[dropcap style=”style3″]O[/dropcap]trajeto deste último dia de trekking já era bem conhecido e, teoricamente, tranquilo. Total de 10 km, 4 horas previstas do caminho entre o rio Tek e Paraitepui, onde o carro nos esperaria para levar até Santa Elena de Uairén. Mas mesmo sendo um trajeto mais tranquilo, o corpo já acumulava dias de caminhada e noites dormidas em barraca. Mentalmente e fisicamente havia um peso. A sensação de querer chegar logo no ponto final parecia aumentar esse cansaço.

Não foi um dia de tempo aberto, nem de visual tão bonito como nos outros. O Roraima estava às nossas costas, mirávamos dessa vez o acampamento final. Por essa conjunção de fatores, a caminhada me pareceu a mais difícil de todos os dias. Por isso, a fiz em um ritmo mais lento que as demais. Acho que também era uma forma de adiar à despedida do trekking. Durante o caminho, muitas reflexões e a satisfação de estar cumprindo um objetivo que parecia muito mais amedrontador no começo.

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Os últimos passos pareciam os mais difíceis. As pernas pesavam, tanto pelo esforço, quanto pela quantidade de lama acumulada nas botas. Avistar as primeiras casinhas dos indígenas que vivem em Paraitepui foi como um oásis. Aquele passo mole, quase parando, deu lugar a uma caminhada mais obstinada. Faltava pouco, era só apressar o ritmo. Esta última parte fiz solitário, me distanciando do grupo.

Um processo de meditação e concentração para chegar logo ao objetivo. Às 11:00 avistei integrantes do outro grupo sentados em uma das casinhas. Eles acenavam e gritavam palavras de incentivo. Foram apenas mais dez minutos até subir ao encontro deles e comemorar o fim do trekking. Desafio cumprido com sucesso. Um refrigerante gelado e alguns biscoitos para celebrar. Esperei os outros componentes do nosso grupo chegarem e fui até o posto de entrada no parque para assinar a ficha de saída. Nossas malas foram revistadas, não com muita atenção para ser sincero, mas o guarda fez lá o seu papel de buscar sem sucesso cristais contrabandeados do topo do Roraima.

Ainda tivemos de esperar até 12:30 para entrar no carro em direção à Santa Elena de Uairén. A viagem durou cerca de uma hora e meia. Às 14:00, estávamos na cidade, na pousada Backpackers, comendo quase o prato de tanta fome. A primeira parte da aventura pela Venezuela tinha chegado ao fim. Ia começar a saga em direção ao Salto Angel, a maior cachoeira do mundo.

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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