[dropcap style=”style3″]S[/dropcap]eguindo o cronograma padrão do trekking, o quinto dia seria o de maior tempo caminhando. Em resumo, seriam dois dias de trekking concentrados em um. Desceríamos do topo do Monte Roraima até o acampamento Base e depois seguiríamos andando até o acampamento do Rio Tek. Aproximadamente 16 quilômetros no total, com tempo estimado de 6 horas de caminhada. Claro, o fato de o trajeto ser praticamente todo feito só em descida tornava a coisa menso pesada. E também poderíamos fazer uma parada estratégica para descansar no acampamento Base antes de seguir andando.

Saímos às 07:35 do hotel Sucre, no topo do monte. Ainda tentamos em vão esperar o céu abrir antes de descer, para tentar apreciar uma vista mais bonita lá de cima, mas o tempo não estava colaborando. Ok, não era assim um grande problema. Só de ter estado ali e caminhado no meio daquele ecossistema tão peculiar, já valeu muito a pena. Era hora da despedida. E lá estava o Passo das Lágrimas novamente a frente. Desta vez, mais intimidador.

Com a chuva do dia anterior, o volume das águas estava um pouco maior. Era importante redobrar a atenção na hora de descer. As pedras estavam mais escorregadias e durante a maior parte da descida, recebíamos um verdadeiro banho da cachoeira. Quando cheguei ao fim da Rampa, estava todo encharcado. A capa de chuva vagabunda tinha rasgado ao meio e não oferecia mais nenhuma proteção.

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O tempo dava sinais de melhora, então era torcer para secar as roupas durante a caminhada. Neste retorno, as panturrilhas já estavam mais fortalecidas, mas era a vez dos joelhos serem castigados. Há quem leve os bastões de trekking para ajudar principalmente nas descidas e realmente pode ser uma boa, já que você diminui a pressão sobre os joelhos. No meu caso, fui me escorando em pedras e galhos.

Com mais tranquilidade, chegamos em três horas de caminhada ao acampamento Base. Corri para ver se parte das minhas roupas que havia deixado lá ainda estavam intactas. Sim, nenhuma surpresa desagradável. Aproveitei para descansar pés e joelhos, e colocar parte das roupas para secar, já que o sol finalmente tinha surgido com mais intensidade.

Depois do almoço e de um breve cochilo na grama, arrumei a mochila, agora novamente pesada, e iniciei a caminhada às 13:10. Se por um lado, o tempo aberto proporcionava um visual realmente lindo, por outro, o sol castigava sem dó, aumentando o esforço para andar. Aqui o mais importante era abastecer bem os recipientes de água porque no meio do caminho até o Rio Tek não havia fontes ou rios tão acessíveis. Eu carreguei o meu camelbak de dois litros e estava com mais uma garrafa pequena de 700 ml por precaução.

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Desta vez, fiz a maior parte do trajeto ao lado do amigo espanhol, já que a mexicana tinha disparado antes na frente. Em determinado ponto, em que a terra era bem árida e a vegetação baixa, encontramos uma menina venezuelana sofrendo para continuar o trekking. Ela simplesmente andava com uma garrafinha de 300 ml de água, que já tinha acabado. Ajudamos ela a se hidratar novamente e fomos a motivando para continuar andando sem parar muito. O grupo dela tinha disparado e a ignorado totalmente.

Foi um dos dias em que eu mais me empolguei com as fotos. A luz estava muito boa, principalmente ao fim do dia. Constantemente virava para trás para tentar os melhores ângulos e enquadramentos do Monte Roraima e do Kukenán. Atravessar o rio Kukenán e o Tek foi mais fácil dessa vez. No primeiro, que é sempre mais complicado, escolhemos um ponto de travessia diferente de quando estávamos indo em direção ao Roraima. E parece que a escolha foi mais sensata. Novamente com o uso de meias, cheguei ao outro lado do rio sem problemas.

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Exatamente às 16:00, três horas depois de sair do acampamento Base, estávamos novamente no acampamento do Rio Tek. O banho no rio foi uma experiência quase transcendental. O pôr do sol lindo no horizonte, a visão do Monte Kukenán, a sensação de contato íntimo com a natureza. Nem os puri puri (mosquitos assassinos) estragaram o momento. Era hora de relaxar e curtir o penúltimo dia desta aventura.

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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