[dropcap style=”style3″]Q[/dropcap]uem já leu outros posts aqui do blog sabe que não sou muito fã de “city tours” preparados por agências e outros meios que reúnem turistas em grupos para conhecer alguma localidade. O estilo econômico e, principalmente, independente é o que procuro seguir nas minhas viagens. Uma rara exceção já aconteceu em Punta del Este em 2010 e novamente agora em Curitiba. Muita coisa na cidade pode ser feita a pé ou em ônibus convencionais. Mas alguns lugares da capital paranaense não são assim tão fáceis de serem alcançados para quem está sem carro e depende diretamente dos ônibus. Pelo tempo curto que teríamos no nosso último dia cheio em Curitiba, optamos por utilizar a Linha Turismo, que se mostrou uma ótima alternativa para visitar os pontos turísticos mais afastados do centro. Estrategicamente, demos conta mais uma vez de um bom número de atrativos em apenas um dia.

A Linha Turismo é uma linha de ônibus especial que circula por 24 pontos turísticos da cidade. Você compra um passe de R$ 25 e tem direito a um embarque e quatro reembarques. Funciona de terça a domingo das 9h às 17h30min. Ao meu ver, não faz muito sentido utilizá-la para pontos mais próximos do centro, que podem muito bem ser conhecidos a pé ou em outros ônibus mais baratos. O valor de R$ 25 só compensa quando a pessoa monta o roteiro de forma a privilegiar pontos mais distantes, onde os ônibus convencionais são menos frequentes e uma corrida de táxi sai bem mais cara. Na teoria, o ônibus da Linha Turismo passa a cada 30 minutos em cada parada. Na prática, esse intervalo varia para mais ou para menos de acordo com o trânsito. Mas é óbvio que certos lugares pedem mais tempo que 30 minutos, por isso cada pessoa deve se organizar para aproveitar cada passeio da forma que lhe é mais conveniente. Os seguintes pontos turísticos são atendidos pela linha especial:

  1. Praça Tiradentes – primeiro horário: 09h / último horário: 17h30
  2. Rua das Flores – primeiro horário: 9h06 / último horário: 17h36
  3. Museu Ferroviário – primeiro horário: 09h20 / último horário: 17h41
  4. Teatro Paiol – primeiro horário: 09h27 / último horário: 17h57
  5. Jardim Botânico – primeiro horário: 09h36 / último horário: 18h06
  6. Estação Rodoferroviária – primeiro horário: 09h43 / último horário: 18h13
  7. Teatro Guaíra e UFPR – primeiro horário: 09h49 / último horário: 18h19
  8. Paço da Liberdade – primeiro horário: 09h51 / último horário: 18h21
  9. Passeio Público e Memorial Árabe – primeiro horário: 09h52 / último horário: 18h22
  10. Centro Cívico – primeiro horário: 09h55 / último horário: 18h22
  11. Museu Oscar Niemeyer – primeiro horário: 09h57 / último horário: 18h27
  12. Bosque do Papa (Memorial Polônes) – primeiro horário: 10h00 / último horário: 18h30
  13. Bosque Alemão – primeiro horário: 10h11 / último horário: 18h41
  14. Univers. Livre do Meio Ambiente – primeiro horário: 10h15 / último horário: 18h45
  15. Parque São Lourenço – primeiro horário: 10h25 / último horário: 18h55
  16. Ópera de Arame – primeiro horário: 10h28 / último horário: 18h58
  17. Parque Tanguá – primeiro horário: 10h31 / último horário: 19h01
  18. Parque Tingui – primeiro horário: 10h38 / último horário: 19h08
  19. Memorial Ucraniano – primeiro horário: 10h42 / último horário : 19h12
  20. Portal Italiano – primeiro horário: 10h47 / último horário : 19h17
  21. Santa Felicidade – primeiro horário: 10h56 / último horário : 19h26
  22. Parque Barigui – primeiro horário: 11h04 / último horário : 19h34
  23. Torre Panorâmica – primeiro horário: 11h09 / último horário : 19h39
  24. Setor histórico – primeiro horário: 11h17 / último horário : 19h47

Como ficamos hospedados em frente ao Museu Ferroviário, já descartamos de cara as nove primeiras opções, todas conhecidas a pé no dia anterior ou em ônibus convencional, assim como a última opção, o Setor Histórico. O Centro Cívico, o Museu Oscar Niemeyer, o Bosque do Papa e o Bosque Alemão, também fizemos a pé, mas forçando um pouco a barra. Principalmente os bosques podem ser feitos com mais tranquilidade pela Linha de Turismo. Para chegar na Torre Panorâmica também é relativamente tranquilo utilizar ônibus convencional. Conclusão: indico utilizar seus tíckets para desembarcar nos pontos dos números 12 ao 22.

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Nosso roteiro durante este dia foi o seguinte: embarcamos na Linha Turismo no ponto do Shopping Estação / Museu Ferroviário. De lá seguimos para a Universidade Livre do Meio Ambiente, que é uma organização não-governamental para estudos sobre o meio ambiente e projetos de sustentabilidade urbana. Existem cursos específicos lá para quem quiser investir nessa área de conhecimento. Sinceramente, achei meio sem graça. Vale pela vista que se tem no topo da universidade, mas no geral não há nada muito turístico a oferecer. O próximo ponto visitado foi a Ópera de Arame, um teatro todo construído com tubos de aço. Tem um formato circular, uma ponte de acesso e um lago artificial ao seu redor. É uma estrutura bonita, inserida em uma paisagem natural que valoriza o lugar. Mas vale apenas uma visita rápida, para tirar fotos e curtir a originalidade da arquitetura.

Para poupar um ticket de embarque, resolvemos ir andando até o Parque Tanguá. Não era assim tão pertinho como estávamos pensando, mas nada desesperador também. A foto que abre o post é de lá. O parque é um dos principais da cidade, possui dois lagos, conta com ciclovia, posto de corrida, estacionamento e uma lanchonete, onde fizemos o nosso “almoço”. Ele foi construído em cima de duas pedreiras, que já estão desativadas. Dois lugares muito bonitos que passamos no meio do caminho e acabamos não parando foram o Parque Tingui e o Memorial Ucraniano, um do lado do outro. As áreas verdes de Curitiba merecem elogios, aliás, são muito bem conservadas e limpas. Outro ponto interessante é o bairro Santa Felicidade, famoso pela variedade de opções gastronômicas. A mais badalada delas é o Madalosso, restaurante considerado o maior das Américas, que tem como especialidade a culinária italiana. Nosso plano era ir nele no período da noite, mais o cansaço acabou sendo mais forte e tivemos de adiar para uma outra oportunidade.

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Nossa parada mesmo foi no Parque Barigui, que é um dos maiores e mais frequentados da capital. Várias famílias e jovens vão pra lá, assim como é comum ver pessoas correndo e andando de bicicleta a todo momento. Mas os humanos não são os únicos por essas bandas. Vários animais como capivaras e aves dividem o espaço com os esportistas. Escolhemos o lugar para ficar largados na grama, descansando e curtindo boa parte da nossa tarde. Um cochilo revigorante, a propósito.

Nosso último passeio em Curitiba foi a Torre Panorâmica, estrategicamente escolhida para que pudéssemos ver o pôr-do-sol lá de cima (o último ticket de embarque gastamos para voltar de para o albergue). A estrutura pertence a Oi atualmente, que a utiliza para os seus serviços de telecomunicação na cidade. O lugar é privilegiado principalmente pela possibilidade única de ter uma vista em 360° da capital paranaense. Depois que você conhece vários pontos interessantes de Curitiba de perto, tem a oportunidade de vê-los lá de cima, sob um novo ângulo. A torre fica aberta para visitação de terça a domingo, das 10h às 19h. O que é tempo suficiente para ver a cidade iluminada pelo sol, contemplar o mesmo se pondo no horizonte e curtir a paisagem noturna igualmente linda da cidade. Não há melhor forma de constatar que Curitiba é show!

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