[dropcap style=”style3″]D[/dropcap]inheiro é uma coisa que assusta muita gente em viagem. Há um certo temor de errar no cálculo, na conversão, etc. No caso da Venezuela, principalmente na região Sul, o dinheiro proporciona algumas alegrias para nós brasileiros. A conversão é favorável, e itens como alimentação e hospedagem são surpreendentemente baratos. Mas antes de fazer a festa, preste atenção nas dicas.

Sabe aquele conselho de evitar trocar dinheiro nas ruas? Em Santa Elena de Uairén, esqueça. Pode trocar sem medo. Claro que vale ter o mínimo de atenção, mas no geral, não costumam acontecer problemas de notas falsas na cidade. Existe o câmbio oficial e o paralelo. Opte sempre pelo paralelo, que é muito mais vantajoso. A questão da legalidade neste caso, convenhamos, é bem subjetiva.

Para fazer o câmbio paralelo, basta caminhar nas ruas do centro. Na rua principal, a Calle Urdaneta, e na praça Simón Bolívar, há dezenas de cambistas. Não precisa procurá-los. Eles te acham na marra. Fica por conta do seu talento a negociação do valor, já que a maioria oferece a mesma taxa de conversão. A questão do câmbio anda muito flutuante na Venezuela, então é preciso se programar dentro de uma margem de chute mesmo.

Os valores às vezes mudam muito de um dia para o outro. Em abril de 2014, fiz câmbio R$ 1 = 24 Bs, depois R$ 1 = 25 Bs e por último R$ 1 = 25,5 Bs. Este último, mais vantajoso, só depois de chorar bastante com os caras. E me disseram que uma semana antes, estava em R$ 1 para 20 Bs, só para ter uma noção da variação da coisa.

A troca das notas geralmente é feita dentro de algum estabelecimento. Você combina com o cambista o valor, ele te puxa para dentro de qualquer loja e faz a troca ali. É uma forma de disfarçar a coisa, mas na real é pura formalidade. Há policiais pelas ruas, é muito óbvio para eles que rola o câmbio paralelo e eles parecem pouco se importar com isso. Os cambistas chegam a te oferecer as trocas a poucos metros dos policiais, que ouvem tudo sem esboçar reação.

Importante levar alguma mochila, porta-dinheiro, coisas do tipo, porque depois da troca a mão fica cheia de dinheiro. Fundamental contar todas as notas, uma por uma, com muita paciência. O cambista que espere. Em um dos câmbios que fiz, estava acompanhado de dois estrangeiros. E um deles recebeu menos notas do que deveria. Conseguiu encontrar o cambista depois e pegar a diferença de volta. São tantas notas, que rola uma leve sensação de que você está rico. Doce ilusão. Antes fossem euros, dólares, libras…

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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