[dropcap style=”style3″]D[/dropcap]ificilmente o viajante que chega vai ao Monte Roraima ou segue para outros pontos da savana venezuelana não dorme pelo menos um dia em Santa Elena de Uairén. Geralmente você precisa de no mínimo um dia para conversar com a agência, descansar e iniciar o trekking. Para quem chega de táxi da fronteira e tem o perfil mais mochileiro, o mais fácil é descer na Calle Urdaneta, ou segundo alguns taxistas: “la calle de los turistas”.

Nesta rua, estão as duas principais opções de hospedagem, a Posada Backpacker e a Posada Michelle. As duas tem Wi-Fi, nenhuma oferece café da manhã. Há quartos coletivos e individuais. São habitações simples, com limpeza razoável, nada que te faça acordar com baratas na cama no dia seguinte. Chuveiros meia-boca, onde o uso do chinelo é mais recomendado. Se você não tem muitas frescuras, aposte em uma das duas opções. Outra vantagem delas é que funcionam também como base para as agências que fazem o passeio pelo Monte Roraima.

Lendo na internet a opinião de outros mochileiros e comparando ao vivo, pude perceber uma ligeira vantagem da Backpacker em relação a Michelle. Optei pela segunda. Peguei um quarto que tinha três camas de solteiro e uma de casal, e banheiro interno. Trata-se da foto que abre este post. Lençóis pareciam limpos, ventilador era barulhento, mas funcionava, descarga vazava água, chuveiro com água irregular.

Para quê luxo se dormiria os próximos cinco dias em uma barraca no meio do mato? Bom para já ir me acostumando. E o preço, esse sim era o principal atrativo: 400 bolívares (segundo o câmbio do dia, R$ 16). Esse valor com o quarto só para mim. Peguei este quarto porque os outros estavam cheios. Os valores da época eram: quarto individual 250 Bs (R$ 10), quarto duplo 400 Bs (R$ 16) e quarto triplo 600 Bs (R$ 24).

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A CIDADE DE SANTA ELENA DE UAIRÉN

Santa Elena é uma cidade muito pequena, sem muitos atrativos. O centrinho comercial, que pode ser alcançado em poucos minutos de caminhada destas duas pousadas acima, é muito frequentado por brasileiros, que atravessam a fronteira para aproveitar o câmbio favorável. Por essa razão, há lojas de roupas, equipamentos esportivos, cosméticos e eletrônicos. Outros brasileiros vem aqui para trabalhar mesmo, não é raro ver donos de estabelecimento falando português. Não encontrei em si nenhuma super barbada para comprar, talvez equipamentos de esporte e aventura, que saem mais em conta. As roupas em si, não eram de uma qualidade muito incrível.

Há algumas padarias e lanchonetes espalhadas pela cidade. Restaurantes brasileiros também fazem sucesso na cidade. São churrascarias e restaurantes de comida à quilo. Almocei em um desses, em que a comida (prato de aproximadamente 400g) saiu por 116 bolívares (R$ 4,64), incluindo um refrigerante de dois litros divido por quatro pessoas. Impressionantemente barato. Tentei comprar algumas pastilhas purificadoras de água na cidade, sem sucesso algum.

à noite, a melhor opção para comer e conhecer gente é o próprio bar da “Posada Backpacker”. Jovens da cidade também costumam vir aqui para se enturmar com os turistas. Rola uma música ambiente, bebidas, comida, etc. Uma pizza com oito pedaços saiu por 300 Bs (R$ 12). Há outras opções de balada local, mas não estava muito interessado em conferir. Quem foi, me disse que era apenas OK. A cidade também tem essa parte mais residencial e tranquila, como pode ser visto na foto abaixo. E costuma servir de base para outros passeios, não só pelo Monte Roraima.

Um passeio muito comum é o de 1 dia pela Gran Sabana, que inclui mirantes, cachoeiras e a famosa Quebrada de Jaspe. Esse eu pretendo fazer em outra oportunidade, pois não havia saídas para o dia em que eu estava livre por lá. No geral, aproveite Santa Elena para descansar, comprar comida para o trekking pelo Monte Roraima, interagir com o povo (que entende bem português) e como base para outros passeios pela Gran Sabana. 

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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