[dropcap style=”style3″]A[/dropcap]lém das praias bonitas, do povo simpático e do centro histórico limpo e organizado, Floripa conta com outros encantos. Separamos a nossa segunda-feira, último dia na cidade, para conhecer a parte sul e leste da ilha. As praias mais famosas do sul são: Campeche, Morro das Pedras e Armação. No leste, Moçambique, Barra da Lagoa, Praia Mole e Joaquina são as mais badaladas. Novamente por causa da nossa dependência dos ônibus, tivemos de privilegiar apenas um lugar em cada uma dessas partes. Durante a manhã passeamos por Ribeirão da Ilha, guardando a tarde para conhecer a Lagoa da Conceição. Na minha opinião, acabaram sendo escolhas muito boas, porque este seria o nosso melhor dia na cidade.

Para ir até Ribeirão da Ilha andamos até o TICEN (Terminal Central) e de lá pegamos um ônibus para o sul. No caso, deveríamos descer dessa vez no TIRIO (Terminal de Integração Rio Tavares), o mais setentrional da ilha. Chegando lá, pegar um novo ônibus que nos deixasse em Ribeirão. Mais uma vez, foi fácil se deslocar de um lugar para o outro. Os horários de saídas dos ônibus costumam vir escritos nas pilastras ou paredes dos terminais, e foram todos cumpridos com disciplina. Também contamos com a boa vontade da maioria das pessoas, que nos davam informações com simpatia. O trajeto até Ribeirão demora um pouquinho, aproximadamente uma hora para quem vem do centro.

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As águas no sul de Floripa são muito calmas, quase paradas mesmo. A areia é mais escura e densa. Creio que o mar é próprio para banho, mas não vi nenhum banhista por onde passei. As pessoas preferem as praias do leste e norte para mergulhar e se bronzear. Na verdade, o que mais se vê na água são boias coloridas com redes para o cultivo de ostras, especialidade local. A região é a maior produtora deste tipo de molusco no Brasil. A maior graça de passear por Ribeirão da Ilha é curtir o clima “paradão”. As ruas são estreitas e as casinhas coloridas, muitas do século XVIII, herança da colonização açoriana. Tudo muito bem conservado, o que faz com que a gente se sinta realmente voltando no tempo.

Com o horário do almoço se aproximando, resolvemos experimentar o que a região oferece de melhor, que são os frutos do mar. O prato principal foi composto de ostras, macarrão, queijo e salada. Nunca tinha comido ostras antes. Gostei bastante. A aparência não é muito convidativa, mas o sabor é muito bom. O preço também saiu em conta: R$ 30 reais para uma travessa que dava facilmente para três pessoas. A maioria dos restaurantes fica na beira da água, o que torna a atmosfera mais especial para a refeição. Satisfeitos com a ótima comida, seguimos caminhando e tirando fotos, com destaque para a Igreja de Nossa Senhora da Lapa e o cemitério que fica logo ao lado.

 

O ônibus para voltar demorou um pouco. Os pontos não são muito bem sinalizados, então sentamos na porta de uma casa qualquer e ficamos esperando até que ele passasse por ali. Voltamos até o terminal de Rio Tavares (TIRIO) e de lá pegamos um outro ônibus para o Terminal Lagoa da Conceição (TILAG). Chegando lá, novo ônibus. Não sabíamos exatamente em que ponto da lagoa descer, por isso subimos em qualquer um que desse uma volta por ela. Descobrimos depois que ela é separada em duas partes por um estreito, sobre o qual foi construída uma ponte. Seguindo para o lado direito, ao sul, está a Lagoa de Dentro. Para o lado esquerdo, direção norte, a Lagoa de Fora. Foi nessa última que paramos para curtir a nossa tarde.

Ao contrário de Ribeirão da Ilha, a região da Lagoa da Conceição é bem agitada. Tem vida noturna intensa, muitos bares e restaurantes. As principais opções de hospedagem também estão nesse lado de Floripa. Ao longo da Avenida das Rendeiras ficam concentradas as principais opções de entretenimento, comércio e gastronomia. Mas é essa mesma avenida que costuma dar dor de cabeça aos motoristas durante o verão, feriados e em fins de semana, por causa do engarrafamento. Não tivemos esse azar em nossa passagem por aqui, talvez por ser uma segunda-feira. Mas acho que até se eu pegasse um trânsito complicado, não ficaria estressado. O visual é lindo e bem relaxante. Tanto é que nos acomodamos em um pequeno píer, deitamos por lá mesmo e ficamos cochilando, ouvindo música e conversando até o pôr-do-sol, que foi belíssimo.

 

Voltamos andando até o terminal de ônibus. Na caminhada pela Avenida das Rendeiras, nos deparamos com as dunas que ficam em frente à lagoa, já invadindo o asfalto devido à ação dos ventos. Mesmo com o céu quase escuro, arriscamos uma subida para conferir o visual. Não dava pra ver no horizonte onde exatamente terminava aquela grande faixa de areia. Decidimos não explorar até o fim por causa da falta de iluminação. Consultando o mapa, descobri depois que seguindo em frente daríamos na Praia da Joaquina, uma das mais famosas da cidade. Antes de pegar o ônibus, paramos em um mercado para comprar besteiras e um vinho catarinense de Nova Trento.

Encerramos nossa noite em Florianópolis comendo pizza, salgadinhos e tomando um ótimo vinho. Na manhã seguinte, embarcaríamos logo cedo para Curitiba. Sairia feliz por ter conhecido mais uma capital brasileira, que me surpreendeu positivamente. Poucas cidades no país se enquadram no perfil que eu escolheria para morar, que me seduziriam a deixar o Rio. Nesse meu ranking imaginário de opções, Floripa está facilmente na disputa pela primeira colocação. Nada mais justo do que terminar nosso passeio pela cidade em grande estilo, brindando, mesmo que em um copo tosco de vidro, pelos ótimos três dias desfrutados na Ilha da Magia.

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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