Boa Vista é a capital brasileira mais próxima da Venezuela. Para cruzar a fronteira pelo norte do país, você vai acabar passando pela cidade. A maior parte dos voos diretos para cá vem de Brasília e Manaus. Tam, Gol e Azul tem voos para Boa Vista. No meu caso, a companhia aérea escolhida foi a Tam, por ter opções mais razoáveis saindo do Rio de Janeiro, com escala em Manaus.

Voo saía às 22:00 e, depois da escala, chegaria por volta das 4:00 em Boa Vista. A minha ideia era justamente cruzar a fronteira de manhã, para conseguir conversar a tempo com a agência em Santa Elena, na Venezuela, que organizaria o trekking pelo Monte Roraima.

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Em resumo, há três opções para chegar na fronteira com a Venezuela saindo de Boa Vista. Táxi particular saindo do aeroporto, táxi coletivo que sai de um ponto da cooperativa na cidade e ônibus que sai da rodoviária. A primeira opção é a que precisa ser mais negociada, de preferência por telefone com antecedência. Em grupos grandes, costumam cobrar entre R$ 50 e R$ 60 por cabeça. A facada pode ser maior se você for sozinho.

Para as outras duas opções de transporte, táxi coletivo e ônibus, você vai precisar pegar um táxi comum do aeroporto até os respectivos pontos. O táxi coletivo é comandado por uma cooperativa e possui uma central exclusiva de saída. No caso do ônibus, é preciso ir para a rodoviária mesmo.

Saindo do aeroporto, você chega em qualquer um desses lugares em uns 15 minutos. O táxi comum do aeroporto funciona da seguinte maneira: eles têm preços fixos dependendo da área em que você vá desembarcar. Para quem vai ficar apenas na parte central ou ir para rodoviária e aeroporto, o valor era de R$ 30 em abril deste ano. Um roubo, convenhamos, principalmente quando se percebe que a cidade é pequena e o valor da corrida não condiz com as distâncias percorridas.

O táxi coletivo até a fronteira custa R$ 35 e o ônibus custa R$ 20,50. A vantagem do táxi coletivo é que as saídas são mais frequentes. Basta encher para sair. E geralmente tem muita gente usando. O ônibus tem horários mais restritos, mas é mais barato. Eu optei pelo ônibus na ida e pelo táxi coletivo na volta. A empresa de ônibus que atualmente faz o trajeto é a Rivaltur.

Chegando na rodoviária é bom se informar, porque antes a Eucatur fazia o trajeto, mas quando perguntei disseram que não operavam mais a rota. O primeiro ônibus sai às 7:00, mas o guichê da empresa só abre depois das 6:00. Eu cheguei às 5:00 na rodoviária e tive que esperar mais duas horas para sair de lá, sendo devorado por mosquitos.

Geralmente, todas estas três opções (táxi particular, táxi coletivo e ônibus) te levam até Pacaraima, cidade ainda no Estado de Roraima que fica colada na fronteira com a Venezuela. A viagem costuma demorar entre 2h30 e 3h30. Depende do meio utilizado e da velocidade do motorista para cruzar estes quase 250 km. No meu caso, sai de Boa Vista às 07:05, cheguei em Pacaraima às 10:20.

onibus boa vista santa elena venezuela

Em Pacaraima, última cidade brasileira antes da Venezuela, você já chega no terminal de ônibus sendo abordado por gente querendo fazer câmbio. Recomendo trocar apenas uns R$ 20 por bolívares. O câmbio aqui não é tão favorável, mas é bom já entrar com alguns trocados.

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Do terminal de ônibus até o ponto de saída do Brasil são uns 10 minutos andando, depois mais 10 minutos para o ponto de entrada na Venezuela. E depois dos trâmites na fronteira, você vai pegar um táxi do lado venezuelano até Santa Elena. Essa viagem também vai demorar uns 10 minutos e sairá por R$ 2 ou 50 bolívares. O esquema aqui também é de táxi coletivo e você entra no veículo bem do lado de onde fez os trâmites de entrada no país. O táxi coletivo te deixa na porta da hospedagem. Entendeu? Ou quer que eu desenhe? Ok, ta aí o desenho abaixo, 🙂

 

mapa brasil venezuela fronteira

Para minimizar os problemas na hora de dar entrada na Venezuela, respeite os procedimentos obrigatórios. O risco de te perturbarem será menor. Tenha em mãos o RG em boas condições ou passaporte com validade em dia, e a carteirinha de vacinação contra a febre amarela. Não sabe como tirar a carteirinha? Clique aqui e veja como. Ainda do lado brasileiro, é preciso registrar a saída do país. Depois de caminhar até o lado venezuelano, registrar a entrada. As fronteiras funcionam oficialmente das 8h às 18h. Não saia de Boa Vista para cá depois das 14h.

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Para mim, no geral foi muito tranquilo atravessar a fronteira na ida e na volta. Com o meu espanhol básico, conversei com os policiais, expliquei o motivo de entrada no país e o período que ficaria por lá. Passaporte carimbado sem problemas. No retorno ao Brasil, o policial quis revistar minha bagagem. Abri sem problemas, demonstrando confiança. Sempre com muita educação e cortesia, mas sem deixar me intimidar.

Quando vejo que eles só revistam parte da bagagem, até costumo perguntar se o cara não quer ver outra parte. Essa autoconfiança costuma passar credibilidade. Mas nem tudo são flores. Assim como cá, lá também há muitos corruptos e malandros. Outros viajantes e blogueiros já relataram problemas de revista íntima, grosseria, pedido de propina e até roubo de pertences. Fique atento a esse tipo de abordagem.

 

Vice Consulado do Brasil em Santa Elena do Uairen

Edifício Galeno, Calle Los Castanos, Urbanización Roraima del Casco Central, Santa Elena de Uairén, República Bolivariana da Venezuela

Telefones: 00(XX)584143919114 (Plantão Consular) / 00 (xx) 58 289 995-1256 (Geral)
Email: vcsantaelena@mre.gov.br

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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