bem diferente. Era a hora de conhecer a capital e viajar de forma mais independente. Meu irmão e eu chegamos em Florianópolis perto das 10h, mas tivemos que esperar nosso amigo Vanderson até as 12h30min no aeroporto. Enquanto aguardávamos o atrasado, vimos a delegação do time de futebol do Avaí embarcando para Chapecó, onde faria a final do campeonato estadual contra o Chapecoense. Também tive tempo suficiente para elaborar os detalhes do nosso roteiro durante os 3 dias que passearíamos pela cidade.

Como metade do dia já havia sido perdido em aeroportos e aviões, o jeito era conhecer os atrativos mais próximos do nosso albergue. Optamos por bater perna pelo centro histórico e conhecer a ponte Hercílio Luz (principal cartão-postal da cidade) logo após o almoço. No domingo, iríamos para o norte da ilha e deixaríamos a segunda-feira para visitar o sul e a área da Lagoa da Conceição.

 

Florianópolis possui um bom número de albergues, mas a maioria fica localizada perto das praias do norte e do leste. Na minha opinião, se hospedar no centro é estrategicamente mais interessante. De lá pode-se pegar ônibus com facilidade para os outros cantos da ilha. Há mais opções de comércio em volta, a rodoviária é facilmente alcançada a pé e o aeroporto não fica assim tão longe também. Nossa opção foi o HI Hostel Floripa, que fica na rua Duarte Schutel 227. Achamos a estrutura boa para o padrão nacional e o atendimento ótimo.

SAM_7815A caminhada pelo centro da cidade começou pelo calçadão da Felipe Schimdt, uma rua fechada, por onde não transitam veículos. Nos dias de semana, costuma ficar lotada de pessoas andando em todos os sentidos. Há boas opções de lojas, livrarias, lanchonetes, que disputam espaço com os ambulantes. Logo ali perto está o Mercado Público Municipal, que reúne lojas de roupas e de artesanatos,  bares e alguns restaurantes. No sábado, não estava muito bem frequentado, tanto em quantidade como na qualidade. Na segunda, quando voltamos lá, a movimentação já era bem maior e melhor. Mas sinceramente, não gostei muito da estrutura do lugar. Achei pequeno, mal conservado e sem muita variedade de produtos e serviços, principalmente se comparado a outros mercados públicos das capitais brasileiras.

Outro ponto de referência no centro é a praça XV de Novembro. Segunda os historiadores é o marco fundamental de Floripa, onde a cidade nasceu em 1662, ainda com o nome de vila de Nossa Senhora do Desterro. No centro dela fica a Figueira Centenária, envolta em histórias e superstições. Está ali plantada deste 1871, ramificando seus galhos por quase toda a praça. Vale a pena conhecer e tirar um foto. Ao redor da praça, há mais dois atrativos para visitar. Um deles é a Catedral Metropolitana, uma construção amarela que possui grande acervo de arte sacra. O outro é o Palácio Cruz e Souza, um prédio rosa que abriga o Museu Histórico de Santa Catarina. No interior há exposições que tratam da história e cultura catarinense, assim como um mobiliário antigo e obras de arte da época em que o governador do Estado morava lá. O prédio é do século 18 e tem uma fachada bem bonita. Para visitá-lo, é bom ficar atento aos horários: de terça a sexta, das 10h às 18h, sábado e domingo, das 10h às 16h. O ingresso custa míseros R$ 2, mas na nossa correria de conhecer mais coisas na cidade, acabamos não entrando.

 

Depois da parte histórica, continuamos em direção à ponte Hercílio Luz, que nada mais é que um símbolo decorativo da cidade. Foi construída na década de 20 para conectar a parte insular de Floripa com a parte continental. Antes essa travessia só era feita por barcos. O nome dela é uma homenagem ao governador que idealizou sua construção. Ela foi interditada em 1991 e hoje em dia é apenas um monumento histórico da cidade. A travessia entre as duas partes da capital é feita pela ponte Governador Pedro Ivo Campos. De vários ângulos da cidade dá para tirar boas fotos da Hercílio Luz, que fica muito bonita com a iluminação noturna. Mas não deixa de ser interessante conhecer ela mais de perto através do mirante, que fica na extremidade ligada à ilha. É preciso encarar uma pequena caminhada e subida para chegar lá, nada que vá deixar você de língua de fora.

Passamos o nosso fim de tarde no mirante, conversando e apreciando a vista da cidade. O tempo estava nublado, mas nem por isso estragou nosso primeiro dia de viagem. Durante o período em que ficamos parados, muitos carros passaram pelo local. A maioria das pessoas apenas parava para tirar fotos e saía logo em seguida. Alguns casais é que aproveitavam a paisagem para dar uma namorada com mais tranquilidade. Como não queríamos ficar muito tempo segurando vela, resolvemos seguir nosso passeio pela orla mais ao norte. O calçadão é paralelo à Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos. Muita gente estava correndo, passeando com o cachorro e andando de bicicleta. A conservação do local estava muito boa.

Terminamos nosso dia no Beiramar Shopping, lanchando, ouvindo a banda do Corpo de Bombeiros que se apresenta em uma das praças e apreciando, deslumbrados, a beleza das mulheres catarinenses. Uma mistura de rostos europeus com corpos brasileiros. Nunca vi no Brasil uma concentração tão grande de loiras e morenas lindas como em Floripa. Some-se isso à simpatia da maioria da população florianopolitana, tive motivos de sobra para encerrar a minha primeira noite na cidade com um largo sorriso de satisfação.

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