[dropcap style=” style3″]V[/dropcap]amos imaginar a seguinte situação: você está passeando em Brasília e não aguenta mais aquela atmosfera política, os prédios públicos, os engravatados e seus carros de luxo. Já viu todas as construções mais clássicas e famosas, refletiu bastante sobre como o país ainda tem muito a melhorar e como pode ter tanta gente desonesta por aí. Deve, por certo, ter ficado com raiva e vontade de bater em um deputado ou um senador.

Mas para quê se estressar? O negócio é curtir a viagem e deixar para pensar em casa na melhor forma de ajudar o país e como ser menos mané na hora de votar. A dica para dar sequência na viagem é fugir do roteiros ligados ao clima político e conhecer outros lados da capital federal. A Torre de Televisão, a Catedral Metropolitana, o Parque da Cidade e o Lago Paranoá são algumas boas sugestões para esse objetivo.

Não necessariamente nessa ordem, consegui conhecer todos eles mais o Eixo Monumental em apenas um dia e meio. Foi naquele estilo meio maratona, mas nem por isso deixei de aproveitar bem. O Lago Paranoá já conheci logo na sexta-feira à noite, depois de aterrissar em Brasília. O lugar para observá-lo não poderia ter sido melhor: no Pontão do Lago Sul. Trata-se de uma área gastronômica localizada em uma das partes nobres da cidade, às margens do Lago Paranoá, logo ao lado da ponte Costa e Silva. O lugar tem bons restaurantes, bares e uma loja para surfistas (o que não fez muito sentido pra mim, já que não existe praia ou ondas por aqui). Entre um estabelecimento e outro, o legal é caminhar pelas margens do lago. O calçadão é novinho e bem preservado. E a vista, o ponto alto da noite.

O Parque da Cidade foi o meu primeiro passeio na manhã do sábado. Nele a única lembrança que o visitante tem de política é o nome oficial, já que foi batizado de Parque Sara Kubitschek. Mas deixemos a esposa do Juscelino de lado, que o parque tem uma boa área de lazer para ser aproveitada. É possivelmente o principal centro de lazer ao ar livre dos brasilienses. Tem lagos artificiais, quadras de esportes, um parque de diversões (bem “chulé”) e pistas para o pessoal caminhar, correr, andar de bicicleta, patins, etc.

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O movimento estava grande nesse dia, com alguns eventos esportivos acontecendo em cantos diferentes, além de um ensaio de percussão, só com garotas batucando. Também o que não faltava lá eram os vendedores de sorvete, bebida, doces e outras opções para enganar a fome. No geral, o lugar é bem legal para ver outras pessoas e bater perna, mas a conservação dos espaços está deixando um pouco a desejar. Para chegar lá, basta se dirigir para o centro da cidade, junto à Asa Sul. Fica aberto diariamente das 5h até meia-noite.

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No fim da tarde, reservamos alguns minutos para conhecer a Catedral Metropolitana. Até para quem não é católico, como eu, a visita vale muito a pena, pois trata-se de uma obra de arte, talvez a mais bonita do Oscar Niemeyer. Fica localizada no Eixo Monumental, na Esplanada dos Ministérios. Logo na entrada, já há quatro estátuas interessantes, que representam os quatro evangelistas da bíblia: Mateus, João, Marcos e Lucas.

Para conhecer a catedral, é preciso descer uma rampa, já que a parte principal fica mesmo no subsolo. Ela é iluminada naturalmente através dos raios de luz que atravessam os vitrais coloridos, como pode ser visto na foto que abre esse post. A visita pelo interior acontece das 8h às 18h, diariamente. Mas quando está acontecendo uma missa, eles fecham o acesso dos turistas à parte principal. Somente entra quem for participar. Como não era o meu caso, fiquei satisfeito com as fotos logo na entrada.

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O último passeio do dia, já quando o sol ia se pondo, foi a Torre de TV, localizada no Eixo Monumental Oeste. Antes de subir, porém, fizemos uma pausa estratégica na sua base, onde há uma feira de artesanatos e de gêneros alimentícios brasileiros variados. Aproveitei para aumentar a minha coleção de miniaturas turísticas e ainda experimentei o acarajé em uma lanchonete especializada em comida baiana (há opções paraenses, mineiras, entre outras).

Na minha viagem para a Bahia em 2009, deixei de experimentar o famoso quitute por problemas de saúde (dor de barriga, mesmo, para ser claro), então foi a chance de preencher essa lacuna. Não curti muito, mas a tapioca de coco com leite condensado como sobremesa fechou bem o momento gastronômico. A feirinha costuma funcionar diariamente, das 9h às 19h. Para subir até o alto da Torre de TV basta encarar a fila entre 14h e 18h na segunda-feira, ou de terça a domingo das 8h às 18h. O mirante lá de cima é ótimo, dá para ver Brasília em 360 graus, ter uma noção maior do desenho do Eixo Monumental, das Asas Norte e Sul, além de se ter uma ótima vista da cidade iluminada.

Com tanta coisa interessante para fazer, os pensamentos passam longe do Sarney e da Dilma…

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