[dropcap style=”style3″]O[/dropcap] domingão amanheceu ensolarado, com o céu bem azul. Cenário ideal para curtir uma praia. Nem precisa dizer que isso é o que não falta em Floripa. Diante de tantas opções, resolvemos escolher o litoral norte da ilha, especificamente duas praias: Jurerê e Canasvieiras. Daria até para passear por outras se estivéssemos de carro, mas como não completei nem um ano de carteira de habilitação, não poderia alugar um. E apesar de ser fácil utilizar ônibus na cidade, a frequência deles não é assim tão boa, principalmente nos fins de semana. Por isso, o roteiro teve de se limitar a essas duas praias durante a manhã e o início da tarde. A partir das 16h, teríamos de correr atrás de uma televisão, pois o dia era de finais de campeonatos estaduais pelo Brasil. Em nome do nosso vício pelo futebol, não poderíamos perder os jogos.

Utilizando o sistema de terminais, pegamos o ônibus no TICEN (Terminal de Integração Centro) e descemos no TICAN (Terminal de Integração Canasvieiras). De lá, novo ônibus, para saltar mais ou menos perto da praia de Canasvieiras. Por toda “viagem” só é cobrado o valor de uma passagem. Para encontrar o lugar certinho, só perguntando mesmo para os nativos e ir caminhando. Mas tudo bem tranquilo. A praia é de areia fina e clara, com extensão média para os lados, mas  curta entre o mar e a vegetação ou o muro das casas. A foto que abre o post é de lá, dá para ter uma boa noção do lugar. O legal nesse dia é que a movimentação na praia também não estava grande, deu para aproveitar o lugar com mais tranquilidade. Não sei se é sempre assim ou se tinha a ver com a época (maio/outono). O mar costuma ser sempre calmo, com ondas bem fraquinhas. Passamos a manhã toda aproveitando o visual e descansando.

 

A primeira ideia era ir andando pela orla até Jurerê, mas descobrimos que isso era impossível. Não há uma faixa de areia ligando as duas praias, apenas uma barreira de rochas e vegetação densa no caminho. Percebemos que não dava para seguir por ali. O jeito foi retornar para o asfalto e seguir o fluxo dos carros. O caminho não era tão curtinho quanto pensávamos e a travessia era cansativa principalmente pelo sol do meio-dia que castigava nossas costas. O estômago já começava a roncar e também não facilitava a caminhada. Fomos achar um restaurante aberto só próximo à entrada da praia de Jurerê, que aliás se divide em duas: a Tradicional e a Internacional. A primeira fica mais ao oeste, a segunda mais a leste. A faixa de areia também é curta por aqui, as residências e condomínios praticamente invadem a praia. Apesar disso, conta com uma boa vegetação. As águas são calmas e a areia fina. Pelo estilo das casas e dos iates que ficam ancorados em um ponto específico, percebe-se que é frequentada mais por uma galera com dinheiro.

 

Quando eram umas 15h30min, resolvemos sair da praia e correr atrás de uma televisão. A ideia era ver a final da Taça Rio, que seria disputada entre Vasco e Flamengo. Achei que seria uma missão relativamente tranquila, porque há muitos vascaínos em Santa Catarina. Mas por onde passávamos, víamos apenas televisões ligadas no jogo entre Avaí e Chapecoense, times locais. Várias casas estavam, inclusive, decoradas com bandeiras do Avaí, que tem sede na capital do Estado. Perdemos o primeiro tempo inteiro nessa brincadeira. No intervalo dos jogos, passamos por um supermercado e perguntamos se sabiam quanto estava o placar do clássico carioca. Um mísero 0x0. Do nada, uma mulher doida passou por nós e gritou um estridente “Urra, Leão!” em nossos ouvidos, em referência ao mascote do Avaí, time que ganhava a final catarinense por 2×0 naquele momento. A frase viraria um dos bordões da viagem, principalmente porque o Chapecoense empataria o jogo no segundo tempo e seria o campeão desse ano.

 

Depois de mais de uma hora e meia de procura, chegamos no centro de Canasvieiras, onde só achamos televisões ligadas no jogo local ou no clássico entre Internacional e Grêmio. Impressionante a quantidade de gaúchos por essas bandas. Esbarramos até em um mendigo argentino no caminho, que também foi algo, digamos, fora do comum. Quando já estávamos desistindo, vimos um bar movimentadíssimo. Várias camisas de times diferentes. Eram três TV’s, uma ligada no clássico paulista, outra no gaúcho e finalmente uma no clássico carioca. Nesta última, apenas um garoto estava com os olhos fixos. Mas usava a camisa rival, do Flamengo. Ficamos em pé, do lado de fora do bar, assistindo ao jogo. O mais engraçado é que os três jogos foram para as cobranças de pênalti, o que tornou o clima no lugar ainda mais tenso. Bom, o final dessa história não foi muito boa. Flamengo, Corinthians e Internacional foram os vencedores.

O negócio foi voltar para o albergue, esfriar a cabeça e dormir para esquecer o jogo. Precisaríamos estar bem dispostos e animados para o dia seguinte, nosso último em Floripa.