[dropcap style=”style3″]P[/dropcap]rimeiro dia de mochilão. Buenos Aires como o capítulo inicial dessa aventura por Argentina e Chile. Até a Patagônia, ainda falta muito chão, então nada melhor que começar a viagem desfrutando dos prazeres de uma grande capital. Contrariando a previsão do tempo, já fui recepcionado por um solzão e céu azul, com poucas nuvens. Cidade aparentemente tranquila, mesmo sendo o dia seguinte à eleição presidencial, que confirmou mais um mandato para a Cristina Kirchner. E nada de descanso após o voo de três horas do Rio para cá. Nesta segunda-feira, optei logo por um roteiro básico: o centro da cidade, com as construções históricas, políticas e os prédios comerciais.

Desembarquei no Aeroporto Internacional de Ezeiza às 11h, mas fiquei mais de 30 minutos enrolado com os procedimentos para passar pela imigração, pegar a mochila, passar ela no raio-x, etc. Lá dentro, já troquei uma pequena quantia de reais por pesos, em uma cotação pouco favorável: 1,86. Não queria me arriscar nos caros e não tão confiáveis táxis (li várias histórias de turistas sendo enrolados). Nem estava com tanta disposição para encarar os ônibus convencionais. Então utilizei o serviço do ônibus executivo da empresa Manuel Tienda León. Não era baratinho, mas era mais confortável e seguro. Saiu por 65 pesos, aproximadamente 30 reais. O ônibus leva a pessoa até uma estação em Puerto Madero. De lá, eles agrupam os passageiros com destinos próximos e um carro deixa cada um na porta da sua respectiva hospedagem.

Encontrei com o meu amigo Eduardo no hostel Che Lagarto lá pelas 13h, fizemos o check-in e saímos logo em seguida para o almoço. O albergue fica bem localizado na parte central da cidade, no bairro San Telmo. A localização é muito boa, principalmente porque os restaurantes e lanchonetes mais baratos ficam por aqui, além de ser bem fácil chegar em vários pontos turísticos a pé, de ônibus ou metrô (chamado de subte por aqui).

Depois do almoço, seguimos para a famosa Plaza de Mayo, principal praça da cidade, centro da vida política. Ela tem esse nome em referência ao movimento político de maio de 1810, que iniciou os processos de independência pela América do Sul. Nessa praça, são comuns as manifestações políticas de vários tipos. A mais famosa delas é a das “Madres de Plaza de Mayo”, mulheres que se reúnem periodicamente com fotos de seus filhos desaparecidos durante a ditadura militar (que teve início na década de 70).

IMG_2445

Ao redor da praça estão vários prédios interessantes para ver e bater foto: a Casa Rosada (sede do Poder Executivo na Argentina), o Cabildo Histórico, a Catedral Metropolitana e o prédio central do Banco La Nación. Neste último, estão as melhores cotações que encontramos para câmbio. O real estava valendo 2,24 pesos por lá. O lugar é grandioso e a gente tende a se perder logo de cara. Para fazer o câmbio é preciso descer um andar e estar com algum documento de identidade. A dica é sempre contar bem o seu dinheiro e já ter noção de quanto a pessoa deve lhe dar em troca. No meu caso, a mulher do caixa ia “sem querer” me dando 100 pesos a menos!

IMG_2458

IMG_2461

A próxima caminhada foi na Avenida 9 de Julio, a principal de Buenos Aires, tida como uma das mais largas do mundo (em alguns lugares contei 8 faixas para os veículos). É nela que está outro monumento famoso, o Obelisco. Bom ponto de referência quando se está perdido. A Avenida tem muitas opções de comércio, gastronomia e entretenimento. E é lá que se sente o real movimento e agitação da capital argentina. A cidade estava especialmente bonita por causa do tempo e da estação do ano (Primavera). Várias árvores e flores davam um tom colorido diferente e mais charmoso. Apesar do solzão, um vento traiçoeiro gelado tornava quase obrigatório o uso do casaco.

IMG_2479

Buenos Aires Centro HistoricoApesar de muitas qualidades, Buenos Aires não é assim um lugar 100% seguro. Nada que comprometa a viagem, já que são raros os assaltos com armas e uso de violência. Agora, furtos têm sido muito comuns. Então é muito importante estar atento a todos os pertences durante a estadia por aqui. Carregá-los em lugar mais seguro.

Eu sempre guardo dinheiro e documentos naquele porta-dinheiro que vai por dentro da roupa. Enquanto descansava em uma praça, vi um cara mal-encarado circulando e observando as pessoas.

Ele fingia ser um desses limpadores de vidro de carros, que tentam ganhar dinheiro nos sinais de trânsito. Mas quando viu uma mulher distraída esperando para atravessar pela faixa de pedestres, arrancou rapidamente o colar dela e saiu correndo pela 9 de Julio. Todo cuidado é pouco para evitar esses aborrecimentos.

Outra dica importante é em relação a tomadas. Aqui seguem um padrão diferente do brasileiro. Procure por adaptadores assim que chegar. Eu comprei os meus com um ambulante na Calle Florida. Saíram por 5 pesos (aproximadamente 2 reais) cada. Para quem viaja com eletrônicos é sempre bom ter pelo menos uns dois desses adaptadores. Para terminar o dia, fiz um lanche caprichado no Pampa Libre, que fica em uma rua lateral do Obelisco. Por 12 pesos (5 reais), um hambúrguer grande e bem recheado, pouco gorduroso.

Apesar do tempo mais curto nessa segunda, o dia foi bem produtivo. Terça é dia de futebol e tango!

IMG_2487


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

Posts do autor