Gigante, misterioso, imponente e desafiador. Com 2723 metros de altitude, o Monte Roraima impressiona quem o vê pela primeira vez, mesmo que de longe. Rodeado por outros tepuis (montes em formato de mesa) como o Kukenán e o Yuruaní, o Roraima tem inspirado viajantes há muitos anos. Dos índios mais primitivos aos atuais nativos Pemons, dos colonizadores europeus aos turistas modernos, todos se encantam com sua magnitude.

As lendas mais antigas dos índios contam que o Roraima nasceu da ganância de algumas tribos. Havia na selva uma grande árvore cheia de frutos. Para tentar aproveitar todos esses frutos de uma só vez, os índios cortaram ela ao meio. Do seu interior brotou uma fonte de água, que inundou toda a região. O tronco da árvore caído no chão deu origem ao Tepui Roraima. A descoberta oficial dos europeus aconteceu no século XIX.

Foi escalado pela primeira vez na expedição do britânico Everard im Thurn em 1884. A trilha usada na época é a mesma dos dias de hoje. Na literatura, “O Mundo Perdido, de 1912, escrito por sir Arthur Conan Doyle, se inspirou nas incursões ao Roraima. Nos cinemas, a animação “UP, Altas Aventuras” usa como cenário a região do Monte e do Salto Angel.

Na década de 30, os governos da Venezuela, Brasil e Guiana fizeram uma expedição ao topo do Roraima para delimitação de fronteiras. Oficialmente se entende que o Ponto Triplo (um marco feito de pedra) marca a divisão entre os três países: o Brasil possui 5% do Monte, Guiana 10% e Venezuela 85%. Mas o governo venezuelano contesta até hoje essa divisão e não reconhece a parte da Guiana.

Brigas políticas à parte, o Monte recebe entre três mil e quatro mil visitantes por ano. Fiz parte destas estatísticas em abril deste ano. Trago dicas e histórias de cada dia do trekking nos itens abaixo. Divirta-se!

O trekking dia a dia


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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