[dropcap style=”style3″]N[/dropcap]ão era brincadeira quando eu escrevi no post passado que Curitiba oferece um grande número de atrativos turísticos. Parece que a cidade foi toda planejada para obrigar o turista a não querer deixá-la nunca. Nessa nossa viagem pelo sul do Brasil, tive a missão de planejar os roteiros e passeios. Na capital paranaense, tive de quebrar a cabeça para juntar o máximo de lugares em tão pouco tempo. Não sei se foi o ideal, mas nós queríamos conhecer tudo que fosse possível nos dois dias que nos restavam na cidade. Para essa quarta-feira, o roteiro era o seguinte: Mercado Municipal, centro histórico, Passeio Público, Memorial Árabe, estádio Couto Pereira, Museu Oscar Niemeyer, Bosque do Papa e Bosque Alemão. A missão: gastar o mínimo de dinheiro com o máximo de diversão. Estava dada a largada à maratona turística.

Nosso primeiro ponto de parada foi o Mercado Municipal. Não é assim tão grande, mas concentra um bom número de estabelecimentos e barraquinhas. Muitas frutas, doces, enlatados, vinhos, artesanatos e tudo o que é típico de um mercadão como esse. Tem de tudo um pouco. Reserve uma graninha para as compras. Se a ideia for levar presentes e lembrancinhas para casa, esse é o lugar. Principalmente no que se refere a gêneros alimentícios. Na parte de “souvenirs”, eu preferi as lojinhas da Rodoferroviária, que fica bem próxima ao Mercado. Seguindo a lógica do mapa, seguimos andando em direção ao centro histórico pela rua Mariano Torres e dobrando à esquerda na rua XV de Novembro. Passamos pela Capela Santa Maria, pelo Teatro Guaíra e paramos em frente ao prédio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que fica na Praça Santos Andrade, para tirar umas fotos e reabastecer as energias. A arquitetura da faculdade é linda, com suas seis pilastras que lembram muito o estilo grego da Antiguidade. O prédio foi inaugurado em 1915. Mais a frente, na praça Generoso Marques, fica o Paço da Liberdade, prédio antigo que abriga um espaço cultural.

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Seguimos pela rua XV de Novembro, que no seu trecho inicial é conhecida como Rua das Flores. Ela é exclusiva para pedestres, nada de carros por aqui. Um ótimo lugar para passear tanto de dia quanto de noite. Concentra diferentes bares, restaurantes e prédios históricos. Tem canteiros de flores por toda a sua extensão, daí o nome popular. Também é comum ver artistas de todos os tipos apresentando suas produções, sejam músicas ou pinturas, ou atuando como “estátuas humanas” e palhaços. Seguimos até o local onde fica o Palácio Avenida, que hoje pertence ao Banco HSBC. Além da agência bancária, também abriga um espaço cultural. É lá que acontece a famosa apresentação do coral de Natal todo ano, com crianças cantando músicas típicas da data.

Voltamos pela Rua das Flores e entramos à esquerda na rua Monsenhor Celso, até avistar a praça Tiradentes, a mais antiga da cidade, o marco oficial onde nasceu Curitiba. Abriga também a Catedral Metropolitana. Subindo e virando à esquerda na rua São Francisco começa a lista de prédios: Casa Romário Martins, Igreja da Ordem, Memorial de Curitiba, Igreja Presbiteriana Independente, Igreja do Rosário e a Mesquita Muçulmana. Demos meia-volta pela mesma rua e dobramos à esquerda na rua Presidente Faria, onde logo avistamos o Passeio Público e o Memorial Árabe. O primeiro foi todo reformado há pouco tempo e tem diferentes espécies de pássaros, como se fosse um zoológico mesmo. O que não falta também são árvores, lagos e até ilhotas. Tem também restaurante lá dentro para quem quiser almoçar. Do lado de fora, no prédio que homenageia a cultura árabe, há um café, uma biblioteca e uma pinacoteca com obras típicas.

A partir do centro começamos a fase de caminhadas mais longas. A parada seguinte foi no estádio Couto Pereira, casa do Coritiba, que fica no bairro Alto da Glória. Ao invés de fazermos uma visita guiada pelo interior, optamos por gastar nosso tempo almoçando na churrascaria do estádio. O dinheiro economizado em ônibus e táxis durante o dia foi “investido” na alimentação. Por uns R$ 30 cada, comemos até não sobrar um milímetro de espaço no estômago. O valor dava direito ao rodízio de carnes e massas, bebidas pagas à parte. Foi uma espécie de recompensa para os meus dois companheiros de “maratona” por Curitiba, que não estavam acostumados ao ritmo doido das minha viagens. Comida de alta qualidade, recomendo muito. Na saída da churrascaria, demos uma passada pela loja do clube para ver o preço das camisas.

Foi aí que, bem alimentados, resolvemos explorar mais três lugares na cidade que eram mais distantes. Primeira parada no Museu Oscar Niemeyer, que de longe parece um olho. Além da arquitetura vistosa, abriga exposições com conteúdos ligados ao ramo das artes visuais e do design. Funciona de terça a domingo, das 10h às 18h, com ingressos sendo vendidos até ás 17h30min. A visita custa R$ 4. Nossa segunda parada foi no Bosque do Papa João Paulo II. Entrada gratuita, tem uma área verde muito bonita, casinhas de madeira no estilo polonês e jardins com muitas flores coloridas. Abriga também o Memorial da Imigração Polonesa. Conversamos, inclusive, com uma senhora que tinha vindo da Polônia e trabalhava na loja de artesanatos. Falava um português perfeito. Perguntou se estávamos achando Curitiba fria e, diante da  resposta positiva, afirmou que nem se comparava ao frio do país dela, onde as pessoas não podiam sair de casa em determinados períodos do dia no inverno, com o risco de morrerem congeladas. Fez um certo drama, mas a conversa foi boa. Outra coisa legal é o número de araucárias que estão espalhadas por esse bosque. Essa árvore é a mais característica do Paraná, um símbolo do Estado. O bosque fica aberto todos os dias das 6h às 20h.

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A última parada do dia, antes da concentração para o jogo da noite na Arena da Baixada foi o Bosque Alemão. Vale dizer que ele está situado em uma área nobre de Curitiba, o bairro Vista Alegre. Só casarões no estilo Hollywood. Chegamos no bosque no fim da tarde, já escurecendo. À primeira vista, pensamos que se resumia apenas ao portal, mas percebemos que atrás dele estava a passagem para o bosque propriamente dito. O lugar é uma homenagem aos imigrantes alemães, que vieram em massa para a cidade no século XIX. Funciona todos os dias das 8h às 20h. Todo o lugar é muito lindo, com muita vegetação e nascentes de água. Existe uma trilha principal com painéis de azulejo que vão contando a história de João e Maria, escrita pelos irmãos Grimm. Como a primeira placa que lemos estava escrito “e foram felizes para sempre”, percebemos que tínhamos começado o passeio pela saída. Não que fizesse tanta diferença, apenas tivemos de ler a história de trás pra frente. Em meio a trilha existe uma biblioteca infantil chamada de Casa da Bruxa ou Casa dos Contos, onde acontecem apresentações de teatro para as crianças. O ponto final da nossa caminhada, que na verdade deveria ter sido o inicial, foi a Torre dos Filósofos, onde se tem uma vista privilegiada do bosque e do centro de Curitiba ao fundo.

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Voltamos para o hostel e iniciamos a concentração para o jogo entre Vasco e Atlético-PR. Fomos andando até o estádio pela avenida Sete de Setembro, virando à esquerda na rua Buenos Aires, depois de mais de dez quadras. O que eu não comentei antes é que compramos ingressos para ficar na torcida do Atlético, por julgar que a localização da torcida do Vasco no estádio seria muito ruim, num canto diagonal ao gramado. Mas a ideia acabou não sendo muito boa. Estava difícil disfarçar, em meio a torcida do Furacão, que estávamos torcendo justamente para o time visitante. Na hora do gol do Vasco, o impulso de comemorar teve de ser contido. Mas não deu para esconder a irritação quando veio o empate. Tanto que torcedores rubro-negros atrás da gente ficaram nos sacudindo por notar que estávamos completamente parados, enquanto o restante do estádio pulava. No fim das contas, o 2×2 acabou sendo bom para o Vasco. Gostamos muito da estrutura da Arena, da experiência de ver nosso time jogando lá e até da animação da torcida local, que lotou as arquibancadas. Mas legal ainda foi saber semanas depois que fizemos parte da campanha que nos tornou campeões da Copa do Brasil pela primeira vez.

Ufa! Lá pela meia-noite, a primeira corrida turística tinha acabado…

Jogo CAP x Vasco
Jogo CAP x Vasco
Torcida rubro-negra
Torcida rubro-negra